O BRICS Pay já foi lançado como plataforma digital e testes piloto entre Brasil, Rússia e China estão previstos para 2026, enquanto especialistas projetam que a infraestrutura completa de pagamentos do BRICS pode estar operando até 2029–2030, com potencial de elevar o comércio entre os países do bloco em até 10% ao ano e gerar crescimento adicional de 3% no PIB dos membros.
O BRICS está dando passos concretos para construir uma infraestrutura financeira que não dependa do dólar nem da rede SWIFT para funcionar. O BRICS Pay uma plataforma digital baseada em blockchain, inspirada no Pix brasileiro e projetada para conectar os sistemas de pagamentos dos países do bloco já foi lançado oficialmente e está disponível em lojas de aplicativos. Testes piloto envolvendo Brasil, China e Rússia estão previstos para 2026, e a meta é que moedas digitais de bancos centrais como o Drex e o yuan digital estejam interconectadas pela plataforma até o final do ano.
Mas o projeto vai além de um aplicativo. Especialistas ouvidos pela TV BRICS e por veículos internacionais estimam que a infraestrutura completa de pagamentos do BRICS pode estar funcionando entre 2029 e 2030, com potencial para elevar o comércio entre os países em até 10% ao ano e adicionar de 2% a 3% ao PIB de cada membro. O comércio entre os países do bloco já ultrapassou US$ 1 trilhão, e 90% das transações dentro do grupo são realizadas em moedas locais um salto em relação aos 65% registrados em 2023.
O que é o BRICS Pay e como ele funciona na prática

O BRICS Pay é um ecossistema digital de pagamentos descentralizado, desenvolvido pelo Conselho Empresarial do BRICS para permitir transações internacionais rápidas, seguras e sem intermediários.
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Na prática, ele funciona assim: uma empresa brasileira pode pagar um fornecedor indiano em rúpias usando sua conta em reais, enquanto a compensação ocorre na infraestrutura digital do sistema sem conversão para o dólar, sem casa de câmbio e sem os dois a três dias que uma transferência via SWIFT normalmente leva.

