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NEOM avança contratos para escavar 2 túneis de 28 quilômetros cada na futurista megacidade saudita The Line de US$ 500 bilhões

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 15/05/2026 às 11:30
Atualizado em 15/05/2026 às 11:32
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NEOM avança contratos para escavar 2 túneis de 28 quilômetros cada na futurista megacidade saudita The Line de US$ 500 bilhões

O projeto saudita NEOM avançou em maio de 2026 contratos para escavação por método drill & blast de 2 túneis com cerca de 28 quilômetros cada, dedicados a serviços ferroviários de alta velocidade e cargas, segundo divulgado pela Limak. Os túneis fazem parte do projeto The Line — corredor urbano linear de 170 km de extensão no noroeste do reino, financiado com cerca de US$ 500 bilhões pela coroa saudita.

De acordo com o cronograma da NEOM Company, os túneis vão conectar polos logísticos do projeto futurista, com trens em velocidade de até 180 km/h. Em paralelo, a megacidade prevê morar 9 milhões de habitantes em corredor reto entre montanhas e Mar Vermelho. Conforme cobertura especializada, é um dos maiores projetos de infraestrutura urbana já tentados no século XXI.

O projeto NEOM faz parte do Vision 2030 do príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman, anunciado em 2017. Em outras palavras, é tentativa de diversificar a economia saudita para reduzir dependência do petróleo. Por isso, o megaprojeto recebe investimentos vultosos do Fundo de Investimento Público (PIF), com ativos de mais de US$ 925 bilhões.

The Line: cidade linear de 170 km que pretende abrigar 9 milhões

The Line é a peça-chave do NEOM. Em primeiro lugar, será uma cidade reta de 170 km que vai do Golfo de Aqaba até as montanhas Hejaz. Em segundo lugar, terá apenas 200 metros de largura e 500 metros de altura em fachada espelhada — todos os serviços e residências dentro dessa “fita”.

Conforme o plano oficial, o transporte interno funcionará via cápsulas de alta velocidade em túneis subterrâneos, com tempo máximo de 20 minutos ponta a ponta. Da mesma forma, não haverá ruas para carros — o projeto promete “cidade sem carro, sem rua, sem emissão”. Em consequência, a megacidade depende totalmente do sistema ferroviário em túneis.

Em paralelo, The Line vai operar com energia 100% renovável — solar, eólica e hidrogênio verde. Em comparação, a área coberta pelo corredor seria equivalente a cerca de 34 km² — menor que cidades como Atibaia ou Itu (SP), mas concentrando 9 milhões de habitantes em vertical. Para ter ideia, isso é o triplo da densidade de Manhattan.

Maquinário pesado escava túneis em areia do deserto saudita no projeto NEOM
O método drill & blast usa explosivos sequenciais para fragmentar a rocha. Imagem: representação editorial.

Os dois túneis de 28 km e o método drill & blast

Os túneis ferroviários do NEOM serão escavados pelo método drill & blast, em vez de tuneladoras (TBM). Em primeiro lugar, o método é mais barato em rocha dura e seca, comum no Hejaz. Em segundo lugar, permite construção simultânea por múltiplas frentes, acelerando o cronograma.

Conforme dados técnicos, cada túnel terá diâmetro de 14 metros, espaço suficiente para 2 trilhos paralelos + plataforma de manutenção lateral. Da mesma forma, sistema de ventilação e drenagem precisa ser dimensionado para temperaturas extremas do deserto saudita — que podem chegar a 50°C na superfície.

De acordo com cronograma do consórcio responsável, os 28 km serão finalizados em 72 meses com 4 frentes de escavação simultâneas. Em consequência, isso equivale a aproximadamente 5,8 metros de túnel por dia em ritmo médio. Em comparação, o túnel do Brenner (Áustria-Itália) avança a 4 m/dia, e o futuro túnel do Canal da Mancha avançou a 7 m/dia em seu pico.

US$ 500 bilhões e a maior dúvida: o projeto vai mesmo acontecer?

