Nova espécie de molusco descoberta no fundo do oceano é batizada como Ferreiraella populi após votação popular, aproximando ciência e participação pública.
Uma nova espécie de molusco, descoberta nas profundezas do oceano Pacífico, acaba de ganhar um nome oficial escolhido pelo público: Ferreiraella populi.
A nomeação, anunciada em 2026 por pesquisadores ligados ao Senckenberg Ocean Species Alliance, ocorreu após uma campanha online que mobilizou milhares de pessoas ao redor do mundo, permitindo que a internet participasse diretamente do processo científico.
Encontrado a mais de 5.000 metros de profundidade, o animal foi batizado dessa forma para simbolizar a ciência colaborativa e aproximar a sociedade do estudo da biodiversidade marinha ainda pouco conhecida.
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Como a internet ajudou a nomear Ferreiraella populi?
A iniciativa começou quando o divulgador científico e YouTuber Ze Frank apresentou em seu canal um episódio dedicado a uma estranha criatura das profundezas — um tipo de “quitão” recém-descoberto, pertencente ao gênero Ferreiraella.
A partir desse vídeo, usuários foram convidados a enviar nomes para a espécie, acompanhados de justificativas criativas.
Em apenas uma semana, a campanha rendeu mais de 8.000 sugestões de nomes via redes sociais e plataformas digitais. Entre todas as propostas, o nome Ferreiraella populi se destacou.
A escolha final foi feita pelo time de cientistas responsável pela descrição oficial da espécie, que avaliou as propostas e optou por uma opção que representasse oEngajamento coletivo da comunidade global.
O que é Ferreiraella populie onde foi encontrada
A nova espécie de molusco descrita como Ferreiraella populi é um tipo de chitão — um invertebrado marinho que possui oito placas articuladas formando uma carapaça protetora.
Diferente de outros moluscos que têm uma única concha, os chitões são cobertos por múltiplas placas que permitem mobilidade e adaptação a superfícies irregulares.
O animal foi encontrado originalmente em 2024 nas profundezas do Izu-Ogasawara Trench, uma fossa submarina do Oceano Pacífico com cerca de 5.500 metros de profundidade.
Ali, Ferreiraella populi vive exclusivamente sobre madeira afundada no fundo do mar, um habitat raro conhecido como “wood-fall” (queda de madeira no ambiente abissal).
Além de sua armadura incomum, o chitão possui uma rádula reforçada com ferro, uma língua raspadora especialmente adaptada para se alimentar, e uma comunidade de pequenos vermes vivendo próximos à sua cauda, alimentando-se de seus resíduos — um exemplo surpreendente da complexidade microecológica mesmo em ambientes extremos.
A ciência por trás do nome
O processo de atribuição de nomes científicos segue regras rígidas da biologia, incluindo a necessidade de que cada nome seja inédito, latinizado e publicado em um veículo científico reconhecido.
A descrição formal de Ferreiraella populi foi publicada no Biodiversity Data Journal, uma revista científica de acesso aberto, tornando o nome oficial no registro taxonômico internacional.
O epíteto populi foi escolhido como uma homenagem à colaboração global, traduzindo-se como “do povo” — uma forma de reconhecer que, pela primeira vez em muitos casos, a internet e a sociedade civil participaram diretamente da escolha de um nome científico formal.
Importância para a conservação e conhecimento dos oceanos
A rápida nomeação de Ferreiraella populi — apenas dois anos após sua descoberta em 2024 — destaca uma mudança significativa na forma como novas espécies podem ser descritas.
Tradicionalmente, esse processo pode levar dez ou vinte anos, mas a combinação de tecnologia digital e engajamento público ajudou a antecipar esse reconhecimento formal de maneira inédita.

Esse caso também evidencia como grande parte da biodiversidade marinha ainda é desconhecida, especialmente em ambientes extremos e inacessíveis como as fossas oceânicas.
A documentação científica de novas espécies como Ferreiraella populi é crucial para estratégias de conservação, especialmente diante de ameaças como exploração de recursos e mineração em áreas profundas sob o mar.
Com informações da Revista Galileu

