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O café que chega quente à sua mesa esconde um alerta global: relatório identifica 159 pesticidas autorizados, resíduos em grãos vendidos na Europa e riscos graves para milhões de trabalhadores rurais

Foto de perfil do autor Viviane Alves
Escrito por Viviane Alves Publicado em 23/06/2026 às 15:48 Atualizado em 23/06/2026 às 15:52
Trabalhadora rural em plantação de café manuseia galhos com frutos verdes e maduros durante atividade na lavoura.
Imagem mostra uma trabalhadora rural em meio à plantação de café, reforçando o foco da matéria sobre a exposição de profissionais da cafeicultura aos riscos presentes no cultivo intensivo.
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Estudo internacional divulgado em junho de 2026 analisa a exposição ocupacional, os resíduos encontrados nos grãos e os impactos ambientais da cafeicultura intensiva.

Um relatório internacional divulgado em junho de 2026 colocou o uso de pesticidas na produção mundial de café no centro de uma discussão preocupante.

Produzido pela organização Coffee Watch, o estudo “Poison in Your Coffee”, ou “Veneno no seu café”, reuniu centenas de pesquisas científicas.

Resíduos químicos foram identificados no café comercializado. Contudo, o principal alerta envolve os trabalhadores rurais expostos durante o cultivo.

A cadeia cafeeira reúne cerca de 25 milhões de produtores e aproximadamente 100 milhões de trabalhadores em vários países.

Muitos profissionais manipulam substâncias potencialmente perigosas sem treinamento suficiente ou equipamentos adequados de proteção, segundo a Coffee Watch.

Relatório identifica 159 substâncias autorizadas na cafeicultura

O levantamento identificou 159 substâncias ativas autorizadas nas lavouras dos principais países produtores analisados.

Parte desses compostos é classificada como potencialmente cancerígena, neurotóxica ou prejudicial à reprodução humana.

Dados da Coffee Watch indicam que entre 59% e 60% dos pesticidas usados na cafeicultura são proibidos na União Europeia.

O clorpirifós aparece entre os produtos mencionados. A União Europeia proibiu a substância em 2020 por possíveis efeitos no desenvolvimento neurológico infantil.

O imidacloprido também foi citado no relatório. Esse inseticida está associado ao declínio de importantes polinizadores, principalmente as abelhas.

Xícara de café preto sobre tecido de juta, cercada por grãos torrados e um saco de café aberto.
Xícara de café preto acompanhada por grãos torrados e sacos de juta, em composição ilustrativa relacionada à produção cafeeira.

Trabalhadores rurais enfrentam os maiores riscos

O acesso a treinamento e equipamentos de proteção permanece insuficiente em muitas regiões produtoras.

A exposição pode provocar intoxicações agudas, acompanhadas de náuseas, vômitos, tontura, irritações na pele e problemas respiratórios.

Os riscos de longo prazo despertam preocupações ainda maiores entre pesquisadores e organizações ligadas à saúde ocupacional.

Cerca de 14% dos pesticidas analisados são classificados como cancerígenos comprovados ou prováveis, conforme o relatório.

Quase dois terços das substâncias avaliadas também apresentam possível toxicidade reprodutiva.

Pesquisas citadas relacionam a exposição prolongada a problemas de fertilidade, alterações no desenvolvimento infantil e doenças neurodegenerativas, como Parkinson.

Brasil ocupa posição central no debate internacional

O Brasil aparece no centro da discussão por ser o maior produtor e exportador mundial de café.

Estudos conduzidos em regiões cafeeiras de Minas Gerais apontaram aplicações sem proteção adequada e casos recorrentes de exposição ocupacional.

Diversos pesticidas autorizados nas lavouras brasileiras são proibidos na União Europeia devido aos riscos para seres humanos e para a biodiversidade.

Resíduos de dezenas de substâncias também foram encontrados em cursos d’água próximos às plantações mineiras.

Esses resultados aumentaram as preocupações sobre contaminação ambiental e possíveis impactos no abastecimento das comunidades locais.

A Coffee Watch relaciona a produção brasileira à perda aproximada de 737 mil hectares de cobertura florestal entre 2002 e 2023.

Grande parte dessa redução ocorreu no Cerrado, uma das principais fronteiras agrícolas do país.

Trabalhador colhendo frutos vermelhos e verdes em um cafeeiro sob o céu azul.
Trabalhador realiza a colheita manual de frutos maduros e verdes em uma lavoura de café, atividade que exige contato direto com as plantas.

Resíduos de pesticidas chegam aos grãos comercializados

Os pesticidas lideraram, entre 2020 e 2024, os riscos registrados pelo sistema europeu de alerta rápido para alimentos no setor cafeeiro.

Dados analisados pela PAN Europe mostraram que 23% das amostras continham resíduos de pesticidas proibidos pela legislação da União Europeia.

Diferentes substâncias foram encontradas simultaneamente em parte das amostras.

Os efeitos cumulativos dessas combinações, porém, ainda são pouco compreendidos pela ciência.

Certificações não garantem café livre de pesticidas

Selos ambientais e sociais podem representar avanços importantes na cadeia produtiva.

Essas certificações, entretanto, não garantem necessariamente a ausência de pesticidas nem condições adequadas para todos os trabalhadores.

As exigências variam entre os sistemas de certificação, o que dificulta a compreensão por parte dos consumidores.

Práticas sustentáveis podem reduzir a dependência química

Sistemas agroflorestais e práticas agroecológicas podem diminuir significativamente o uso de pesticidas nas lavouras.

Essas alternativas também preservam a biodiversidade, melhoram a qualidade do solo e fortalecem as plantações diante das mudanças climáticas.

O café orgânico e outras soluções sustentáveis já existem, segundo a Coffee Watch.

O principal desafio será ampliar essas práticas e proteger trabalhadores, consumidores e ecossistemas envolvidos na produção mundial.

Governos, produtores e empresas deveriam acelerar a redução de pesticidas na cafeicultura? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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