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4 comentários 6 min de leitura

O apagão de mão de obra mudou de cara no Brasil: empresas contratam 80% mais, mas trabalhador fica só 6,8 meses no emprego, mercado de serviços vira “porta giratória” e negócios gastam cada vez mais para treinar equipes que logo vão embora

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Escrito por Ana Alice Publicado em 02/06/2026 às 23:59
Mercado de trabalho brasileiro enfrenta alta rotatividade nos serviços, com contratações em alta e retenção de talentos sob pressão. (Imagem: Ilustrativa)
Mercado de trabalho brasileiro enfrenta alta rotatividade nos serviços, com contratações em alta e retenção de talentos sob pressão. (Imagem: Ilustrativa)
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Contratações sobem em ritmo acelerado no setor de serviços, enquanto vínculos mais curtos ampliam custos de reposição, pressionam empresas e colocam a retenção de profissionais no centro da disputa por mão de obra.

O mercado de trabalho brasileiro, especialmente no setor de serviços, registra aumento nas contratações e redução no tempo de permanência dos trabalhadores nos empregos formais.

Levantamento do Conselho de Serviços da FecomercioSP mostra que, entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o volume de admissões avançou cerca de 80%, enquanto o Tempo Médio de Permanência no emprego caiu 27% no país.

O indicador não caiu para 6,8 meses.

Segundo a FecomercioSP, a queda foi de 6,8 meses no Brasil, no período analisado.

O dado aponta vínculos mais curtos e maior necessidade de reposição de profissionais pelas empresas, especialmente em atividades que dependem de mão de obra presencial.

Nesse contexto, a questão central deixou de ser apenas a contratação.

Pelos dados disponíveis, o principal ponto de pressão está na retenção, já que a entrada de novos trabalhadores ocorre em ritmo elevado, mas a permanência média no emprego diminuiu.

Para as empresas, esse movimento aumenta a frequência de processos seletivos, treinamentos e etapas de adaptação.

Setor de serviços concentra a maior pressão no emprego formal

O setor de serviços tem peso relevante na economia brasileira.

De acordo com a FecomercioSP, ele reúne 57% dos empregos formais do país e responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto.

Por essa razão, mudanças na dinâmica de contratação e permanência tendem a produzir efeitos sobre diferentes segmentos da atividade econômica.

Em São Paulo, os ramos com maior avanço nas admissões foram justamente aqueles mais dependentes de equipes operacionais.

Alojamento e alimentação registraram alta de 159,4% nas contratações no intervalo analisado.

Outros serviços avançaram 112,8%, enquanto transporte e armazenagem tiveram crescimento de 81,9%.

A ampliação das contratações, combinada à queda no tempo médio de permanência, aumenta a circulação de trabalhadores entre empresas.

Segundo a FecomercioSP, esse quadro eleva custos operacionais, exige investimentos contínuos em treinamento e afeta a produtividade, sobretudo em negócios que precisam recompor equipes com rapidez.

A troca frequente de profissionais também pode gerar efeitos indiretos na rotina das empresas.

A Gallup estima que o custo de substituição de um funcionário pode variar de metade a duas vezes o salário anual do trabalhador.

A consultoria trata o dado como uma estimativa geral e ressalta que o impacto depende do cargo, do perfil da função e do contexto da organização.

Desemprego baixo amplia disputa por trabalhadores

A disputa por trabalhadores ocorre em um ambiente de desemprego menor do que o observado em anos anteriores.

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026.

No mesmo período, o rendimento médio real habitual foi de R$ 3.732.

Esse cenário amplia o poder de escolha de parte dos trabalhadores, conforme avaliação da FecomercioSP.

O estudo aponta que a redução no tempo de permanência ocorreu em diferentes faixas etárias, mas foi mais intensa entre profissionais de 50 a 64 anos, grupo que apresentou as maiores quedas em termos absolutos e relativos.

A entidade associa esse movimento à maior mobilidade no mercado de trabalho.

Marcelo Braga, presidente do Conselho de Serviços da FecomercioSP, afirmou que, “hoje, mais do que contratar, o empresário precisa pensar em como reter”.

Segundo ele, “o mercado está mais dinâmico e o profissional circula mais”.

A avaliação indica mudança no perfil das relações de trabalho, com vínculos mais curtos e maior frequência de transição entre ocupações.

Para empresas de serviços, essa dinâmica interfere no planejamento de equipes, na previsibilidade da operação e no cálculo do custo total de cada contratação.

Escassez de talentos segue em patamar elevado no Brasil

A rotatividade se soma a outro indicador acompanhado pelo mercado: a escassez de talentos.

Pesquisa do ManpowerGroup mostra que 80% dos empregadores no Brasil relataram dificuldade para encontrar profissionais com as habilidades necessárias em 2026.

A média global foi de 72%.

O levantamento ouviu mais de 39 mil empregadores em 41 países, incluindo 1.020 entrevistas no Brasil.

Na série recente, o índice brasileiro caiu a 34% em 2018, subiu para 71% em 2021 e chegou a 81% em 2022.

Desde então, permaneceu próximo de 80%, com 80% em 2023, 80% em 2024, 81% em 2025 e 80% em 2026.

O ManpowerGroup atribui esse quadro ao descompasso entre as competências disponíveis no mercado e as demandas das empresas.

O estudo também aponta que a transformação das competências exigidas, a digitalização e a busca por perfis híbridos aparecem entre os fatores associados à dificuldade de contratação.

Em 2025, as maiores lacunas citadas por empregadores no Brasil estavam em TI e dados, com 39%, atendimento ao cliente, com 29%, e marketing e vendas, com 21%.

A soma ultrapassa 100% porque cada empregador podia indicar mais de uma área.