O orçamento total do NEOM passa de US$ 500 bilhões. Em primeiro lugar, isso é o triplo do PIB anual da Bolívia. Em segundo lugar, é equivalente a 60% do PIB da Arábia Saudita em 2025. Conforme análise da Bloomberg, cerca de 30% do valor já foi comprometido em contratos.

Por outro lado, há ceticismo. Vários consultores internacionais saíram do projeto em 2024 e 2025 alegando “expectativas irrealistas” e atrasos. Da mesma forma, a meta original de The Line ser concluída em 2030 foi oficialmente revisada — primeira fase agora prevista para 2034 com apenas 2,4 km de cidade construída, em vez de 170 km.

Em paralelo, o PIF anunciou em 2026 reorientação do projeto: foco em distritos prioritários como Oxagon (porto industrial), Trojena (resort de montanha com Jogos Asiáticos de Inverno 2029) e Sindalah (resort de luxo). Por isso, The Line passa para segundo plano em escopo, embora siga em construção.

  • 28 km — comprimento de cada túnel ferroviário
  • 14 m — diâmetro interno dos túneis
  • 170 km — extensão total de The Line
  • 9 milhões — habitantes previstos
  • US$ 500 bi — orçamento NEOM
  • 200 m — largura interna da cidade-fita
  • 500 m — altura das fachadas espelhadas

Trojena, Oxagon e o que o NEOM já entregou

Embora The Line atrase, outras frentes do NEOM avançam. Em primeiro lugar, Trojena está em construção acelerada para sediar os Jogos Asiáticos de Inverno em 2029 — o que exige instalações para esqui em montanha artificial no deserto. Em segundo lugar, Oxagon recebe complexo industrial flutuante com investimento de US$ 50 bilhões.

Conforme o site oficial NEOM, o projeto Sindalah inaugurou em 2024 como ilha-resort de luxo. Da mesma forma, há novos hotéis, marinas e parques temáticos em operação. Em consequência, o NEOM hoje gera receita comercial limitada, mas crescente.

Em paralelo, o ecossistema do NEOM trabalha com hidrogênio verde da NEOM Green Hydrogen Company, joint venture entre PIF, ACWA Power e Air Products, com capacidade prevista de 600 toneladas/dia de hidrogênio limpo. Por isso, o projeto tenta se posicionar como hub de energia limpa para Europa e Ásia.

Renderização da megacidade The Line do NEOM no deserto saudita com fachada espelhada
The Line se estenderá por 170 km entre o Mar Vermelho e as montanhas Hejaz. Imagem: representação editorial.

Impacto para o Brasil e indústria de construção pesada

Para o Brasil, o NEOM importa por diversos motivos. Em primeiro lugar, empresas brasileiras de mineração e siderurgia fornecem aço de alta resistência para projetos sauditas. Em segundo lugar, parte do hidrogênio verde produzido em NEOM pode ser exportado para Brasil via porto de Suape em Pernambuco como contraparte.

Conforme entendimento bilateral, o Brasil avalia parcerias entre Petrobras e NEOM Green Hydrogen para joint ventures futuras. Da mesma forma, indústrias brasileiras de equipamentos pesados como WEG, Marcopolo e Tigre veem oportunidade de fornecimento. Por consequência, o megaprojeto saudita gera demanda para cadeia industrial nacional.

Trabalhadores da construção em NEOM operam equipamentos pesados no deserto
Mais de 100 mil trabalhadores atuam simultaneamente em frentes do NEOM. Imagem: representação editorial.

Ressalva sobre prazos e direitos humanos

O projeto enfrenta crítica internacional por questões trabalhistas e direitos humanos. Em primeiro lugar, mais de 21 mil trabalhadores morreram em obras do Catar e Arábia Saudita desde 2010, segundo organizações de direitos humanos. Em segundo lugar, comunidades beduínas locais foram removidas à força em algumas áreas.

Por outro lado, governos ocidentais e fundos internacionais seguem com investimentos. Da mesma forma, atrasos cumulativos podem comprometer o cronograma — analistas projetam que 2040 é cenário mais realista para conclusão substancial de The Line, não 2030. Outras coberturas de megaprojetos globais estão no acervo do Click Petróleo e Gás. Será que a Arábia Saudita conseguirá entregar até metade do prometido?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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