1. Início
  2. Curiosidades
  3. No litoral do Rio Grande do Norte, os irmãos Gabriel e Gabriele Melo venceram o Desafio Liga Jovem ao virar a praga da algaroba num pesqueiro sustentável e mais barato para a lagosta
Faça um comentário 6 min de leitura

No litoral do Rio Grande do Norte, os irmãos Gabriel e Gabriele Melo venceram o Desafio Liga Jovem ao virar a praga da algaroba num pesqueiro sustentável e mais barato para a lagosta

Imagem de perfil do autor Bruno Teles
Escrito por Bruno Teles Publicado em 26/06/2026 às 10:30 Atualizado em 26/06/2026 às 10:33
No Rio Grande do Norte, um pesqueiro sustentável de algaroba feito de espécie invasora venceu o Desafio Liga Jovem do Sebrae e foi parar na Europa.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

No litoral do Rio Grande do Norte, os irmãos Gabriel e Gabriele Melo usaram a madeira da algaroba, uma espécie invasora, para criar um pesqueiro sustentável de algaroba para a lagosta. O projeto venceu o Desafio Liga Jovem, do Sebrae, entre mais de 10 mil concorrentes e ganhou destaque internacional.

A melhor solução às vezes está escondida dentro do próprio problema. Foi o que Gabriel Melo, de 18 anos, e a irmã Gabriele Melo enxergaram ao olhar para a algaroba, a planta invasora que toma conta do semiárido, e imaginar nela a matéria-prima de uma nova armadilha de pesca. Da ideia saiu o Pesqueiro Sustentável, estrutura feita para capturar lagosta sem agredir o mar.

Segundo a ASN Rio Grande do Norte, os dois estudantes de Porto do Mangue conquistaram o 1º lugar nacional do Desafio Liga Jovem de 2025, na categoria Ensino Médio e Técnico. A vitória veio numa edição recorde, com mais de 10 mil projetos inscritos em todo o país. O trabalho foi orientado pelo professor Dalison Vitor, da escola estadual da cidade.

Quem são Gabriel e Gabriele Melo e de onde veio a ideia

Gabriel e Gabriele Melo são irmãos e estudantes de uma escola pública de Porto do Mangue, no litoral do Rio Grande do Norte.

A cidade vive da pesca, e a lagosta é uma das principais fontes de renda da região.

Foi observando o dia a dia dos pescadores e a paisagem ao redor que a dupla juntou dois problemas numa só solução.

De um lado, a algaroba avançando sobre o terreno; do outro, o custo alto e o impacto das armadilhas de pesca tradicionais.

A orientação do professor Dalison Vitor ajudou a transformar a percepção dos dois num projeto estruturado.

O resultado foi um pesqueiro sustentável de algaroba, pensado para baratear a pesca e poupar o ambiente ao mesmo tempo.

Mais do que um trabalho de escola, virou uma resposta concreta a uma demanda da própria comunidade.

O problema da algaroba: a espécie invasora que sufoca o semiárido

No Rio Grande do Norte, um pesqueiro sustentável de algaroba feito de espécie invasora venceu o Desafio Liga Jovem do Sebrae e foi parar na Europa.
Para entender a sacada, é preciso conhecer a vilã da história.

A algaroba é uma árvore trazida de fora que se espalhou pelo Nordeste brasileiro com força.

Classificada como espécie invasora, ela compete com a vegetação nativa da caatinga e domina áreas inteiras.

Onde a algaroba se instala, plantas locais perdem espaço, água e luz, num desequilíbrio difícil de reverter.

Controlar uma espécie invasora como essa costuma dar trabalho e custar caro ao poder público.

A ideia dos irmãos inverte a lógica: em vez de só combater a praga, eles a transformam em insumo útil.

Cortar e aproveitar a madeira da algaroba vira, assim, uma forma de manejo com destino econômico.

Como funciona o pesqueiro sustentável de algaroba

O coração do projeto é simples de explicar e engenhoso na prática.

A estrutura de captura da lagosta é construída com a própria madeira da algaroba, em vez dos materiais convencionais.

O grande diferencial é o fim de vida útil: o pesqueiro sustentável de algaroba se degrada naturalmente no mar e vira substrato para organismos marinhos.

