Habilitação ficou mais acessível no Rio Grande do Sul após novas regras da CNH reduzirem custos e aumentarem aprovações, mas candidatos que escolheram instrutores autônomos ainda relatam dificuldade para agendar prova, deslocamento até cidades maiores e espera de quase um mês
A nova habilitação no Rio Grande do Sul mudou o caminho de quem quer tirar a primeira CNH. As regras aprovadas pelo Contran começaram a valer em 5 de janeiro, mas o modelo gaúcho só concluiu as principais etapas em 10 de março, com a liberação do cadastro de instrutores autônomos.
O resultado foi imediato. Segundo o Detran-RS, o número de Renachs abertos em março cresceu 94% em relação ao mesmo mês de 2025. O índice de aprovação no exame prático subiu de 34,2% para 63,8%, enquanto relatos apontam queda no custo de cerca de R$ 3 mil para R$ 700, redução próxima de 76%.
Habilitação mais barata atrai mais candidatos no Rio Grande do Sul
O custo virou o principal atrativo. Antes, candidatos relatavam gasto próximo de R$ 3 mil para obter a CNH. Com o novo modelo, há casos em que o valor caiu para cerca de R$ 700.
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A mudança vem junto com a flexibilização das aulas. As aulas teóricas podem ser feitas gratuitamente pelo aplicativo CNH do Brasil, e a exigência de aulas práticas caiu de 20 horas para duas horas.
Na prática, a habilitação ficou mais acessível para quem adiava o processo por causa do preço. Esse novo cenário ajuda a explicar o aumento de 94% nos Renachs abertos em março.
Os números mostram uma virada nas aprovações

A nova forma de avaliação também mudou o desempenho nas provas práticas. Em março de 2026, 63,8% dos candidatos foram aprovados no exame. No mesmo mês de 2025, o índice era de 34,2%.
A diferença inverteu o cenário. No ano passado, havia quase o dobro de reprovados em relação aos aprovados. Em 2026, foram 24,2 mil aprovados contra 13,7 mil reprovados.
A retirada da baliza da prova prática aparece como um dos principais fatores dessa mudança. Com menos uma etapa considerada difícil, mais candidatos conseguiram avançar no processo da habilitação.
Instrutores autônomos ampliam opções, mas agendamento ainda trava o processo
O novo modelo permite que candidatos façam aulas com instrutores autônomos, sem depender apenas dos Centros de Formação de Condutores. A medida ampliou a liberdade de escolha, mas criou um problema prático: conseguir data para a prova.
Segundo o Detran-RS, as provas dos alunos de instrutores autônomos começaram apenas em 10 de abril. Até o dia 22, foram realizados 44 exames em Porto Alegre, Pelotas, Novo Hamburgo, Caxias do Sul e Osório. Desse total, 34 candidatos passaram, índice de 77%.
Enquanto isso, os candidatos vindos dos CFCs fizeram 18.917 provas da categoria B até 16 de abril, com 66,7% de aprovação. A diferença de escala mostra por que os alunos de autônomos ainda enfrentam mais dificuldade para concluir a habilitação.
Poucas cidades têm prova para alunos de autônomos

O gargalo aparece principalmente fora dos grandes centros. Candidatos de cidades menores precisam se deslocar até municípios onde o Detran-RS já abriu agenda específica para exames práticos de alunos de instrutores autônomos.
Uma candidata de Cruz Alta relatou que se interessou pela possibilidade de fazer aulas e prova em carro automático, usar veículo próprio e iniciar as aulas em casa. Para ela, o modelo ficou mais barato e prático, mas o agendamento não acompanhou a mudança.
Uma jovem de Sapucaia do Sul passou por situação parecida. Ela fez aulas com uma instrutora de Campo Bom e precisou viajar até Porto Alegre para fazer o exame. Segundo o relato, as aulas começaram no início de março, mas a prova só foi marcada quase um mês depois.
O que diz o Detran-RS sobre filas e agendamentos
O Detran-RS afirma que está abrindo novas bancas examinadoras aos poucos, conforme a demanda. O órgão também informa que os candidatos de instrutores autônomos não são colocados nas provas organizadas pelos CFCs.
A razão é operacional. No modelo usado no Estado há quase 29 anos, os CFCs cuidam da estrutura, do agendamento e do apoio aos candidatos antes, durante e depois do exame.
Para alunos de instrutores autônomos, o agendamento ocorre diretamente em um aplicativo do Detran. Por isso, o órgão diz que está criando agendas exclusivas para esse público, com organização feita pela própria autarquia.
Autoescolas sentem o impacto das novas regras
As mudanças na habilitação também atingiram as autoescolas. Segundo entidades do setor, houve 4 mil demissões no Estado desde setembro do ano passado.
As funções mais afetadas foram diretor-geral, diretor de ensino e instrutor teórico. Conforme balanço do SEAACOM, os estabelecimentos tinham cerca de 9,7 mil trabalhadores em setembro e agora têm aproximadamente 5,5 mil, redução próxima de 40%.
Parte dos profissionais desligados migrou para a atuação autônoma. O Ministério dos Transportes afirma que, nesse novo modelo, o instrutor pode gerenciar a própria agenda, atender candidatos diretamente e registrar aulas em um sistema digital integrado.
O que muda para quem quer tirar a primeira habilitação

Para o candidato, a mudança traz economia e mais alternativas. O processo ficou mais barato, mais flexível e com maior índice de aprovação.
Mas ainda há obstáculos. Quem escolhe instrutor autônomo pode enfrentar fila, falta de horários e deslocamento para cidades maiores. A etapa final continua dependendo da oferta de bancas para o exame prático.
O modelo também permite aulas e prova em carro automático, além do uso de veículo próprio ou de instrutor autônomo, desde que identificado. Para muitos alunos, isso torna a experiência mais simples e menos cara.
Uma mudança que barateou a CNH, mas ainda precisa ganhar escala
As novas regras da CNH no Rio Grande do Sul já produziram efeitos claros: mais procura, mais aprovações e menor custo para tirar a habilitação.
Ao mesmo tempo, a adaptação ainda está em andamento. A fila dos alunos de instrutores autônomos, a concentração das provas em poucas cidades e a espera para marcar o exame mostram que o sistema ainda precisa atender mais gente com regularidade.
Na sua opinião, essa nova habilitação já representa um avanço real para quem quer tirar a CNH ou as filas e a falta de datas ainda podem transformar a economia em dor de cabeça?

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