Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pressiona combustíveis fósseis e reforça avanço das energias renováveis, enquanto ONU aponta impacto em investimentos, segurança energética, contas de luz e financiamento para países em desenvolvimento pelo mundo
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã está provocando um boom global das energias renováveis, afirmou Simon Stiell nesta quinta-feira (30), em Paris, ao relacionar a guerra à crise dos combustíveis fósseis.
Crise dos combustíveis fósseis pressiona economia
Secretário-executivo para Mudanças Climáticas da ONU, Stiell afirmou que o impacto da guerra elevou os custos dos combustíveis fósseis, sufoca a economia global e faz a estagflação avançar.
Para ele, a tragédia expõe uma ironia: forças que tentaram manter o mundo dependente de combustíveis fósseis acabaram impulsionando, de forma indireta, a expansão das fontes limpas.
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A fala ocorreu na primeira rodada dos Diálogos de Alto Nível sobre a Transição Energética, organizada em preparação para a COP31, marcada para novembro, em Antália, na Turquia.
Energias renováveis avançam nos números
Stiell afirmou que a mudança já aparece nos indicadores. O investimento em energia limpa segue em forte crescimento e supera com folga os aportes destinados aos combustíveis fósseis.
A geração de energia solar também registra expansão acelerada. Para o dirigente, a crise atual tornou inevitável uma nova avaliação econômica sobre o papel das fontes limpas na matriz energética global.
Ele afirmou que a última crise dos custos dos combustíveis fósseis tornou impossível ignorar a lógica econômica das energias renováveis, especialmente diante da pressão sobre países e consumidores.
Segurança energética entra no centro do debate
Stiell afirmou que as fontes limpas oferecem energia mais segura, barata e limpa, sem depender de estreitos canais de navegação ou de conflitos globais capazes de afetar o fornecimento.
Ele citou Espanha e Paquistão como exemplos de países com maior capacidade em energias renováveis que conseguiram amortecer parte dos efeitos mais severos da alta dos combustíveis fósseis.
A avaliação é que muitos governos aceleram seus planos para restaurar segurança nacional, estabilidade econômica, competitividade, autonomia política e soberania básica diante do novo cenário energético.
Grandes economias aceleram a transição
Stiell também destacou que grandes economias colocaram a transição energética no centro de suas estratégias. China, Índia, Indonésia, Coreia do Sul, Alemanha, Reino Unido e outros países foram citados.
O dirigente afirmou que essas nações deixaram claro que avançar na transição é parte essencial da segurança energética.
Para ele, este é um momento decisivo para acelerar uma mudança verdadeiramente global.
Alerta aos governos e ao financiamento
Apesar do avanço, Stiell fez um alerta direto aos govenros. Eles devem evitar apego prolongado aos combustíveis fósseis enquanto respondem à crise atual.
Entre as medidas apontadas, ele defendeu romper o vínculo entre os preços da eletricidade e os combustíveis fósseis, para que as renováveis consigam reduzir as contas de energia.
O financiamento foi tratado como ponto central. Muitos países em desenvolvimento querem adotar energia limpa, mas enfrentam obstáculos como falta de fiananciamento e crises de dívida.
Stiell afirmou que os recursos precisam fluir rapidamente para permitir que esses países avancem na transição energética e participem do crescimento global das energias renováveis.
Com informações de CNN.

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