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Com 141 votos na ONU, campanha iniciada por estudantes do Pacífico transforma parecer climático da Corte Internacional de Justiça em pressão global por obrigações legais contra a crise climática

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/05/2026 às 21:03
Atualizado em 25/05/2026 às 22:08
ONU aprova resolução climática com 141 votos e reforça parecer da Corte Internacional de Justiça sobre deveres dos países.
ONU aprova resolução climática com 141 votos e reforça parecer da Corte Internacional de Justiça sobre deveres dos países.
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Com apoio de 141 países, resolução aprovada na Assembleia Geral da ONU reforça parecer unânime da Corte Internacional de Justiça, impulsionado por estudantes do Pacífico e por Vanuatu, e amplia a pressão diplomática sobre governos diante das obrigações legais relacionadas ao clima.

141 países aprovaram em maio de 2026, na Assembleia Geral das Nações Unidas, uma resolução que reforça o dever legal de proteger o clima, após campanha iniciada por estudantes do Pacífico e levada por Vanuatu ao Tribunal Internacional de Justiça.

Como o Pacífico levou a pauta climática à ONU

A votação consolidou trajetória iniciada longe dos centros diplomáticos. A Pacific Island Students Fighting Climate Change, organização liderada por estudantes, iniciou mobilização para pedir ao Tribunal Internacional de Justiça um parecer consultivo sobre clima e direito.

Vanuatu, nação insular do Pacífico exposta à elevação do nível do mar e a tempestades intensas, assumiu a causa nas Nações Unidas. Sob pressão de potências para retirar a resolução, o país manteve a iniciativa.

Em julho de 2025, a Corte Internacional de Justiça emitiu parecer unânime. O tribunal esclareceu que enfrentar a crise climática é dever legal baseado em direito internacional, não compromisso condicionado à conveniência política.

Vishal Prasad, diretor da Pacific Island Students Fighting Climate Change, classificou a votação como “um ponto de viragem na responsabilização pelos danos climáticos”. A campanha mostrou como países menores influenciam o direito internacional.

Decisão afirmou responsabilidade climática

O parecer reconheceu que limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius segue como objetivo central da ação climática. Também indicou que obrigações consuetudinárias alcançam todos os países, mesmo fora de tratados climáticos da ONU.

A Corte afirmou que os Estados têm dever de reduzir emissões, inclusive regulando atores privados dentro de seus territórios. Com isso, a discussão avança da política pública para a responsabilidade corporativa.

Outro ponto foi a indicação de que a expansão contínua da produção de combustíveis fósseis poderia configurar ato ilícito internacional. A mudança climática foi descrita como problema existencial planetário.

Resolução transforma parecer em pressão diplomática

A resolução aprovada em maio de 2026 busca dar peso operacional ao parecer. O texto pede que os Estados cumpram obrigações internacionais esclarecidas pelo tribunal e adotem medidas voltadas à meta de 1,5 grau Celsius.

O documento menciona transição para longe dos combustíveis fósseis e solicita ao secretário-geral da ONU relatório sobre formas de promover conformidade. A votação terminou com 141 votos favoráveis, 8 contrários e 28 abstenções.

Bielorrússia, Irã, Israel, Libéria, Rússia, Arábia Saudita, Estados Unidos e Iêmen votaram contra. Durante negociações, Vanuatu retirou do texto final a proposta de um registro global para perdas e danos climáticos.

Oposição dos EUA e próximos efeitos jurídicos

A posição dos Estados Unidos foi apresentada por Tammy Bruce, vice-representante do país na ONU. Ela chamou a resolução de “altamente problemática” e contestou a base legal das obrigações sobre danos transfronteiriços.

Bruce rejeitou menções aos combustíveis fósseis e à mudança climática como desafio civilizacional. Antes da votação, os EUA pressionaram países contra a resolução e tentaram convencer Vanuatu a retirá-la.

A resolução não é vinculativa, mas reforça a autoridade persuasiva do parecer em tribunais nacionais. Para Joie Chowdhury, do Centro de Direito Ambiental Internacional, o voto mostra compromisso global com Estado de direito, ação coletiva e cooperação climática.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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