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O país que sobrevive com poços artesianos e água subterrânea – mas a água está acabando, milhões vivem em crise hídrica e aquíferos estão ameaçados

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 06/12/2025 às 09:16
Iêmen, Crise hídrica, Poços Artesianos
Imagem: Ilustração artística
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A oferta anual de apenas entre 80 e 140 m³ por ano por habitante, a pressão agrícola e a guerra revelam como o Iêmen depende de poços cada vez mais profundos

A disponibilidade média de água no Iêmen caiu a níveis extremos porque cada habitante conta com apenas entre 80 e 140 metros cúbicos por ano, muito abaixo dos 1.000 metros cúbicos regionais. A diferença expõe um quadro severo de estresse hídrico.

Os aquíferos sustentam o país. Porém, os lençóis freáticos despencaram ao longo de décadas sem controle efetivo.

Isso reforça a ideia de que o país mais pobre do mundo árabe também se tornou o mais carente de água, situação que se agrava a cada estação.

Lençol freático em queda acelerada

Na década de 1970, Sana’a tinha água a 30 metros de profundidade. Em 2012, algumas áreas já dependiam de perfurações que chegavam a 1.200 metros.

O salto revela custos inviáveis e pressiona comunidades incapazes de manter sistemas tão profundos.

Os recursos renováveis somam 80 m³/ano por pessoa. A demanda total alcança 3.400 milhões de metros cúbicos.

Portanto, o desequilíbrio diante dos 2.500 milhões renováveis aprofunda o declínio anual dos aquíferos.

A redução dos níveis varia bastante. Em Tuban Abyan, cai cerca de 1 metro por ano. Já na bacia de Sana’a, entre 6 e 8 metros anuais.

O ritmo confirma alertas sobre o risco de o país literalmente ficar sem água utilizável, algo que especialistas repetem há tempos.

Dependência de poços privados sem fiscalização

O país abriga entre 45.000 e 70.000 poços, muitos sem licença. A maioria está nas mãos de particulares e dificulta qualquer gestão coordenada.

Além disso, cresce a dependência de captações artesianas profundas, tanto para consumo direto quanto para irrigação.

A agricultura usa cerca de 90% da água disponível. Contribui com apenas 6% do PIB, mas sustenta inúmeras famílias.

Por isso, pequenos produtores acionam bombas de modo intensivo para manter plantações mesmo em áreas áridas, gerando um ciclo de sobrecarga nos aquíferos.

Uso intensivo para cultivo de khat

Metade da água agrícola vem de aquíferos escassos direcionados ao khat. A planta narcótica absorve 37% do total usado na irrigação.

O cultivo não alimenta o país, mas permanece sustentado por demanda interna. Assim, o uso hídrico cresce onde o fornecimento já se mostra insuficiente.

Na costa entre Mukalla e Aden, povoados dependem de poços a menos de meia milha do litoral. Eles captam lâminas de água doce que flutuam sobre o mar.

Esses reservatórios frágeis são alimentados por escoamentos das terras altas e chuvas cada vez mais irregulares.

Acesso limitado nas zonas rurais

Na maior parte das áreas rurais, água encanada é exceção. Muitas famílias usam poços ou cisternas.

Mulheres caminham até duas horas em cada sentido, duas vezes ao dia, levando recipientes na cabeça ou em burros, rotina que desgasta e limita renda e educação.

Em 2011, estimativas apontavam que 55% da população tinha acesso à água melhorada e 53% a saneamento.

Ainda assim havia forte desigualdade entre cidades e áreas rurais. É um quadro que se repete, já que melhorias avançam em ritmo desigual.

Diferenças marcantes entre cidades e vilarejos

No meio rural, apenas 47% tinham água melhorada e cerca de 33% contavam com saneamento. Nas cidades, índices chegavam a 72% e 93%, respectivamente.

Mesmo assim havia intermitência frequente e redes sujeitas a falhas, algo que consumidores passaram a considerar normal.

Em Taiz, a rede pública entrega água uma vez a cada 40 dias. Isso empurra famílias a buscar caminhões com água de poços privados.

A qualidade é duvidosa. Em Ibb e Bajil, a distribuição ocorre apenas uma vez por semana, o que reforça armazenamento doméstico precário.

Percepção positiva apesar das falhas

Uma pesquisa de 2008 em sete cidades mostrou que 88% dos clientes estavam satisfeitos. Cerca de 77% bebiam água da torneira.

As expectativas eram tão baixas que muitos consideraram aceitável a intermitência. Esse dado revela como a população se adapta ao cenário persistente de escassez.

