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Praga que saiu do México avança nos EUA, ameaça rebanho no menor nível desde 1952 e pode abrir espaço para o Brasil vender mais carne bovina, enquanto o hambúrguer dispara e americanos buscam proteína no exterior

Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/06/2026 às 20:39
Atualizado em 22/06/2026 às 20:41
Praga que saiu do México avança nos EUA, ameaça rebanho no menor nível desde 1952 e pode abrir espaço para o Brasil vender mais carne bovina, enquanto o hambúrguer dispara
Carne bovina do Brasil ganha espaço nos EUA com mosca-varejeira, rebanho menor e hambúrguer caro.
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Com rebanho dos EUA no menor nível desde 1952, avanço da mosca-varejeira pode favorecer carne bovina do Brasil, dizem analistas citados pela Exame, enquanto hambúrguer caro, seca e oferta restrita fazem americanos buscar proteína importada e abrem debate sobre exportações brasileiras no semestre de 2026 com frigoríficos e pecuaristas pressionados

A carne bovina do Brasil pode ganhar mais espaço nos EUA no segundo semestre de 2026, segundo analistas ouvidos pela Exame, após o avanço da mosca-varejeira em território americano. O surto ocorre em meio a um rebanho dos EUA no menor nível desde 1952.

O movimento envolve pecuaristas americanos, exportadores brasileiros e consumidores dos EUA, que já enfrentam preços recordes para a carne moída. A combinação de praga, seca, menor oferta de animais e alta no hambúrguer pode ampliar a busca americana por proteína importada, inclusive do Brasil.

Praga chega em momento delicado para o rebanho americano

Carne bovina do Brasil ganha espaço nos EUA com mosca-varejeira, rebanho menor e hambúrguer caro.
Imagem: Reprodução/IA

A mosca-varejeira também passou a ser observada como fator de risco para um sistema pecuário já pressionado, porque qualquer avanço adicional pode dificultar ainda mais a recomposição do rebanho.

Segundo a Exame, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou novos casos no Texas, elevando para 15 o número de registros no país. A preocupação cresce porque o problema sanitário aparece justamente quando a pecuária americana já enfrenta restrição forte de oferta.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, chegando a 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos EUA atingiu o menor nível desde 1952, conforme dados do USDA citados pela Exame.

Esse encolhimento não aconteceu isoladamente. A seca prolongada no oeste americano elevou custos de alimentação, reduziu áreas de pastagem e levou produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar caixa, o que dificultou a recuperação da oferta.

Carne bovina do Brasil entra no radar dos EUA

Nesse cenário, a carne bovina do Brasil aparece como alternativa para abastecer parte da demanda americana. Analistas ouvidos pela Exame avaliam que os Estados Unidos podem ampliar as compras da proteína brasileira em cerca de 200 mil toneladas adicionais.

A estimativa, atribuída ao setor, poderia levar as compras totais americanas para aproximadamente 500 mil toneladas. O dado reforça como uma crise sanitária e produtiva nos EUA pode abrir espaço comercial para frigoríficos e exportadores brasileiros.

Em 2025, mesmo com tarifa imposta pelo presidente Donald Trump sobre a carne bovina brasileira, os Estados Unidos foram o segundo principal destino das exportações do produto. Foram 272 mil toneladas embarcadas, alta de 18% em relação a 2024, segundo dados da Abiec citados pela Exame.

De janeiro a maio de 2026, os EUA já compraram 178 mil toneladas de carne do Brasil, crescimento de 15% sobre o mesmo período de 2025. O avanço mostra que a demanda americana vinha forte antes mesmo de a praga ganhar maior atenção.

Hambúrguer mais caro mostra pressão no consumidor

O impacto da menor oferta já aparece no bolso dos consumidores americanos. A carne moída, principal matéria-prima dos hambúrgueres, atingiu US$ 6,90 por libra-peso em abril, o maior valor da série histórica do Bureau of Labor Statistics.

Segundo a Exame, o preço é quase o dobro do registrado há dez anos e representa alta de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Desde 2020, os preços da carne bovina nos Estados Unidos acumulam valorização de 75%, com base em dados do Federal Reserve de St. Louis.

