Entenda os detalhes da doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi à Indonésia. A Itália aprovou a transferência para economizar milhões em custos de manutenção.
Uma decisão estratégica do Parlamento italiano, tomada em 28 de abril, selou o futuro do porta-aviões Giuseppe Garibaldi (C 551) longe das águas do Mediterrâneo. A embarcação, que durante quase quarenta anos foi o símbolo máximo da Marinha da Itália, será transferida de forma gratuita para a Indonésia até o final de 2026, conforme noticiado pelo Poder Naval.
A medida não é apenas um gesto diplomático, mas uma manobra financeira para poupar milhões de euros em gastos com uma unidade que já estava na reserva desde o final de 2024.
A logística de transferência permite que o governo italiano fortaleça sua influência no Indo-Pacífico enquanto se desfaz de um ativo cujos sistemas de comando já não atendiam aos padrões digitais modernos da Europa.
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Por outro lado, Jacarta recebe uma plataforma de 14.150 toneladas pronta para ser adaptada às novas tecnologias de guerra aérea e naval.
O custo da inatividade e a economia para a Itália
Para o governo italiano, a doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi resolve um problema de orçamento recorrente. Manter o gigante atracado, mesmo sem uso operacional, gerava despesas fixas consideráveis.

Os principais fatores financeiros que pesaram na decisão foram:
- Manutenção na reserva: Custava cerca de € 5 milhões anuais para garantir segurança, energia e vigilância mínima do casco.
- Alternativa de desmonte: Destruir o navio custaria € 18,7 milhões aos cofres públicos e levaria cerca de dois anos.
- Risco comercial: Tentativas anteriores de venda de cascos similares não atraíram compradores válidos.
- Valor residual: Embora o navio ainda valha contabilmente € 54 milhões, mantê-lo parado traria apenas prejuízos contínuos sem ganho para a defesa nacional.
De navio-capitânia a porta-drones indonésio
Na Marinha da Indonésia, o porta-aviões Giuseppe Garibaldi terá uma função inovadora e tecnológica. Embora o navio seja entregue sem os sistemas de armas ofensivos que utilizava na Itália, sua infraestrutura de convoo e comando permanece intacta.
Jacarta planeja utilizar a embarcação como uma plataforma central para:
- Sistemas não tripulados: O foco será operar como base para drones navais, como os modelos turcos TB3 e Akıncı.
- Operações de helicópteros: Atuar como unidade de comando e controle em missões navais.
Acordos de defesa e o legado do porta-aviões Giuseppe Garibaldi
A transferência gratuita do porta-aviões Giuseppe Garibaldi funciona como o “abre-alas” para um pacote comercial de defesa estimado em € 1,5 bilhão entre os dois países.

A operação faz parte de um contexto mais amplo de cooperação industrial de defesa entre os dois países, que inclui a entrega, pela Fincantieri, de duas corvetas da classe Thaon di Revel em um contrato avaliado em US$ 1,25 bilhão.
“É uma operação razoável. A cooperação militar e industrial traz retornos, inclusive na frente política e em outros dossiês econômicos”, afirmou um analista italiano ouvido pelo National Interest
Além do navio, a Itália negocia a venda de aeronaves, submarinos e corvetas da classe Thaon di Revel para a Indonésia.
Historicamente, o Garibaldi foi o primeiro porta-aviões moderno da Itália, entrando em serviço em 1985 e participando de missões na Líbia, Somália e Líbano.
Ele operava com caças AV-8B Harrier II, mas sua estrutura tornou-se obsoleta frente a novas unidades, como o LHD Trieste.
Portanto, ao doar a plataforma, a Itália transforma um custo de manutenção em uma poderosa ferramenta de cooperação industrial e política.
Fonte: Poder Naval