A tecnologia por trás do sistema utiliza blockchain e registros distribuídos (DLT), o que significa que as transações são verificadas simultaneamente em diversos pontos da rede, sem depender de um centro de controle único.
Os bancos comerciais dos países do BRICS estarão conectados por meio dos respectivos bancos centrais, e tokens digitais lastreados em moedas nacionais circularão na rede. O sistema foi concebido para processar até 20 mil transações por segundo, segundo informações do Conselho Empresarial do bloco.
O cronograma de implementação já tem fases definidas. No primeiro trimestre de 2026, o BRICS Pay foi lançado para turistas estrangeiros, com suporte a pagamentos por QR Code. No segundo trimestre, está prevista a integração com a infraestrutura de países como Turquia, Emirados Árabes e Egito. E no quarto trimestre, a conexão com todo o bloco BRICS+. Em 2027, o sistema deve avançar para integração com redes comerciais mais amplas.
O papel do Brasil e do Pix na construção do sistema financeiro do BRICS
O Brasil ocupa uma posição estratégica nesse projeto. O sucesso do Pix que movimentou R$ 35,4 trilhões em 2025 e se tornou referência mundial em pagamentos instantâneos serviu de modelo direto para a arquitetura do BRICS Pay.
A experiência brasileira na criação, implementação e gestão de uma plataforma digital com adoção massiva pela população é vista como um ativo valioso para o desenvolvimento do sistema, posicionando o país como peça-chave na construção da nova infraestrutura financeira do bloco.
O presidente Lula tem sido um dos principais defensores da proposta. Já em 2023, ele questionou publicamente por que o dólar deveria ser a moeda de referência do comércio internacional e defendeu alternativas.
Em 2024, recalibrou o discurso: o objetivo não é substituir moedas nacionais, mas criar uma infraestrutura de pagamentos que dê autonomia ao BRICS sem depender do sistema financeiro ocidental.
A proposta foi tema central na cúpula de Kazan em 2024 e na reunião do Rio de Janeiro em 2025. Desde 2023, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff e sediado em Xangai, coordena as inovações de pagamento entre os países do bloco.
A unidade de conta do BRICS: moeda única, moeda digital ou cesta de commodities?
Uma das questões mais debatidas dentro do bloco é se o sistema de pagamentos do BRICS deve incluir uma unidade de conta própria algo que funcionaria como referência de valor para as transações. Especialistas discutem pelo menos três modelos: um sistema digital baseado na integração das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), uma moeda lastreada em uma cesta de commodities como ouro e petróleo, ou uma unidade de conta semelhante aos Direitos Especiais de Saque do FMI.
Mikhail Khachaturian, professor da Universidade Financeira do Governo da Rússia, propõe que a taxa dessa unidade seja calculada com base em uma cesta de moedas nacionais do BRICS+, formada a partir de taxas cruzadas em relação às moedas mais estáveis do bloco como o yuan, o rublo e o real ou em relação ao ouro.
Já Anatoli Otirba, professor da Academia de Questões Geopolíticas, defende um modelo mais radical: uma unidade monetária supranacional que não seria emitida por um centro único, mas por um sistema descentralizado de emissores entidades econômicas de diferentes países reunidas em uma Associação Internacional de Emissores.
Nesse modelo, a emissão seria proporcional ao volume de ativos dados em garantia, avaliados e reconhecidos pela maioria dos membros.
Vladimir Putin, por sua vez, adotou tom cauteloso. Em dezembro de 2025, ao ser questionado sobre a perspectiva de uma moeda única do BRICS, o presidente da Rússia destacou que não se deve agir com pressa para “não cometer erros graves”.
De fato, os países do bloco estão espalhados por diferentes continentes, com níveis de inflação e estruturas econômicas muito distintos. Harmonizar tudo isso é um desafio técnico e político que exigirá anos de negociação.
O que o Novo Banco de Desenvolvimento e o BRICS podem entregar até 2030
O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do BRICS, é apontado por especialistas como a instituição que poderá desempenhar o papel de centro de compensação e, eventualmente, de emissor de uma moeda digital do bloco.
Até 2026, o volume de empréstimos aprovados pelo NDB já ultrapassou US$ 42,9 bilhões, e o banco vem ampliando operações em moedas nacionais, com meta de que pelo menos 30% das transações sejam feitas fora do dólar.
O consenso entre os especialistas é que resultados concretos podem surgir nos próximos três a cinco anos. Khachaturian estima que a regulação das normas para pagamentos internacionais dentro do BRICS pode levar até três anos, o que significa que por volta de 2029–2030, a plataforma unificada de pagamentos provavelmente poderá estar em funcionamento pleno.
Nesse cenário, especialistas estimam que o sistema pode gerar um aumento anual de 8% a 10% no comércio entre os países do BRICS+ e um crescimento adicional de 2% a 3% no PIB dos participantes.
Como medida de transição, os países do BRICS podem adotar diferentes formatos intermediários: uma unidade de conta exclusiva para comércio exterior, instrumentos digitais para pagamentos entre bancos centrais ou simplesmente a ampliação do uso de moedas digitais nacionais já existentes.
O fato é que a estrutura está sendo montada agora e o bloco que reúne 46% do PIB mundial em paridade de poder de compra está se posicionando para ter voz própria no sistema financeiro internacional.
O BRICS quer reescrever as regras do dinheiro global e já começou
O sistema de pagamentos do BRICS não é mais uma ideia em debate é um projeto em execução, com cronograma, tecnologia e investimentos reais.
Ainda há obstáculos enormes: diferenças regulatórias, rivalidades geopolíticas entre membros como China e Índia, e a força estrutural do dólar, que responde por 84% das transações globais. Mas o movimento é concreto e, se consolidado, pode redesenhar a forma como o comércio internacional funciona para quase metade da economia do planeta.
Para o Brasil, a oportunidade é dupla: além de exportar a tecnologia do Pix para o mundo via BRICS Pay, o país se posiciona como articulador de uma nova ordem financeira que pode reduzir custos de transação, proteger contra sanções e dar mais previsibilidade ao comércio exterior brasileiro.
O BRICS está apostando que a autonomia financeira é o próximo passo da autonomia política e 2030 é a data que os especialistas marcaram no calendário.
Com informações do portal TV Brics.
Você acredita que o sistema de pagamentos do BRICS vai de fato funcionar até 2030, ou os obstáculos políticos e econômicos são grandes demais? E como brasileiro, você usaria um “Pix internacional” para compras em outros países do bloco? Deixe sua opinião nos comentários.

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