Oferta e demanda: preço do Etanol cai após diminuição da procura pelo combustível

Roberta Souza
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11-12-2021 09:42:32
em Petróleo, Óleo e Gás
etanol - preço - fonte: reprodução

Com o preço próximo ao da gasolina, Etanol deixa de ser 1ª opção dos consumidores e tem valor recuado nos postos

Depois de alcançar o valor de R$ 5,499 por litro no último mês, o preço do etanol começou a baixar nos postos de combustíveis da cidade de Rio Preto. O preço alto cobrado pelos vendedores causou uma queda na competitividade entre o Etanol e a gasolina — que passou a ser a primeira opção de boa parcela dos motoristas no momento de abastecer. Consequentemente, a menor demanda pelo combustível provocou a baixa dos preços.

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Um levantamento da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) mostrou que o maior preço do etanol em Rio Preto é de R$ 4,999. O valor, porém, ainda está defasado se comparado aos atuais preços cobrados no mercado, visto que a última cotação disponível é relativa à semana de 27 de novembro a 4 de dezembro.

Desde o início da semana, os condutores achavam o litro do etanol sendo comercializado a R$ 4,749 — uma queda de R$ 0,75, ou de 13%, em relação ao preço máximo registrado no último mês.

“Esse resultado é fruto de uma mudança na oferta e demanda”, disse Antônio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Ele afirma que as indústrias estavam com a oferta de etanol restrita, de forma não compatível com a procura.

“Com a queda na demanda nos meses de outubro e novembro, a equação se inverteu e fez com que os estoques ficassem maiores do que a demanda atual. Por isso, foi possível ver nos últimos 30 dias uma queda de 11% tanto no etanol hidratado quanto no anidro“.

Nos últimos dias, o litro do etanol hidratado na média do estado de São Paulo era quotizado nas usinas por R$ 3,459 (sem considerar frete e impostos), de acordo com o Cepea. No fim de outubro, preço do litro era R$ 3,828. Enquanto o etanol anidro foi cotado a R$ 4,000 por litro no fim da última semana, frente ao aumento de R$ 4,5353 por litro no início do mês passado.

Essa conjuntura pode acarretar também uma baixa no preço da gasolina, já que essa utiliza 27% de etanol anidro na composição. “A queda de 11% no preço do etanol anidro ainda não refletiu no preço da gasolina como também ainda não chegou no etanol hidratado, mas em algum momento provavelmente deve chegar. No produtor já aconteceu a queda, agora o mercado é livre tanto para distribuição quanto para revenda”, lembra Antônio.

Tendência do preço do Etanol é cair

O economista da Faculdade de Administração e Economia (FEA) da USP, Luciano Nakabashi, reafirma que a gasolina é a primeira opção dos motoristas nos momentos em que o preço do biocombustível fica acima da margem de 70% quando comparado com o combustível fóssil. “Hoje, na maior parte dos lugares o preço do etanol está mais caro do que 70% do preço da gasolina”.

De acordo com o especialista, depois de alcançar o pico, a tendência é de que o preço dos combustíveis continue caindo no ano seguinte. “Pode ser que os preços continuem em patamares altos, mas subir mais do que está acho bastante difícil”, declara. Ainda conforme Nakabashi, a nova variante do covid-19 pode influenciar a economia mundial. “Se houver esse efeito, ele será de redução do preço do petróleo”.

Segundo o economista, como o petróleo está relacionado ao mercado estrangeiro, ele influencia na oscilação de preço dos demais combustíveis, a exemplo o caso do biocombustível. “A gasolina afeta o preço do etanol, muito mais do que o contrário”.

Comissão aprova projeto para estabilizar preço

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou na terça-feira, 7 de dezembro, um projeto de lei que concebe um plano de estabilização do preço do petróleo e de derivados no Brasil e obriga uma alteração na política de preços da Petrobras. O projeto foi revelado no contexto de insatisfações sobre as elevações do preço dos combustíveis. O texto irá para votação do plenário. Se aprovado, será necessário que seja apreciado pela Câmara dos Deputados.

O PL tem o objetivo de alterar a política de preços de reajustes da Petrobras, que tem como base as variações dos preços do barril de petróleo no mercado global e do câmbio. Pelo plano, os preços nacionais definidos por produtores e importadores de derivados do petróleo precisarão tomar como referência as cotações médias do mercado estrangeiro, os custos internos de produção e os custos de importação, “desde que aplicáveis”.

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Roberta Souza
Engenheira de Petróleo, pós-graduanda em Comissionamento de Unidades Industriais, especialista em Corrosão Industrial. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal. Não recebemos currículos