Pesquisadores da Alemanha revelam novos detalhes sobre o sono dos peixes e mostram como peixes dormem, ampliando o conhecimento da vida marinha científica.
Durante muito tempo, o sono foi considerado uma característica mais associada a mamíferos e aves. Agora, uma descoberta feita por pesquisadores da Alemanha mostra que os peixes também passam por diferentes estágios de descanso e apresentam comportamentos surpreendentemente complexos.
O estudo foi conduzido pelo Instituto Max Planck de Cibernética Biológica e publicado pela instituição no dia 6 de maio. A pesquisa analisou 105 peixes-zebra e identificou quatro fases distintas de sono, incluindo períodos de repouso profundo acompanhados por movimentos oculares.
A descoberta amplia o conhecimento sobre o sono dos peixes e ajuda a explicar como mecanismos biológicos fundamentais surgiram ao longo de centenas de milhões de anos de evolução. Além disso, oferece novas respostas para uma questão que intriga cientistas há décadas: como peixes dormem e por que esse comportamento é tão importante para a sobrevivência.
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Pesquisadores da Alemanha revelam uma arquitetura de sono mais complexa do que se imaginava
Os cientistas desenvolveram um sistema automatizado equipado com câmeras e microscópios para acompanhar continuamente os movimentos dos olhos dos animais. O monitoramento permitiu observar padrões de comportamento que antes passavam despercebidos.
A escolha dos peixes-zebra não aconteceu por acaso. Durante as primeiras semanas de vida, eles possuem corpos transparentes, característica que permite visualizar diretamente a atividade cerebral enquanto descansam.
Com isso, os pesquisadores conseguiram relacionar alterações neurais aos diferentes estágios de sono observados nos animais.
Sono dos peixes apresenta quatro fases distintas ao longo do dia
Os resultados mostraram que os peixes atravessam quatro estados diferentes de descanso.
Entre as principais características identificadas estão:
- Um estágio sem movimentos oculares;
- Uma fase com pequenos movimentos laterais dos olhos;
- Um período em que ambos os olhos permanecem voltados para a mesma direção;
- Episódios diurnos de sono profundo acompanhados por frequentes movimentos oculares.
Segundo os cientistas, três dessas fases acontecem predominantemente durante a noite, enquanto a quarta ocorre principalmente ao longo do dia.
Essa organização chamou atenção porque apresenta semelhanças com padrões observados em outros vertebrados, mesmo após milhões de anos de evolução independente.
Como peixes dormem sem fechar os olhos
Uma das maiores curiosidades sobre o tema está relacionada ao fato de que os peixes não possuem pálpebras. Por isso, eles não fecham os olhos quando entram em repouso.
Essa característica dificultou por décadas o entendimento sobre como peixes dormem. Diferentemente dos seres humanos, eles não apresentam sinais externos evidentes que indiquem claramente o início do sono.
Graças às novas tecnologias utilizadas no estudo, os cientistas conseguiram acompanhar os movimentos oculares dos animais em tempo real e observar mudanças importantes na atividade cerebral durante os períodos de descanso.
Os resultados fornecem algumas das evidências mais sólidas já obtidas sobre o funcionamento do sono em espécies aquáticas.
O cochilo profundo que deixou os cientistas surpresos
Entre todas as descobertas, uma chamou atenção de forma especial.
Os pesquisadores identificaram um estágio diurno em que os peixes permanecem imóveis por curtos períodos enquanto realizam movimentos frequentes dos olhos. Durante esse estado, a atividade cerebral diminui significativamente.
Além disso, os animais se tornam mais difíceis de despertar, mesmo ficando temporariamente mais vulneráveis à ação de predadores.
Esse comportamento foi descrito pelos cientistas como uma espécie de cochilo profundo, algo que reforça ainda mais a complexidade do sono dos peixes.
Vida marinha científica ganha novas pistas sobre a origem evolutiva do sono
Os pesquisadores observaram padrões semelhantes em diferentes indivíduos do gênero Danio, grupo ao qual pertencem os peixes-zebra.
A descoberta sugere que essa estrutura organizada do sono pode ter surgido muito antes do aparecimento dos mamíferos modernos.
Para a vida marinha científica, essa conclusão é extremamente relevante porque aponta para uma origem evolutiva muito antiga dos mecanismos de descanso observados atualmente em diversos grupos de vertebrados.
Nos últimos anos, outros estudos também identificaram comportamentos semelhantes ao sono em organismos mais simples, incluindo águas-vivas e anêmonas-do-mar. Esses resultados fortalecem a hipótese de que dormir é uma necessidade biológica profundamente enraizada na história da vida animal.
O que os movimentos dos olhos podem revelar sobre o cérebro
Apesar dos avanços obtidos pela pesquisa, muitas perguntas continuam sem resposta.
Os cientistas acreditam que os movimentos oculares observados durante determinadas fases podem estar relacionados a funções importantes do cérebro, como processamento de informações, consolidação de memórias e manutenção neural.
A pesquisadora Jennifer M. Li, uma das autoras do estudo, destaca que ainda existe grande interesse em compreender a função específica de cada estágio identificado.
Os peixes-zebra oferecem uma oportunidade rara para esse tipo de investigação porque permitem observar diretamente processos cerebrais que seriam muito mais difíceis de acompanhar em outros animais.
Como peixes dormem para economizar energia e aumentar a sobrevivência
O descanso não serve apenas para recuperar o organismo. Em termos evolutivos, ele também representa uma estratégia eficiente para preservar energia.
Durante algumas fases do sono, os peixes reduzem significativamente a atividade corporal e cerebral. Essa desaceleração ajuda a otimizar o uso de recursos biológicos e pode aumentar as chances de sobrevivência em ambientes desafiadores.
Entre os benefícios associados ao sono estão:
- Economia de energia;
- Manutenção das funções cerebrais;
- Recuperação fisiológica;
- Melhor adaptação ao ambiente;
- Maior eficiência metabólica.
Esses fatores ajudam a explicar por que o sono dos peixes foi preservado ao longo de milhões de anos de evolução.
Uma descoberta que muda a forma como entendemos a vida animal
O trabalho realizado pelos pesquisadores da Alemanha mostra que o sono é muito mais antigo e complexo do que a ciência acreditava até pouco tempo atrás.
Ao revelar detalhes sobre como peixes dormem, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a evolução do cérebro e oferece novas perspectivas para o estudo dos vertebrados.
Para a vida marinha científica, os resultados representam um avanço importante e indicam que muitos dos mecanismos presentes nos seres humanos podem ter raízes muito mais profundas na história evolutiva do planeta.
Mesmo separados por centenas de milhões de anos de evolução, peixes e humanos parecem compartilhar uma necessidade fundamental: desacelerar periodicamente para que o cérebro continue funcionando de forma eficiente.


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