Missão Zond 5 em 1968 leva duas tartarugas Testudo horsfieldii a 1.950 quilômetros da Lua, orbita o satélite natural e retorna à Terra após pouso no Oceano Índico
Na noite de 14 para 15 de setembro de 1968, a missão Zond 5 decolou de Baikonur rumo à Lua com duas tartarugas a bordo, orbitou o satélite a cerca de 1.950 quilômetros e retornou à Terra em 21 de setembro, após pouso no Oceano Índico.
Tensão no centro de controle durante a missão Zond 5
Após aplausos, assobios e o tilintar de garrafas de vodca, o silêncio tomou conta do centro de controle de Eupatoria.
Engenheiros acompanhavam atentos os monitores enquanto Vasili Mishin, projetista-chefe vindo de Baikonur, supervisionava cada etapa da Zond 5.
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A espaçonave Soyuz, lançada com sucesso por um foguete Proton a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, apresentou problemas logo após a decolagem.
A situação exigiu respostas rápidas diante da corrida espacial travada entre União Soviética e Estados Unidos.
Mishin manteve o olhar fixo nas luzes do painel. Sob a observação de colegas e autoridades em Moscou, ele forneceu instruções precisas.
A nave 7K-L1 conseguiu superar o primeiro incidente, aliviando o centro de controle e permitindo a retomada das comemorações.
A viagem circumlunar e os desafios técnicos
Centenas de metros acima, a 7K-L1 seguia em direção à Lua. A jornada da Zond 5 entraria para a história como a primeira a orbitar o satélite natural e retornar à Terra, apesar de enfrentar diversos contratempos ao longo do trajeto.
Durante o percurso, parte do mecanismo foi contaminada e ficou inutilizável. No retorno, outro problema impediu que a operação ocorresse conforme o planejado.
O sensor para localizar a Terra estava mal instalado, e a óptica dos sensores estelares foi bloqueada pelo isolante térmico.
A descida foi marcada por forte balanço. O escudo externo da nave, com cerca de 5,4 mil quilos, atingiu temperaturas elevadas durante a reentrada.
A cápsula pousou no Oceano Índico em 21 de setembro, por volta das sete da noite.
Grandes paraquedas amorteceram a queda, enquanto sinalizadores indicaram a localização próxima ao navio Borovichy.
Na manhã seguinte, a cápsula foi retirada da água e transferida ao cargueiro Viasili Golovin, seguindo para Bombaim e depois à URSS em um avião Antonov.
A peculiar tripulação da Zond 5
O destaque da Zond 5 foi sua carga biológica. Para avaliar possíveis efeitos de uma viagem circumlunar, os soviéticos enviaram cinco moscas-das-frutas, vermes, plantas, sementes, bactérias e duas tartarugas da espécie Testudo horsfieldii.
Havia também um manequim de 1,75 metro e 70 quilos, equipado com sensores para medir níveis de radiação.
A composição lembrava uma Arca de Noé espacial, com um cosmonauta de pano e plástico no assento do piloto.
No retorno, as tartarugas apresentavam olhos lacrimejantes. Haviam perdido 10% do peso corporal e estavam famintas, pois não comiam desde dias antes da decolagem. Relatos indicam que uma delas sofreu lesão em um olho.
Apesar de saudáveis, foram sacrificadas após exames iniciais para autópsia e estudos aprofundados. A jornada, contudo, foi considerada concluída com sucesso. A Zond 5 deixou também imagens registradas durante a viagem.
Repercussão internacional e o episódio das vozes interceptadas
A missão despertou expectativa fora da União Soviética. No Observatório Jodrell Bank, em Manchester, Sir Bernard Lovell rastreou a Zond 5 e interceptou transmissões com voz humana, gerando suspeitas sobre um possível voo tripulado.
As vozes eram gravações usadas para testar comunicações espaciais. Entre elas estava a do cosmonauta Valeri Bykovsky. Segundo relatos, as transmissões foram detectadas na noite de 19 para 20 de setembro, durante o retorno da nave.
Autores de obras sobre exploração espacial indicam que os áudios serviam para treinar equipes do programa lunar.
A engenhosidade soviética alimentou especulações no exterior sobre um eventual voo humano ao redor da Lua.
Animais pioneiros na corrida espacial
A Zond 5 não foi a única missão com animais. A Zond 6 também transportou carga biológica, mas a cápsula despressurizou durante o retorno. Anos depois, tartarugas embarcaram na Zond 8 e na Soyuz 20, que permaneceu 90 dias no espaço.
Antes mesmo de Yuri Gagarin viajar ao espaço em 1961, insetos e mamíferos já haviam feito trajetos semelhantes. Moscas-das-frutas voaram em 1946 no foguete V-2. Em 1949, o macaco Albert II participou de missão similar.
Macacos como Able, Baker, Sam e Ham também integraram voos espaciais. Cães ganharam destaque, especialmente Laika, enviada ao espaço em 1957 no Sputnik 2. A cápsula não foi projetada para retorno, e o animal morreu em órbita.
O Sputnik 2 completou 2.370 voltas antes de ser incinerado na atmosfera em 14 de abril. Entre 1948 e 1961, 48 cães, 15 macacos e dois coelhos foram ao espaço.
Vinte e sete morreram. Assim como as tartarugas da Zond 5, esses animais abriram caminho para os astronautas.
A missão de 1968 permanece como marco da exploração lunar. Ao alcançar cerca de 1.950 quilômetros da Lua e retornar à Terra, a Zond 5 consolidou um feito técnico em meio à corrida espacial, mesmo com falhas e incidentes ao longo do percurso.
Com informações de Xataka.


A Rússia sempre foi melhor que EUA. EUA ganham no marqueting?
Muita tecnologia, e nenhum respeito aos animais…
Deviam fornecer alimentos, e não sacrificar após o retorno.