Em 15 de dezembro de 2025, o novo Desenrola para micro e pequenas empresas avança no governo federal, mira dívidas em atraso, incentiva a renegociação de dívidas com crédito barato e tenta aliviar o caixa fragilizado de micro e pequenas empresas em 2026 em todo o país em ano eleitoral
Em 15 de dezembro de 2025, o governo Lula finaliza os detalhes do novo Desenrola para micro e pequenas empresas, programa de renegociação de dívidas pensado para limpar dívidas em atraso de micro e pequenas empresas com dificuldade de acesso a crédito barato e histórico de inadimplência.
A proposta prevê linha de crédito barato com juros de 1,53 por cento ao mês, parcelamento em até 60 meses e uso de plataforma digital para organizar leilões de desconto entre credores e devedores, direcionando o novo Desenrola para micro e pequenas empresas especialmente para micro e pequenas empresas com dívidas antigas e travas de financiamento em 2026.
Como será o novo Desenrola para micro e pequenas empresas
O novo Desenrola para micro e pequenas empresas foi concebido como um programa voltado especificamente ao universo de negócios de menor porte, incluindo microempresas, pequenas empresas e microempreendedores individuais.
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A proposta é criar um ambiente estruturado para renegociar dívidas em situação de inadimplência, com condições mais suaves que as atuais linhas de mercado.
A base do programa é uma plataforma digital em que credores e devedores poderão cadastrar débitos, participar de leilões de desconto e fechar acordos.
O objetivo central é permitir que empresas com histórico de atraso consigam voltar a pagar, limpem o passivo em atraso e recuperem capacidade de crédito em um cenário de ano eleitoral de 2026, quando a sobrevivência de pequenos negócios é politicamente sensível.
Juros de 1,53 por cento ao mês, prazo de 60 meses e carência
Pela minuta em discussão, as operações de crédito do novo Desenrola para micro e pequenas empresas terão taxa de juros de 1,53 por cento ao mês, o que corresponde a algo próximo de 20 por cento ao ano.
Em comparação com o custo normalmente enfrentado por micro e pequenas empresas no mercado, essa taxa é considerada relativamente baixa, especialmente para quem está inadimplente e com restrições.
Os contratos poderão ser parcelados em até 60 meses, com dois meses de carência antes do início efetivo dos pagamentos.
A combinação de juros menores, prazo estendido e carência busca reduzir a parcela mensal e tornar viável a regularização de dívidas que, em muitos casos, foram sendo empurradas para frente e acabaram esquecidas nos balanços, mas continuam travando o acesso a crédito e a fornecedores.
Quem pode aderir e quais dívidas entram na renegociação
Do lado dos devedores, só empresas de menor porte poderão acessar a plataforma.
Estarão habilitadas microempresas, pequenas empresas e MEIs, com foco em dívidas de quem enfrenta mais dificuldade para se financiar no sistema tradicional.
A ideia é que o programa funcione como uma espécie de filtro, reservando as condições especiais para esse público.
As dívidas elegíveis não se restringem ao crédito bancário.
Poderão entrar na conta débitos de serviços, faturas de cartão de crédito e outras obrigações em atraso, desde que estejam em situação de inadimplência e sejam aceitas pelos credores dentro das regras do leilão.
Com isso, o programa pretende limpar dívidas espalhadas em diferentes credores, e não apenas aquelas registradas no sistema financeiro.
Leilão em plataforma digital e papel dos credores
No lado dos credores, a plataforma do novo Desenrola para micro e pequenas empresas poderá ser acessada por empresas de todos os portes, incluindo grandes companhias com carteiras relevantes de crédito em atraso.
A lógica é que cada credor apresente descontos mínimos que está disposto a conceder para receber os valores devidos.
Os leilões serão realizados em lotes organizados por setor e prazo de dívida, permitindo que se comparem propostas de credores semelhantes.
Em caso de empate nos descontos oferecidos, as empresas menores terão preferência para fechamento do acordo, o que busca estimular a participação de pequenos credores sem excluir grandes grupos que concentram boa parte da inadimplência.
Negociação direta sem financiamento bancário
Além da linha de crédito lastreada pelo FGO, a plataforma do novo Desenrola para micro e pequenas empresas também deve permitir negociação direta entre credores e devedores, sem financiamento bancário.
Nesse modelo, a empresa devedora paga diretamente ao credor, nos termos acertados na plataforma, o que pode ampliar o alcance do programa para além do volume de crédito previsto no orçamento.
Essa funcionalidade é vista como uma forma de multiplicar o efeito dos leilões, já que nem todos os acordos dependerão do crédito financiado.
Para o governo, o desenho reduz o uso de recursos públicos e, ao mesmo tempo, oferece um canal organizado para que empresas negociem descontos e prazos diretamente com quem detém a dívida.
Diferenças em relação ao Desenrola Brasil original
O desenho atual do novo Desenrola para micro e pequenas empresas segue a lógica do Desenrola Brasil, lançado em 2023, mas com escopo mais restrito.
O programa original atingiu 15 milhões de pessoas, com R$ 53,2 bilhões em dívidas negociadas, e chegou a diferentes faixas de renda e tipos de dívida de pessoas físicas.
Depois desse ciclo voltado às famílias, o governo chegou a lançar uma versão para empresas menores, mas focada apenas em dívidas com instituições financeiras.
Agora, a proposta é contemplar todo tipo de débito inadimplente, ainda que em escala financeira menor.
O potencial de público é estimado em cerca de 23 milhões de pessoas, considerando MEIs, micro e pequenas empresas, mas a versão atual do programa é descrita como mais modesta em volume, ainda que relevante para aliviar a situação de caixa em 2026.
Volume de crédito, FGO e limites do programa em 2026
O volume de financiamento previsto, entre R$ 1,7 e R$ 1,8 bilhão, será protegido pelo FGO, o que reduz o risco dos bancos que concederem crédito dentro das regras do novo Desenrola para micro e pequenas empresas.
Em troca dessa proteção, o governo espera que as instituições financeiras aceitem juros mais baixos e prazos mais longos do que os praticados fora do programa.
Apesar desse aporte, a própria formulação oficial reconhece que o novo programa será bem mais modesto que o Desenrola Brasil de 2023.
O foco principal é oferecer um fôlego pontual em ano eleitoral, abrindo espaço para que uma parcela de micro e pequenas empresas regularize dívidas antigas, recupere acesso a crédito e consiga atravessar 2026 com alguma margem de manobra financeira.
Diante desse desenho, a eficácia do programa vai depender da adesão de credores aos leilões, da capacidade de as empresas honrarem as novas parcelas e da disposição do governo em ajustar parâmetros se a demanda superar o volume inicialmente previsto.
Em um cenário de disputa política e forte atenção ao orçamento público, qualquer ampliação do novo Desenrola para micro e pequenas empresas terá de ser calibrada com o impacto fiscal.
Na sua avaliação, o novo Desenrola para micro e pequenas empresas deve priorizar mais volume de crédito ou descontos maiores nas dívidas para realmente salvar negócios em 2026?

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