Modelos tradicionais podem ficar até um ano no fundo do mar liberando resíduos, segundo o projeto.

A madeira de algaroba, por ser orgânica, não deixa o mesmo rastro de lixo quando se decompõe.

Outro ganho é técnico: o desenho ajuda a evitar a captura de lagostas juvenis, que precisam crescer antes de serem pescadas.

Com isso, o pesqueiro sustentável de algaroba une três frentes: custo menor, menos poluição e preservação da espécie.

A vitória no Desafio Liga Jovem, do Sebrae

No Rio Grande do Norte, um pesqueiro sustentável de algaroba feito de espécie invasora venceu o Desafio Liga Jovem do Sebrae e foi parar na Europa.
O reconhecimento veio numa das maiores competições de inovação jovem do país.

O Desafio Liga Jovem é promovido pelo Sebrae e desafia estudantes a resolver problemas reais com espírito empreendedor.

A edição de 2025 bateu recorde, com 62.276 inscritos e mais de 10 mil projetos apresentados em todo o Brasil.

Entre todos eles, o Pesqueiro Sustentável ficou em 1º lugar nacional na categoria Ensino Médio e Técnico.

Para o Sebrae, a proposta se destacou por unir preservação ambiental, valorização social e geração de renda.

Vencer o Desafio Liga Jovem nesse universo de milhares de ideias deu aos irmãos um selo nacional de inovação.

O prêmio principal inclui uma viagem internacional de até dez dias, em 2026, para imersão em ambientes de inovação.

Do litoral do RN para Estocolmo e Barcelona

A repercussão não parou nas fronteiras do Rio Grande do Norte.

O Pesqueiro Sustentável representou o Brasil no Young Water Prize, em Estocolmo, na Suécia, prêmio voltado a soluções para a água.

O projeto também marcou presença no MWC Barcelona, o maior evento de conectividade do mundo, realizado na Espanha.

Levar uma ideia nascida em Porto do Mangue para vitrines globais é a parte mais simbólica da trajetória.

Para estudantes de escola pública do interior, esse tipo de exposição costuma abrir portas raras.

A jornada mostra como um projeto local pode escalar para o debate internacional quando resolve um problema universal.

O contato com pesquisadores e empresas lá fora tende a amadurecer ainda mais a proposta.

Por que isso importa para os pescadores e o meio ambiente

Por trás do prêmio, há um impacto prático na vida de quem vive do mar.

A pesca da lagosta é uma atividade econômica central no litoral do Rio Grande do Norte e de todo o Nordeste.

Uma armadilha mais barata e legal pode reduzir custos do pescador e afastar métodos predatórios que prejudicam o estoque.

Ao evitar a captura de lagostas jovens, o pesqueiro sustentável de algaroba ajuda a manter a espécie se reproduzindo.

Isso protege a renda futura das comunidades, que dependem de um mar com lagosta para pescar.

No fim, o projeto liga três pontas que raramente se encontram: combate a uma espécie invasora, economia para o pescador e proteção do ecossistema.

É um exemplo de como inovação ambiental pode ser também ferramenta de geração de renda.

O que o caso do pesqueiro sustentável de algaroba mostra

A história dos irmãos Melo é inspiradora porque transforma um problema em oportunidade.

Ela prova que ideia boa não tem idade nem CEP, e pode nascer numa escola pública do interior.

Mas vale manter o pé no chão.

Por enquanto, o pesqueiro sustentável de algaroba é um projeto premiado, não um produto em escala nas mãos dos pescadores.

Sair do protótipo vencedor para a produção comercial exige testes de durabilidade, licenças e investimento.

Prêmio nacional e viagem internacional abrem portas, mas não garantem, sozinhos, a adoção pela frota pesqueira.

Ainda assim, poucos projetos de estudantes resumem tão bem o que o Desafio Liga Jovem busca: resolver um problema real com criatividade.

De Porto do Mangue para Estocolmo, Gabriel e Gabriele Melo mostraram que até uma praga pode virar solução.

E você, usaria um pesqueiro sustentável de algaroba se isso baratasse a pesca e protegesse o mar? Comenta aqui se você conhece outra ideia jovem que transformou um problema ambiental em ferramenta de trabalho.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x