Salário, treinamento e produtividade entram na conta das empresas

A remuneração também acompanha esse ambiente de disputa por profissionais.

No trimestre encerrado em abril de 2026, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.732, com crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o IBGE.

Na comparação anual, o grupo de outros serviços registrou alta de 9,7% no rendimento médio mensal real.

Alojamento e alimentação tiveram aumento de 7,5%, enquanto transporte, armazenagem e correio avançaram 5,1%.

Os dados mostram pressão de renda em áreas ligadas ao setor de serviços, embora o IBGE não atribua esses aumentos, isoladamente, à rotatividade.

Para os empregadores, a combinação entre salários maiores, escassez de profissionais e vínculos mais curtos altera o custo da força de trabalho.

Nessa leitura, a despesa não se limita à folha de pagamento, mas inclui recrutamento, integração, capacitação e o período até que o novo contratado esteja plenamente adaptado à função.

A FecomercioSP afirma que o aumento da rotatividade exige investimentos contínuos em treinamento e afeta a produtividade.

A Gallup, por sua vez, associa a substituição de funcionários a custos diretos e indiretos, incluindo despesas que nem sempre aparecem de forma separada nos demonstrativos das empresas.

Retenção de profissionais passa a integrar a estratégia das empresas

Diante dos dados, a retenção passou a ser tratada por consultorias e entidades empresariais como uma variável de gestão, não apenas como um indicador de recursos humanos.

Essa abordagem envolve remuneração, jornada, benefícios, liderança, treinamento, oportunidades internas e condições de trabalho.

No Brasil, 44% dos empregadores ouvidos pelo ManpowerGroup em 2026 disseram priorizar upskilling e reskilling dos colaboradores atuais como estratégia para enfrentar a escassez de talentos.

Outros 25% citaram a busca por novos grupos de talentos, 23% mencionaram maior flexibilidade de localização e 21% apontaram mais flexibilidade de horários.

Essas respostas indicam que parte das empresas tenta reduzir a dependência de contratações externas por meio do desenvolvimento de profissionais que já estão na organização.

Ao mesmo tempo, a busca por novos grupos de talentos e por modelos de trabalho mais flexíveis mostra uma tentativa de ampliar o alcance das vagas.

Empresas menores podem ajustar rotinas e políticas internas com menos etapas de decisão, enquanto organizações de maior porte contam com escala para estruturar programas de formação, mobilidade e desenvolvimento.

Essa diferença não garante resultado, mas altera o modo como cada negócio pode responder à dificuldade de reter e contratar.

Rotatividade afeta o planejamento das empresas de serviços

A rotatividade costuma aparecer de forma fragmentada nas empresas.

Parte do custo surge no recrutamento, outra parte aparece no treinamento, e uma terceira parcela se manifesta na produtividade durante a adaptação do novo funcionário.

Quando esses efeitos são analisados separadamente, o impacto total pode ficar menos visível.

Os dados da FecomercioSP mostram que a permanência média no emprego diminuiu justamente no período em que as admissões cresceram.

Essa combinação indica um mercado mais ativo, mas também mais instável para o planejamento das empresas.

Para negócios de serviços, o desafio está em reduzir a necessidade permanente de reposição sem interromper a contratação de novos trabalhadores.

A vaga preenchida hoje pode voltar a ser aberta em prazo menor do que no passado, e esse intervalo menor modifica o cálculo econômico de cada admissão.

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Icaro
Icaro
09/06/2026 07:39

Ninguém tá muito afim de trabalhar igual um condenado para no fim não ter êxito financeiro algum, por que tudo fica no bolso gordo do chefe que te trata igual ****.

Alexandre
Alexandre
07/06/2026 16:05

Essa taxa de desemprego é fictícia, criada por políticos pra esconder o fracasso da economia. Muitos não querem trabalhar porque recebem auxílio do governo, então, sequer procuram emprego e por isso a taxa diz que é baixa.
A verdade é que os salários são exploratórios no Brasil, empresários na maioria só querem pagar pouco por muito, por isso os talentos estão indo pra outros países mais atrativos e com menos exigências!

Márcia Pereira da Silva
Márcia Pereira da Silva
05/06/2026 01:17

Talvez seja mesmo o baixo salário em relação ao custo de vida, muitas vezes as pessoas fazem bicos ou vão em busca das empresas que pagam mais, pois meus filhos estão trabalhando em empresas e o salário está muito ruim um é eletricista numa construtora e ganha 2.300 , só está esperando a obra acabar,.pois já adquiriu experiência em carteira para buscar outro lugar que paga um melhor salario, e fora se ele pegar serviço particular de eletricista ele faz em uma semana o que leva um.mes na construtora, realmente não compensa, só vale trabalhar em empresa por causa da carteira assinada e da segurança que a CLT representa, e como é jovem para ganhar experiência e nisso as empresas acabam perdendo talentos por causa dos baixos salário que oferecem, tem que aumentar o salário para ter mão de obra trabalhando bem, benefício não é salário, ninguém precisa de plano de saúde, ele tem mas é mais fácil usar o SUS,.uma empresa tem que ter alimentação no local e vale transporte e alimentação e pagar muito bem os funcionários. Ninguém ficaria rodando, diminua o lucro que terá funcionários satisfeito.

Paulo
Paulo
Em resposta a  Márcia Pereira da Silva
10/06/2026 13:20

Falou tudo meu amigo, o que adianta vc receber vale de mil ou mais e seu salário ser RS2300,00 quer dizer dá pra melhorar o salário ou até flexibilizar em o que vc prefere receber, busca de qualquer trabalhador é começar ganhando perto de 2 pra mais salários mínimos pra tentar aposentar melhor, ninguém reclama de trabalho mas sem isso, iremos sempre embora, olhem pelos funcionários e eles irão virar família no local

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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