A professora paranaense Geane Poteriko criou a Dar a Mão depois que a filha nasceu com agenesia, sem parte do braço. Hoje a associação reúne mais de 5 mil famílias e produz próteses em impressora 3D, de baixo custo, para quem tem diferenças nos membros no Paraná e no Brasil.
Diante de um diagnóstico que mudaria a vida da filha, Geane Poteriko não esperou por uma solução pronta: foi atrás de criar a sua. A professora estudou o assunto, mobilizou voluntários e fundou uma associação que hoje fabrica próteses com impressora 3D para o país inteiro. O que começou como a busca de uma mãe virou uma rede nacional de tecnologia assistiva de baixo custo.
Segundo a Associação Dar a Mão, a entidade nasceu em 2015 em São João do Ivaí, no norte do Paraná, e hoje conecta mais de 5 mil famílias associadas em todo o Brasil. Toda a produção das próteses é feita por voluntários, sem nenhum funcionário remunerado. O nome é um trocadilho afetuoso: junta o nome da filha, Dara, com o gesto de “dar a mão” a quem precisa.
Quem é Geane Poteriko e como nasceu a Dar a Mão
A história começa com um nascimento e um susto comum a muitas famílias.
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A filha de Geane, Dara, nasceu com uma diferença no membro superior, sem parte de um dos braços.
Em vez de tratar o caso como um problema isolado, a professora resolveu transformá-lo em causa.
Ela pesquisou próteses, descobriu o potencial da impressão 3D e começou a reunir gente disposta a ajudar.
A Dar a Mão foi oficialmente fundada em 2015, no norte do Paraná, com Dara como inspiração e símbolo.
Desde então, a associação cresceu de um projeto local para uma rede com bases em vários estados.
Geane uniu duas vidas numa só missão: a de mãe e a de fundadora de uma organização de tecnologia assistiva.
O que é agenesia e por que a prótese 3D ajuda

A agenesia de membros é a ausência congênita de um braço, uma perna ou parte deles, presente desde o nascimento.
Estima-se que a agenesia atinja cerca de uma a cada 1.500 crianças, segundo dados citados por entidades do setor.
Crianças com agenesia enfrentam um desafio extra: elas crescem, e a prótese precisa acompanhar esse crescimento.
Uma prótese tradicional importada pode custar dezenas de milhares de reais e ficar pequena em poucos meses.
É aí que a impressão 3D muda o jogo, ao permitir refazer a peça barata sempre que a criança cresce.
A prótese deixa de ser um luxo único e passa a ser um item substituível, como uma roupa que se troca de tamanho.
Como a impressora 3D barateia a prótese
A tecnologia por trás do projeto é o que torna a conta possível.
A impressora 3D constrói a prótese camada por camada, em plástico resistente e leve, a partir de um modelo digital.
Como o molde é um arquivo de computador, cada prótese pode ser personalizada para o corpo de quem vai usar.
Muitos modelos funcionam com fios que imitam tendões: ao mover o punho ou o cotovelo, a mão se fecha.
Sem motores ou eletrônica cara, o mecanismo é puramente físico, o que reduz custo e manutenção.
Enquanto próteses comerciais passam de R$ 200 mil em versões avançadas, uma peça impressa pode sair por poucas centenas de reais.
É essa diferença de preço que permite à impressora 3D atender muita gente que jamais compraria o equipamento.
A rede nacional de voluntários por trás da Dar a Mão

A associação organiza Bases de Extensão Local, as BELs, em diferentes estados, para aproximar o serviço das famílias.
São cerca de uma centena de voluntários, muitos ligados à área da saúde, que tocam a produção sem receber salário.
Desde 2015, a Dar a Mão mantém também um acordo de cooperação técnica com a PUC-PR para pesquisa em tecnologia assistiva.
Esse arranjo une conhecimento acadêmico, trabalho voluntário e a tecnologia da impressora 3D no mesmo projeto.
A rede de mais de 5 mil famílias associadas é o que dá escala nacional a uma ideia que começou no interior do Paraná.
Cada base nova significa mais uma região do Brasil com acesso a próteses de baixo custo.
Quem recebe as próteses da Dar a Mão
Do outro lado da rede estão crianças e adultos à espera de um movimento simples.
As próteses vão para pessoas com agenesia ou outras diferenças nos membros, em geral sem condições de comprar o equipamento.
Para uma criança, ganhar a prótese pode significar segurar um copo, andar de bicicleta ou escrever com mais firmeza.
As famílias procuram a associação, que avalia o caso e encaminha a produção da peça sob medida.
Como o serviço é gratuito e voluntário, a fila depende do ritmo de doações e do número de voluntários ativos.
Mais do que a função mecânica, a prótese costuma devolver autonomia e confiança a quem a recebe.
É o ponto em que a tecnologia e o gesto solidário se encontram na rotina real das pessoas.
Por que o modelo importa: inclusão de baixo custo
O caso da Dar a Mão se encaixa numa transformação maior da saúde acessível.
A impressão 3D vem democratizando a tecnologia assistiva, antes presa a preços proibitivos.
Ao baixar o custo de uma prótese para centenas de reais, o modelo abre a porta para quem o mercado tradicional ignorava.
No Brasil, onde o acesso a equipamentos caros é desigual, soluções como essa ganham peso social enorme.
A lógica é replicável: arquivos de prótese podem ser compartilhados e impressos em qualquer cidade com uma máquina.
É a diferença entre depender de uma importação cara e produzir a solução perto de casa, no Paraná ou em qualquer estado.
Quando a tecnologia barateia, a inclusão deixa de ser promessa e vira rotina de oficina.
O que o caso da Dar a Mão mostra
A trajetória de Geane Poteriko é um exemplo de como um problema pessoal pode virar solução coletiva.
Ela prova que tecnologia barata, somada a trabalho voluntário, pode entregar saúde onde o dinheiro não chega.
Mas vale manter o pé no chão na leitura dos números.
Os mais de 5 mil são famílias associadas à rede, e não próteses entregues, que somam centenas ao longo dos anos.
Próteses de impressão 3D são ajudas funcionais valiosas, mas não substituem membros nem fazem tudo o que uma mão biológica faz.
E, por depender de voluntários e doações, o ritmo de entrega varia e nem sempre acompanha a demanda.
Ainda assim, poucos projetos resumem tão bem como a impressora 3D pode transformar inclusão em algo concreto e barato.
De um diagnóstico em São João do Ivaí a uma rede nacional, a Dar a Mão mostrou que dá para devolver movimento com baixo custo.
E você, sabia que uma prótese de mão pode custar centenas, e não milhares, com uma impressora 3D? Comenta aqui se você toparia ser voluntário de um projeto como a Dar a Mão na sua cidade.