O país possui mais de 17 estações urbanas de tratamento de esgoto e mais de 15 rurais. Muitos sistemas usam lagoas de estabilização, tanques Imhoff ou lodo ativado. Contudo, há unidades que não atendem aos padrões de coliformes fecais.

Modernizações insuficientes

A maior estação, localizada em Sana’a, foi concluída em 2000. Entre 2003 e 2005, recebeu modernização após problemas operacionais e odores incômodos.

Mesmo com essas melhorias, a reutilização de efluentes tratados e não tratados ainda é comum na agricultura.

Resíduos hospitalares seguem sem tratamento adequado. O resultado é um ambiente vulnerável a contaminações recorrentes, o que amplia riscos em regiões com redes falhas.

Guerra intensifica a crise hídrica

Após 2015, a guerra civil agravou a situação. Cerca de 80% da população passou a enfrentar dificuldade para obter água potável e manter higiene.

Bombardeios deslocaram moradores e sobrecarregaram poços em zonas consideradas relativamente mais seguras.

Infraestruturas foram atingidas. Em janeiro de 2016, ataques destruíram a usina de dessalinização de Mokha.

O impacto interrompeu o abastecimento na própria cidade e em Taiz. Isso aumentou a dependência de caminhões pipa e de poços vulneráveis.

Custos multiplicados durante o conflito

Com o conflito, 20 milhões de pessoas passaram a precisar de água e saneamento, 52% a mais que antes.

Muitas famílias gastam um terço da renda apenas para obter água mínima. É um custo impossivel de manter para grande parte dos lares.

Em 2018, a água fornecida por caminhões em Sana’a custava sete vezes a tarifa pública. Em Aden, valores eram 25 vezes maiores. Água não tratada chegava a 7,30 dólares por metro cúbico. A dessalinizada podia atingir 20 dólares.

Epidemias relacionadas à falta de água

Em junho de 2017, o país enfrentou o pior surto de cólera do mundo. A falta de água segura e saneamento foi determinante.

Mais de 2.000 mortes ocorreram entre abril e agosto. Dengue e malária também aumentaram porque o armazenamento improvisado cria ambientes propícios a mosquitos.

Sana’a é vista como possível primeira capital global a ficar sem água. Poços já passam de 790 a 1.190 metros. Os 125 poços estatais atendem apenas 35% da demanda, algo que pressiona redes privadas e caminhões pipa.

Alternativas estudadas e limites práticos

Surgiram quiosques de osmose reversa para purificar água subterrânea. Eles cobram mais caro, mas muitos moradores consideram o tratamento indispensável.

Outra proposta é bombear água dessalinizada do Mar Vermelho por 249 quilômetros, vencendo montanhas de 2.700 metros.

O trajeto até Sana’a elevaria o custo para cerca de 10 dólares por metro cúbico. Em 2007, o ministro Abdulrahman al Eryani disse que a bacia local consome água dez vezes mais rápido do que é reposta. Ele sugeriu realocar moradores para a costa como medida preventiva.

Desde 2002, uma lei tenta organizar os recursos e descentralizar serviços. Porém, a fiscalização é frágil porque pressões políticas e tribais dificultam o controle de perfurações e extração. Sistemas rurais seguem caros, superdimensionados e muitas vezes inoperantes.

Com a guerra, UNICEF e outras organizações passaram a priorizar caminhões, reservatórios, sistemas solares, cloro, latrinas e ações rápidas contra cólera. A ideia é evitar o colapso total.

Hoje, o país sobrevive graças a milhares de poços artesianos e aquíferos em queda constante. A combinação de sobreuso, pobreza, conflito e clima mais seco cria risco real de a água terminar rápido demais para milhões de iemenitas.

Os dados da matéria tem como base este artigo do Wikipedia.

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Edmilson
Edmilson
10/12/2025 07:51

De o governo brasileiro la na decada de 1976, tivesse CAPTADO a ideia de MUAMAR EL KADAFI, jz teria construído um Estação de Captação, tratamento, distribuição, abastecimento nacional e ate de venda de água para o mundo a 1 real o galão de 20, -( que aqui mesmo em BH, a indaiá, ja esta custando 22 reais)- o Porto de TUBARAO el VITORIA, estaria lotado de super navios de 300, 400 mil tonelada. Aguardando sua vez para transportar, agua para: chade, iran, yemen e outros paises

Everardo
Everardo
09/12/2025 20:23

A água está se acabando… Santo Deus, quanta ignorância! E como a água se acaba?

Zacarias
Zacarias
08/12/2025 15:34

Poso adeciano? Nova técnica de explorar água subterrânea?

Romário Pereira de Carvalho

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