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O porta-aviões Giuseppe Garibaldi, símbolo da Marinha italiana por quase 40 anos, será transferido gratuitamente à Indonésia até o final de 2026 — economizando cerca de € 18,7 milhões com o desmonte da embarcação

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 06/05/2026 às 14:29
Atualizado em 06/05/2026 às 14:33
Assista o vídeoEntenda os detalhes da doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi à Indonésia. A Itália aprovou a transferência para economizar milhões em custos de manutenção.
Entenda os detalhes da doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi à Indonésia. A Itália aprovou a transferência para economizar milhões em custos de manutenção. (Imagem meramente ilustrativa)
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Entenda os detalhes da doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi à Indonésia. A Itália aprovou a transferência para economizar milhões em custos de manutenção.

Uma decisão estratégica do Parlamento italiano, tomada em 28 de abril, selou o futuro do porta-aviões Giuseppe Garibaldi (C 551) longe das águas do Mediterrâneo. A embarcação, que durante quase quarenta anos foi o símbolo máximo da Marinha da Itália, será transferida de forma gratuita para a Indonésia até o final de 2026, conforme noticiado pelo Poder Naval.

A medida não é apenas um gesto diplomático, mas uma manobra financeira para poupar milhões de euros em gastos com uma unidade que já estava na reserva desde o final de 2024.

A logística de transferência permite que o governo italiano fortaleça sua influência no Indo-Pacífico enquanto se desfaz de um ativo cujos sistemas de comando já não atendiam aos padrões digitais modernos da Europa.

Por outro lado, Jacarta recebe uma plataforma de 14.150 toneladas pronta para ser adaptada às novas tecnologias de guerra aérea e naval.

O custo da inatividade e a economia para a Itália

Para o governo italiano, a doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi resolve um problema de orçamento recorrente. Manter o gigante atracado, mesmo sem uso operacional, gerava despesas fixas consideráveis.

Os principais fatores financeiros que pesaram na decisão foram:

  • Manutenção na reserva: Custava cerca de € 5 milhões anuais para garantir segurança, energia e vigilância mínima do casco.
  • Alternativa de desmonte: Destruir o navio custaria € 18,7 milhões aos cofres públicos e levaria cerca de dois anos.
  • Risco comercial: Tentativas anteriores de venda de cascos similares não atraíram compradores válidos.
  • Valor residual: Embora o navio ainda valha contabilmente € 54 milhões, mantê-lo parado traria apenas prejuízos contínuos sem ganho para a defesa nacional.

De navio-capitânia a porta-drones indonésio

Na Marinha da Indonésia, o porta-aviões Giuseppe Garibaldi terá uma função inovadora e tecnológica. Embora o navio seja entregue sem os sistemas de armas ofensivos que utilizava na Itália, sua infraestrutura de convoo e comando permanece intacta.

Jacarta planeja utilizar a embarcação como uma plataforma central para:

  1. Sistemas não tripulados: O foco será operar como base para drones navais, como os modelos turcos TB3 e Akıncı.
  1. Operações de helicópteros: Atuar como unidade de comando e controle em missões navais.

Acordos de defesa e o legado do porta-aviões Giuseppe Garibaldi

A transferência gratuita do porta-aviões Giuseppe Garibaldi funciona como o “abre-alas” para um pacote comercial de defesa estimado em € 1,5 bilhão entre os dois países.

Entenda os detalhes da doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi à Indonésia. A Itália aprovou a transferência para economizar milhões em custos de manutenção.
Entenda os detalhes da doação do porta-aviões Giuseppe Garibaldi à Indonésia. A Itália aprovou a transferência para economizar milhões em custos de manutenção. (Imagem meramente ilustrativa)

A operação faz parte de um contexto mais amplo de cooperação industrial de defesa entre os dois países, que inclui a entrega, pela Fincantieri, de duas corvetas da classe Thaon di Revel em um contrato avaliado em US$ 1,25 bilhão.

“É uma operação razoável. A cooperação militar e industrial traz retornos, inclusive na frente política e em outros dossiês econômicos”, afirmou um analista italiano ouvido pelo National Interest

Além do navio, a Itália negocia a venda de aeronaves, submarinos e corvetas da classe Thaon di Revel para a Indonésia.

Historicamente, o Garibaldi foi o primeiro porta-aviões moderno da Itália, entrando em serviço em 1985 e participando de missões na Líbia, Somália e Líbano.

Ele operava com caças AV-8B Harrier II, mas sua estrutura tornou-se obsoleta frente a novas unidades, como o LHD Trieste.

Portanto, ao doar a plataforma, a Itália transforma um custo de manutenção em uma poderosa ferramenta de cooperação industrial e política.

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Fonte: Poder Naval

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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