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Novo levantamento mostra que a economia circular ganha força entre os brasileiros, mas a preferência por produtos convencionais ainda freia o avanço do setor, afetando investimentos, geração de empregos verdes e metas ambientais de longo prazo 

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Escrito por Hilton Libório Publicado em 03/06/2026 às 16:37 Atualizado em 03/06/2026 às 16:43
Pessoa separa materiais recicláveis como plástico, papel, vidro e metal em recipiente de reciclagem, representando economia circular, consumo sustentável e reaproveitamento de resíduos.
Economia circular enfrenta desafios enquanto consumidores ainda resistem a produtos reciclados
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Pesquisa revela por que brasileiros ainda resistem a produtos reciclados e como isso impacta a economia circular, o consumo sustentável e a indústria brasileira. 

A sustentabilidade está cada vez mais presente no debate público e nas estratégias empresariais. No entanto, uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que ainda existe uma diferença significativa entre o discurso e a prática. Embora a maioria dos brasileiros apoie iniciativas sustentáveis, muitos continuam relutantes em adquirir produtos reciclados, o que dificulta o avanço da economia circular no país.

O levantamento, realizado pela Nexus e divulgado pela Agência de Notícias da Indústria no dia 1 de junho, com 2.019 entrevistados entre os dias 11 e 13 de fevereiro, revela que 72% da população vê de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade. Apesar disso, 43% afirmam resistir à compra de produtos reciclados, independentemente do preço. O cenário preocupa especialistas porque pode impactar investimentos, geração de empregos verdes e o fortalecimento da indústria brasileira nos próximos anos.

Economia circular conquista espaço, mas hábitos de consumo ainda não acompanham

A pesquisa foi apresentada durante o evento “Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31”, realizado na sede da FIRJAN, no Rio de Janeiro. O encontro integra as discussões preparatórias para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), prevista para novembro.

Os resultados mostram que a economia circular é vista de forma cada vez mais favorável pelos consumidores. O conceito propõe a reutilização, reciclagem, remanufatura e recuperação de materiais para prolongar a vida útil dos produtos e reduzir desperdícios.

Na prática, porém, muitos consumidores ainda demonstram resistência quando precisam escolher entre um produto convencional e uma alternativa produzida com materiais reaproveitados.

Por que os brasileiros ainda evitam produtos reciclados?

Os números da pesquisa ajudam a entender essa contradição. Entre os entrevistados que afirmam evitar produtos reciclados, os principais motivos foram:

  • Preferência por produtos novos: 34%;
  • Dúvidas sobre a durabilidade dos itens reciclados: 30%;
  • Falta de confiança em materiais reaproveitados;
  • Pouco conhecimento sobre os processos de reciclagem.

Esse comportamento mostra que parte dos brasileiros ainda associa sustentabilidade a possíveis perdas de qualidade ou desempenho, mesmo quando não existem evidências que sustentem essa percepção.

Um exemplo citado pela própria pesquisa é o consumidor que apoia a reciclagem, mas prefere comprar um tênis convencional em vez de um modelo produzido com borracha reaproveitada de pneus ou fibras recicladas.

Falta de informação limita o avanço da economia circular

O estudo também revelou um dado importante: apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito de economia circular.

Esse percentual ajuda a explicar por que muitos consumidores apoiam práticas sustentáveis em teoria, mas não conseguem relacionar suas decisões de compra aos impactos ambientais gerados.

Outro dado chama atenção: 56% da população não percebe uma relação direta entre seus hábitos de consumo e as emissões de gases de efeito estufa.

A combinação desses fatores cria uma barreira para a expansão do consumo sustentável, já que decisões cotidianas continuam sendo tomadas sem considerar totalmente seus efeitos ambientais.

Consumo sustentável cresce, mas ainda é motivado pela economia financeira

Apesar dos desafios, a pesquisa identificou hábitos alinhados aos princípios da economia circular que já fazem parte do dia a dia da população.

Segundo o levantamento, 58% dos brasileiros afirmam consertar produtos antes de substituí-los. Essa prática reduz o descarte precoce de itens e ajuda a prolongar sua vida útil.

No entanto, as razões por trás desse comportamento mostram que ainda existe espaço para ampliar a conscientização ambiental.

Entre aqueles que realizam reparos:

  • Cerca de metade aponta a economia financeira como principal motivação;
  • Apenas 10% associam a decisão à preocupação ambiental.

