Depois de 38 anos guardado em um celeiro, um carro, que parecia ter sido esquecido no tempo, foi finalmente encontrado. O que se viu lá dentro é digno de um filme, com uma história fascinante por trás do que parecia ser apenas um relicário do passado
Em Lincolnshire, Reino Unido, um Citroën BX 16RS de 1983 foi encontrado após ficar trancado em um celeiro por quase quatro décadas. O carro, que foi guardado em 1988, aguarda uma possível restauração, sendo considerado um achado raro e cheio de história.
O que torna esse modelo ainda mais peculiar é sua conexão com um feito histórico, envolvendo Richard Noble, o engenheiro de jatos responsável por ajudar a desenvolver o Thrust 2, que bateu o recorde mundial de velocidade terrestre em 1983. Embora o BX não tenha a mesma fama do Thrust 2, ele compartilha uma história de grande importância para o dono.
A história por trás do Citroën BX
Em 1983, Richard Noble, piloto e engenheiro, dirigiu o Thrust 2 a uma velocidade média de 633,468 mph, estabelecendo o recorde mundial de velocidade terrestre. O feito marcou uma era no desenvolvimento de veículos de alta performance, mas o Citroën BX que ele comprou pouco depois não estava nem perto de ser um carro de velocidade. Era, na verdade, um hatchback familiar muito mais prático, que o engenheiro utilizou por cerca de cinco anos antes de aposentá-lo.
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A história do carro estava longe de ser a de um simples modelo de rua, mas uma narrativa de preservação que o elevou a um item raro. O BX 16RS foi guardado e esquecido durante décadas, sem grandes expectativas de retorno até ser redescoberto recentemente. Jonny Smith, do programa “The Late Brake Show”, foi quem teve o privilégio de inspecionar o carro. Durante sua visita, ele constatou que o veículo estava em péssimas condições. Danos causados por ratos, ferrugem e até uma roda faltando foram encontrados. No entanto, um adesivo antigo no vidro traseiro, dizendo “Adora dirigir, odeia oficinas”, reforça ainda mais a ironia da história.
A relevância do modelo Citroën BX
O Citroën BX, que foi produzido entre 1982 e 1994, possui uma história marcante devido à sua suspensão hidropneumática, que se tornou uma das características mais notáveis do modelo. Durante sua produção, mais de 2,3 milhões de unidades foram fabricadas.
No entanto, o que se torna relevante neste caso é que, atualmente, o Citroën BX é raro no Reino Unido, com apenas 194 modelos ainda em circulação, de acordo com registros de veículos. Outros 1.083 modelos foram desativados, tornando este exemplar encontrado um verdadeiro tesouro.
A raridade do BX é um fator que acrescenta valor histórico e colecionável ao modelo, o que leva à questão central: por que restaurar um carro desses quando a maioria dos modelos antigos tem o destino certo para a sucata?
A resposta está em um debate ambiental mais amplo, que propõe uma economia circular, mantendo produtos em uso por mais tempo e minimizando o desperdício. De acordo com a Comissão Europeia, prolongar a vida útil dos produtos é fundamental para a redução de resíduos e emissões de CO2, um argumento que dá peso à restauração do BX.
Sustentabilidade e o dilema dos carros antigos
Embora a restauração de um Citroën BX não ofereça uma solução para os desafios climáticos globais, o projeto tem implicações significativas em termos de sustentabilidade.
A preservação de veículos raros como este é, em muitos casos, um gesto romântico de valorização do patrimônio, mas também pode refletir um movimento maior de resistir ao descarte prematuro de bens. Nesse sentido, restaurar carros antigos pode ser um exemplo de como a reutilização e o conserto de objetos valiosos são atitudes importantes no contexto ambiental.
Contudo, a restauração de um carro a gasolina dos anos 80 não é, de forma alguma, um modelo viável para substituir o transporte diário mais limpo.
De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, carros elétricos produzem menos emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, com uma redução de até 30% nas emissões quando comparados a modelos a gasolina ou diesel. Portanto, a restauração do BX não deve ser vista como uma solução para a mobilidade do futuro, mas sim como um exemplo de preservação e educação sobre o valor dos objetos e da história.
O futuro do Citroën BX
Após a descoberta do carro, uma tentativa inicial de restauração falhou, e agora a filha do proprietário espera que um comprador interessado se apresente para devolver o BX ao seu estado original. Embora a restauração não tenha se concretizado, o fato de que o carro sobreviveu por tanto tempo em um celeiro já conta uma história significativa por si só. O Citroën BX 16RS não é apenas um exemplo de um carro antigo, mas um símbolo de resiliência e de uma época em que o conserto e a valorização dos bens eram prioridades.
Se o carro será restaurado ou deixado para o esquecimento, ninguém sabe, mas sua história já está eternizada, muito além da velocidade ou dos feitos do Thrust 2. Talvez o BX se torne um ícone silencioso de preservação e nostalgia, provando que, por vezes, o valor de um objeto não está no que ele faz, mas no que ele representa.
Este artigo foi elaborado com base em informações fornecidas pela reportagem do programa “The Late Brake Show”.
