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Novas espécies animais que sobreviveram à extinção em massa ocorrida há meio bilhão de anos é encontrada em uma pedreira na China

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 30/01/2026 às 10:11
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A identificação de 91 espécies inéditas entre mais de 150 formas de vida encontradas em uma pedreira de apenas 12 metros de altura, no sul da China, revela como ecossistemas marinhos se reorganizaram imediatamente após o evento de extinção de Sinsk, há cerca de 513 milhões de anos

Cientistas identificaram quase cem novas espécies animais em uma pedreira na província de Hunan, no sul da China, com fósseis datados de cerca de 512 milhões de anos, revelando como a vida marinha se recuperou após uma extinção em massa que eliminou até metade dos animais do período Cambriano.

Descoberta em pequena pedreira reúne volume excepcional de fósseis

A descoberta ocorreu em uma pedreira considerada extraordinária pelos pesquisadores, localizada na província chinesa de Hunan. O local possui 12 metros de altura, 30 metros de comprimento e oito metros de largura, dimensões reduzidas diante da quantidade de material recuperado.

Entre 2021 e 2024, a equipe coletou mais de 50.000 espécimes fósseis em um único ponto. Nesse espaço limitado, foram identificadas mais de 150 espécies distintas, das quais 91 eram desconhecidas da ciência até então.

O estudo foi liderado por Han Zeng, da Academia Chinesa de Ciências, e publicado na revista Nature. Segundo o pesquisador, os fósseis estavam literalmente embutidos na rocha da pedreira.

Han descreveu o processo de coleta como uma sequência de descobertas contínuas, com a identificação repetida de organismos preservados em detalhe.

A densidade e a diversidade do material tornaram o sítio um dos mais relevantes já documentados para esse intervalo geológico.

Preservação de tecidos moles amplia compreensão do período Cambriano

Um dos aspectos mais relevantes da descoberta é o estado de conservação dos fósseis. Muitos exemplares apresentam tecidos moles preservados, incluindo brânquias, intestinos, olhos e até estruturas nervosas, algo raro em registros tão antigos.

Entre os fósseis documentados está um artrópode marinho do grupo fuxianhuiid, com intestino preservado, datado de aproximadamente 512 milhões de anos. A escala do exemplar indica dimensões de apenas alguns milímetros.

Os pesquisadores também identificaram parentes ancestrais de vermes, esponjas e águas-vivas, além de numerosos artrópodes. Esse grupo inclui organismos espinhosos com olhos pedunculados, conhecidos como radiodontes, considerados predadores de topo naquele período.

A presença de tecidos moles permite análises mais detalhadas da anatomia e do modo de vida desses animais. Segundo os cientistas, esse nível de preservação contribui para reconstruir cadeias alimentares e estratégias de sobrevivência após a extinção em massa.

Fósseis registram período logo após o evento de extinção de Sinsk

Os animais encontrados datam de cerca de 512 milhões de anos, apenas um milhão de anos após o evento de extinção de Sinsk, ocorrido há aproximadamente 513 milhões de anos. Esse episódio eliminou até metade dos animais existentes no planeta.

A extinção de Sinsk encerrou de forma abrupta a explosão cambriana, fase em que surgiram a maioria dos principais grupos animais atuais. Esse período é frequentemente descrito como o “big bang” da evolução animal.

Acredita-se que a explosão cambriana tenha sido impulsionada por um aumento nos níveis de oxigênio atmosférico. Já a extinção de Sinsk é associada a uma queda desses níveis, alterando drasticamente os ecossistemas marinhos.

Os fósseis da pedreira chinesa representam a primeira grande descoberta de organismos de corpo mole que viveram imediatamente após esse evento.

A biota foi denominada biota de Huayuan, em referência ao condado onde o sítio está localizado.

Comparações globais indicam dispersão precoce da vida marinha

Os pesquisadores ficaram surpresos ao identificar espécies na biota de Huayuan que também são conhecidas do sítio de Burgess Shale, no Canadá, datado do início da explosão cambriana.

Entre os táxons compartilhados estão os artrópodes Helmetia e Surusicaris, anteriormente registrados apenas no Folhelho Burgess. A coincidência sugere uma ampla capacidade de dispersão dos animais marinhos primitivos.

Segundo Han Zeng, a explicação mais plausível envolve estágios larvais capazes de se espalhar por correntes oceânicas.

Esse mecanismo é comum entre invertebrados marinhos atuais e teria operado desde os primórdios da vida animal.

A presença das mesmas espécies em locais separados por grandes distâncias indica que, já no Cambriano, os oceanos permitiam conexões globais eficientes. Esse dado amplia o entendimento sobre a mobilidade biológica no início da história animal.

Avaliações externas destacam impacto em ambientes de águas rasas

Michael Lee, biólogo evolucionista do Museu da Austrália do Sul, afirmou que os fósseis mostram que o evento de Sinsk afetou de forma mais severa as formas de vida em águas rasas.

Segundo Lee, ambientes de águas profundas tendem a ser mais estáveis ao longo do tempo geológico. Ele comparou essa estabilidade a um porão protegido das variações diárias e sazonais de temperatura.

Como exemplo de sobrevivência em ambientes profundos, Lee citou o celacanto, um peixe de águas profundas que resistiu a uma extinção em massa muito posterior, a que eliminou os dinossauros não aviários.

Essas comparações reforçam a hipótese de que a profundidade do habitat teve papel crucial na sobrevivência de espécies durante eventos de extinção. Os dados da pedreira chinesa oferecem um contraponto focado em águas rasas.

Contexto mais amplo de extinções ao longo da história da Terra

O evento de Sinsk não está entre as cinco grandes extinções em massa mais conhecidas. Ainda assim, Han Zeng destacou que existem evidências de 18 ou mais extinções em massa nos últimos 540 milhões de anos.

O pesquisador defendeu maior atenção científica a esses episódios menos conhecidos, que também foram extremamente destrutivos. Segundo ele, compreender esses eventos ajuda a reconstruir padrões recorrentes na história da vida.

Debates semelhantes ocorrem em relação à extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos. Estudos recentes indicam que as populações ainda prosperavam antes do impacto do asteroide.

Uma pesquisa publicada em 2019 apontou que o impacto desencadeou incêndios, terremotos e tsunamis em escala global, seguidos por um período prolongado de resfriamento. Esses paralelos reforçam a relevância de estudar eventos como o de Sinsk, mesmo que menos famosos.

Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pela agência AFP, pela Reuters e em dados do estudo liderado por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, publicado na revista Nature, além de declarações de cientistas envolvidos e independentes citadas nas reportagens originais

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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