O hambúrguer caro ajuda a transformar um problema do campo em tema de mesa, supermercado e política econômica. Quando a carne moída sobe, o impacto é sentido por consumidores, restaurantes, redes de fast food e indústrias que dependem da proteína.

A alta também ampliou o debate sobre a estrutura da cadeia pecuária americana. Reguladores, indústria e entidades de defesa do consumidor passaram a discutir os fatores que pressionam custos, enquanto o Departamento de Justiça dos EUA abriu investigação antitruste envolvendo grandes processadoras de carne.

Brasil já exportou mais de 1 milhão de toneladas em 2026

O Brasil chegou a 2026 com embarques fortes de carne bovina. No acumulado entre janeiro e abril, o país exportou 1,091 milhão de toneladas, avanço de 14,6% sobre o mesmo período de 2025, de acordo com dados citados pela Exame.

A produção brasileira ganhou ainda mais visibilidade depois que os EUA perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína. Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4%, para 11,8 milhões de toneladas.

Esse deslocamento aumenta a importância estratégica do Brasil no mercado internacional. Quando a oferta americana encolhe, compradores globais passam a observar com mais atenção a capacidade brasileira de fornecer volume, regularidade e preço competitivo.

Ainda assim, o cenário não é simples. Exportar mais para os EUA pode ajudar a compensar obstáculos em outros destinos, mas também exige atenção a tarifas, cotas, demanda interna e equilíbrio de preços no mercado brasileiro.

China e União Europeia também pesam no cálculo brasileiro

A expectativa de maior venda aos Estados Unidos ocorre em um momento de incerteza em outros mercados relevantes. Segundo a Exame, o setor acompanha os efeitos das cotas impostas pela China e do bloqueio temporário da União Europeia às compras de carne bovina brasileira em junho.

Esse contexto torna o mercado americano ainda mais importante. Se a China reduz o ritmo ou impõe limites, e a União Europeia cria barreiras temporárias, os Estados Unidos podem ganhar peso como destino capaz de absorver parte da oferta brasileira.

O desafio está em equilibrar exportação e mercado interno. Analistas citados pela Exame apontam que a demanda doméstica segue aquecida, mas julho costuma trazer desaceleração do consumo por causa das férias escolares e de fatores sazonais.

Por isso, o terceiro trimestre será observado com atenção. A capacidade do Brasil de sustentar preços, redirecionar embarques e atender diferentes mercados pode definir o tamanho real da oportunidade aberta pela crise americana.

Praga pode agravar uma restrição que já existia

O avanço da mosca-varejeira-do-novo-mundo não criou sozinho a escassez americana. A oferta já estava apertada por causa do ciclo pecuário, da seca e da redução de rebanho. O surto, porém, entra como fator adicional de risco.

Fernando Iglesias, analista de pecuária da Safras & Mercados citado pela Exame, avalia que a situação já era delicada e que a recuperação do rebanho será lenta. Por isso, mesmo que a doença evolua de forma controlada, a tendência seria de continuidade nas compras de carne bovina brasileira pelos EUA.

Esse ponto é decisivo para entender a pauta: a praga não é apenas um evento sanitário isolado, mas parte de um quadro maior de oferta restrita, custo elevado e disputa por proteína no mercado internacional.

Para o Brasil, a oportunidade comercial existe, mas vem acompanhada de responsabilidade. A ampliação dos embarques precisa considerar capacidade produtiva, regras sanitárias, competição global, consumo interno e efeitos sobre preços ao consumidor brasileiro.

Crise americana pode virar oportunidade, mas com cautela

O avanço da praga nos EUA ocorre no pior momento possível para a pecuária americana: rebanho no menor nível desde 1952, seca prolongada, produção menor e carne moída em preço recorde. Essa combinação pode aumentar a busca por carne bovina do Brasil e abrir espaço para até 200 mil toneladas adicionais, segundo analistas citados pela Exame.

Mesmo assim, a oportunidade não elimina riscos. O mercado brasileiro também precisa lidar com cotas da China, restrições temporárias da União Europeia e capacidade de absorção interna. Você acha que o Brasil deve aproveitar ao máximo a demanda dos EUA por carne bovina ou precisa priorizar o equilíbrio de preços no mercado interno? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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