Corredor rodoviário entre Mumbai e Nagpur passou a integrar painéis solares em áreas laterais e interchanges, com geração elétrica já iniciada e plano de expansão em pontos selecionados da expressway, sem transformar o asfalto em superfície fotovoltaica usada pelos veículos.
A Samruddhi Mahamarg, rodovia expressa de 701 km que liga Mumbai a Nagpur, no estado indiano de Maharashtra, começou a gerar energia solar em áreas associadas ao corredor viário, com 5 MW já em operação e plano de expansão para 204 MW.
Conduzida pela Maharashtra State Road Development Corporation, conhecida pela sigla MSRDC, a iniciativa utiliza espaços laterais, interchanges, taludes e terrenos ociosos de uma das ligações rodoviárias de maior extensão do estado indiano de Maharashtra.
Diferentemente de experiências de pavimento solar, o projeto não prevê a instalação de painéis sobre a pista usada pelos veículos, mas em áreas disponíveis da própria infraestrutura rodoviária, o que reduz a interferência direta no tráfego pesado.
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A proposta aproxima o modelo de usinas fotovoltaicas convencionais, ao posicionar os módulos em pontos associados à rodovia, sem exigir que os equipamentos suportem o peso, a frenagem e o desgaste diário dos veículos.
Como funciona o corredor solar na Samruddhi Mahamarg
Segundo o The Times of India, a geração inicial começou na segunda-feira anterior à publicação de 23 de setembro de 2025, com 3 MW em Karanja Lad, no distrito de Washim, e 2 MW no interchange de Mehkar, em Buldhana.
Embora a capacidade instalada da primeira fase tenha sido definida em 9 MW nesses dois pontos, a geração efetivamente iniciada soma 5 MW, dentro de um programa que prevê ampliação gradual ao longo da expressway.

O plano maior da MSRDC prevê alcançar 204 MW em diferentes interchanges ao longo da Samruddhi Mahamarg, conforme as etapas forem implantadas em áreas selecionadas da infraestrutura rodoviária.
A eletricidade produzida é vendida à Maharashtra State Electricity Distribution Company Limited, a MSEDCL, por meio da Mahasamruddhi Renewable Energy Ltd., empresa de propósito específico vinculada à MSRDC.
De acordo com a imprensa indiana, o contrato relacionado ao fornecimento de energia foi firmado em 2022 e integra o arranjo usado pela MSRDC para transformar áreas da rodovia em pontos de geração renovável.
Pelo modelo divulgado, a tarifa ofertada pela corporação é de 3,05 rúpias por unidade, dentro da primeira fase do programa Mukhyamantri Saur Krishi Vahini Yojana, voltado ao fornecimento de energia solar no estado de Maharashtra.
Energia solar para túneis e rede elétrica
Parte da energia solar gerada deve ser usada na operação da infraestrutura viária, incluindo iluminação de túneis na Samruddhi Mahamarg e no trecho conhecido como missing link da Mumbai-Pune Expressway, segundo fontes da MSRDC ouvidas pelo The Times of India.
A produção também abastece a rede elétrica por meio dos acordos de compra de energia, o que adiciona uma fonte de receita ao modelo de operação da rodovia, além de pedágios, concessões e recursos públicos.
A MSRDC também espera obter créditos de carbono com a geração renovável, conforme informações atribuídas pela imprensa indiana à própria corporação e a representantes envolvidos no projeto.
Manuj Jindal, diretor-gerente conjunto da corporação, afirmou ao The Times of India que a iniciativa representa um marco para a empresa e pode fortalecer a captação de recursos para novos projetos de infraestrutura.
Por que o modelo evita painéis no asfalto