Isso demonstra que o consumo sustentável avança, mas muitas vezes impulsionado por questões econômicas e não necessariamente por consciência ecológica.

A logística reversa continua distante da realidade da maioria dos brasileiros

Outro ponto analisado pela pesquisa foi a logística reversa, considerada uma ferramenta essencial para o funcionamento da economia circular.

O levantamento aponta que 84% dos brasileiros não costumam devolver produtos como pilhas, baterias e equipamentos eletrônicos para locais adequados de descarte ou reaproveitamento.

Entre as justificativas mais citadas estão:

  • Falta de informação sobre onde entregar os materiais: 33%;
  • Distância dos pontos de coleta: 24%;
  • Pouca familiaridade com os sistemas de devolução.

Esses números mostram que o país ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar o reaproveitamento de resíduos e fortalecer o consumo sustentável.

Quem é responsável pelos impactos ambientais dos produtos?

A pesquisa também investigou como a população distribui a responsabilidade pela preservação ambiental.

Segundo os dados:

  • 60% acreditam que as prefeituras devem garantir que os produtos não contaminem o meio ambiente;
  • 14% apontam as indústrias como principais responsáveis;
  • 12% atribuem essa função ao governo federal.

Os resultados indicam que muitos consumidores ainda enxergam a sustentabilidade como uma responsabilidade institucional, e não como uma tarefa compartilhada entre empresas, governos e cidadãos.

Essa percepção pode dificultar o avanço da economia circular, que depende da participação de toda a cadeia produtiva e também das escolhas feitas pelos consumidores.

Como a indústria brasileira pode acelerar essa transformação

Para especialistas do setor, a mudança depende de uma combinação de informação, infraestrutura e incentivos econômicos.

Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, destacou durante a apresentação dos resultados que existe interesse da sociedade por práticas sustentáveis, mas ainda persistem obstáculos relacionados ao acesso à informação, à percepção de qualidade e à disponibilidade dessas soluções no mercado.

Nesse contexto, a indústria brasileira tem papel fundamental. Empresas vêm investindo em inovação, reaproveitamento de materiais e desenvolvimento de novos modelos de produção mais eficientes.

Contudo, a resistência aos produtos reciclados pode reduzir o ritmo desses investimentos e limitar o potencial de crescimento de segmentos ligados à sustentabilidade.

Economia circular pode fortalecer investimentos e gerar empregos verdes

A expansão da economia circular não traz benefícios apenas para o meio ambiente. O modelo também é visto como uma oportunidade econômica estratégica.

Entre os possíveis impactos positivos estão:

  • Ampliação de investimentos sustentáveis;
  • Geração de empregos verdes;
  • Redução da dependência de matérias-primas virgens;
  • Maior competitividade da indústria brasileira;
  • Estímulo à inovação tecnológica;
  • Redução da geração de resíduos.

Com mercados globais cada vez mais atentos às práticas ambientais, a indústria brasileira pode ganhar espaço ao adotar modelos produtivos alinhados aos princípios da circularidade.

Projeto de lei pode impulsionar a indústria brasileira e o consumo sustentável

A CNI defende a aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que propõe a criação da Política Nacional de Economia Circular (PNEC).

Segundo a entidade, a medida pode criar um ambiente mais favorável para investimentos, estimular práticas sustentáveis e aumentar a competitividade da indústria brasileira.

Além disso, a proposta busca incentivar modelos de produção e consumo sustentável, fortalecendo mecanismos de reaproveitamento de materiais e reduzindo desperdícios ao longo da cadeia produtiva.

O desafio agora é transformar intenção em comportamento

Os resultados da pesquisa mostram que os brasileiros valorizam cada vez mais a sustentabilidade e demonstram apoio crescente à economia circular. No entanto, a resistência aos produtos reciclados, o baixo nível de conhecimento sobre o tema e as dificuldades relacionadas à logística reversa ainda limitam o avanço desse modelo econômico.

Os dados revelam que existe um potencial significativo para ampliar o consumo sustentável no país, mas isso dependerá de uma transformação conjunta envolvendo consumidores, empresas e poder público. Quanto maior for a confiança nos produtos reciclados e a compreensão sobre os benefícios da circularidade, maiores serão as oportunidades para fortalecer a indústria brasileira, atrair investimentos e acelerar a transição para uma economia mais eficiente e sustentável.

Com informações de Agência de Notícias da Indústria.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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