A instalação de painéis nas margens e interchanges diferencia a iniciativa indiana de projetos que tentaram transformar a superfície de rolamento em área fotovoltaica, uma solução que exige adaptação a condições severas de uso viário.
Em rodovias de alta velocidade, o pavimento precisa suportar pneus, frenagens, vibração, sujeira, água acumulada e manutenção constante, fatores que tornam mais complexa a operação de módulos no mesmo nível da pista.
Fora da pista de rolamento, os módulos ficam menos expostos ao desgaste mecânico direto e podem ser posicionados para receber melhor incidência solar, conforme a orientação do terreno e as condições de instalação.
Esse arranjo também permite condições mais próximas das adotadas em uma usina solar tradicional, com espaço para ventilação, limpeza e manutenção técnica, sem submeter os equipamentos ao tráfego diário de veículos.
Autoridades ouvidas pelo Hindustan Times afirmaram que a orientação da Samruddhi Expressway favorece a instalação dos equipamentos, porque, no sentido Nagpur-Mumbai, o lado esquerdo da via fica voltado para o sul.
Segundo a mesma avaliação relatada pelo jornal, essa posição é considerada adequada para ampliar a exposição solar naquela região, o que ajuda a explicar a escolha de trechos específicos para receber os equipamentos.
A mesma reportagem informou que a MSRDC também estuda combinar painéis solares com turbinas eólicas em áreas da expressway, em uma etapa ainda dependente de estudos e modelagem.
A proposta em análise considera o aproveitamento de ventos naturais e do deslocamento de ar gerado por veículos em alta velocidade, mas ainda não há confirmação segura de implantação comercial dessa solução.
Rodovia entre Mumbai e Nagpur ganha função além do transporte
A Samruddhi Mahamarg é oficialmente chamada de Hindu Hrudaysamrat Balasaheb Thackeray Maharashtra Samruddhi Mahamarg e liga Nagpur, no leste de Maharashtra, à região metropolitana de Mumbai.
Ao conectar áreas industriais, agrícolas e urbanas do estado, a expressway também passou a receber um uso complementar ligado à geração elétrica, com instalação de módulos solares em áreas integradas ao corredor viário.
De acordo com o Hindustan Times, o corredor foi implantado em etapas: um trecho de 520 km foi inaugurado em dezembro de 2022, seguido por novas liberações em maio de 2023 e março de 2024.

A abertura do trecho final de 76 km até Amane, perto de Thane, ocorreu em 05 de junho de 2025, completando a ligação prevista no traçado da expressway entre Mumbai e Nagpur.
Com a geração solar, a rodovia passa a funcionar também como uma plataforma energética distribuída, expressão usada para descrever estruturas que concentram geração elétrica em diferentes pontos de uma mesma infraestrutura.
Áreas de apoio, margens, interchanges e faixas laterais, que normalmente têm uso limitado por restrições de segurança e ocupação, recebem uma função produtiva dentro do planejamento público da rodovia.
Esse tipo de implantação reduz a necessidade de abertura de grandes áreas novas apenas para geração renovável, ao aproveitar espaços já incorporados a uma obra rodoviária de grande porte.
Na prática, o modelo usa locais com acesso, possibilidade de manutenção e conexão com sistemas elétricos planejados, características que ajudam a viabilizar a operação de equipamentos de geração solar.
A adoção de energia solar em estruturas existentes também aparece em outros formatos, como estacionamentos, barreiras acústicas, áreas de descanso, coberturas de terminais, ferrovias e corredores logísticos.
No caso indiano, a escala planejada para uma expressway de centenas de quilômetros coloca a Samruddhi Mahamarg entre os exemplos de uso energético associado a grandes corredores de transporte.
A meta de 204 MW não significa que toda a rodovia esteja coberta por painéis, mas que a implantação deve ocorrer gradualmente em pontos selecionados ao longo do traçado.
Nesse estágio, a geração de 5 MW funciona como a etapa inicial de um programa maior de energia renovável, com venda à rede elétrica e uso parcial na infraestrutura viária.
A estrada mantém sua função como eixo de transporte, mas passa a concentrar também geração elétrica, iluminação operacional, venda de energia e potencial receita ambiental, conforme o modelo divulgado pela MSRDC e pela imprensa indiana.

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