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A 376 metros, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL já construída na China e parte para o Congo: 2,4 milhões de toneladas ao ano para a italiana Eni

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 28/06/2026 às 18:12 Atualizado em 28/06/2026 às 18:15
A 376 metros, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL feita na China e parte para o Congo: 2,4 milhões de toneladas ao ano para a italiana Eni.
A 376 metros, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL feita na China e parte para o Congo: 2,4 milhões de toneladas ao ano para a italiana Eni.
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Com 376 metros, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL já construída na China e acaba de partir rumo ao Congo, na África. A unidade vai produzir 2,4 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano para a italiana Eni, e foi erguida em tempo recorde nos estaleiros chineses.

Imagine uma fábrica do tamanho de quase quatro campos de futebol, só que flutuando no mar. É mais ou menos isso a NGUYA, a maior fábrica flutuante de GNL já construída na China, com 376 metros de comprimento, que acaba de cruzar oceanos rumo à costa da África. A informação foi divulgada pela agência estatal chinesa Global Times.

O destino da gigante é o Congo. A NGUYA foi encomendada pela petroleira italiana Eni para o projeto Congo LNG, e vai ancorar no mar, perto da cidade de Pointe-Noire, para transformar gás natural em GNL ali mesmo, longe da terra firme. A capacidade é enorme: 2,4 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano.

E há um recorde dentro do recorde. Além de ser a maior do tipo feita na China, a NGUYA foi construída em ritmo relâmpago, do contrato à viagem, em uma marca que o próprio setor de gás considera referência. É energia, engenharia naval e geopolítica do gás navegando juntas em uma só estrutura.

A NGUYA, a maior fábrica flutuante de GNL feita na China

A maior unidade flutuante de gás natural liquefeito (GNL) desenvolvida na China, a NGUYA FLNG, partiu de Nantong, na província de Jiangsu, no leste da China, em 14 de setembro de 2025. Com a maior capacidade de armazenamento de gás e tonelagem do seu tipo, a unidade foi projetada para ser implantada na República do Congo, na África. Foto: Captura de tela do relatório da CMG.
A maior unidade flutuante de gás natural liquefeito (GNL) desenvolvida na China, a NGUYA FLNG, partiu de Nantong, na província de Jiangsu, no leste da China, em 14 de setembro de 2025. Com a maior capacidade de armazenamento de gás e tonelagem do seu tipo, a unidade foi projetada para ser implantada na República do Congo, na África. Foto: Captura de tela do relatório da CMG.

Os números da estrutura impressionam. A NGUYA tem 376 metros de comprimento, 60 metros de largura e 35 metros de altura, com capacidade para armazenar 180 mil metros cúbicos de GNL e mais 45 mil metros cúbicos de gás de petróleo liquefeito. É uma cidade industrial flutuante, projetada para encarar o mar aberto por anos.

O título que ela carrega é específico. Segundo a Global Times, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL já construída inteiramente na China, um marco para a indústria naval e de energia do país. Foi montada pela Wison New Energies, no estaleiro de Nantong, na província de Jiangsu, e representa um salto na capacidade chinesa de fabricar equipamentos offshore de grande porte.

Vale registrar com precisão o tamanho do feito. A NGUYA é a maior da China, e não a maior do mundo, distinção importante que o próprio recorde deixa clara. Ainda assim, fabricar uma fábrica flutuante de GNL desse porte coloca a China em um clube pequeno de países capazes de erguer estruturas tão complexas.

Para visualizar, vale uma comparação. Os 376 metros da NGUYA equivalem a quase quatro campos de futebol enfileirados, ou a um arranha-céu deitado sobre as ondas. É uma estrutura tão grande que, parada num porto, faria qualquer navio ao lado parecer miniatura, e ainda assim ela foi feita para navegar milhares de quilômetros e operar em mar aberto por anos.

O que é uma fábrica flutuante de GNL (FLNG)?

A 376 metros, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL feita na China e parte para o Congo: 2,4 milhões de toneladas ao ano para a italiana Eni.
A 376 metros, a NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL feita na China e parte para o Congo: 2,4 milhões de toneladas ao ano para a italiana Eni.

Vale explicar o conceito, porque ele é a chave de tudo. Uma fábrica flutuante de GNL, conhecida pela sigla FLNG, é uma unidade que faz no mar o que antes só se fazia em terra: receber o gás natural extraído do fundo do oceano, resfriá-lo a cerca de 162 graus negativos até virar líquido, armazenar e transferir para navios. Tudo isso a bordo de uma única estrutura ancorada sobre o campo de gás.

A vantagem é evitar uma obra gigante em terra. Em vez de construir gasodutos longos e uma usina de liquefação no litoral, a empresa leva a fábrica até a jazida, no meio do mar. Isso reduz custo, tempo e impacto, e permite explorar reservas de gás distantes da costa que, de outra forma, ficariam paradas.

Quando o gás vira líquido, ele encolhe e viaja. O GNL ocupa cerca de 600 vezes menos volume que o gás em estado natural, o que torna possível transportá-lo por navio para qualquer lugar do mundo. É essa mágica física que a NGUYA vai realizar no mar do Congo, transformando gás que ficaria preso no subsolo em energia exportável.

2,4 milhões de toneladas por ano para a Eni

A produção projetada coloca a NGUYA na elite das unidades de gás. A fábrica flutuante de GNL foi dimensionada para entregar 2,4 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, volume capaz de abastecer mercados inteiros do outro lado do oceano. Cada carga que sai dali vira combustível para usinas, indústrias e casas.

A dona do negócio é uma gigante europeia. A unidade foi encomendada pela Eni, petroleira italiana presente em vários países produtores, que vê no gás natural uma aposta central para a transição energética. Para a Eni, ter uma fábrica flutuante de GNL própria significa controlar a cadeia do gás do poço ao navio, sem depender de estrutura em terra.

A NGUYA não trabalhará sozinha no Congo. Segundo a Eni, ela se soma à Tango FLNG, uma unidade menor que já opera no país, e juntas elevam a capacidade de produção de GNL do projeto Congo LNG para cerca de 3 milhões de toneladas por ano. É a segunda fase de um plano que transforma o Congo em um novo exportador de gás.

Rumo ao Congo: o projeto de gás da Eni na África

O destino da NGUYA conta uma história de geopolítica energética. A unidade vai operar no mar perto de Pointe-Noire, no litoral da República do Congo, um país da África Central que passou a apostar no gás natural como motor econômico. O projeto Congo LNG é a aposta da Eni para tirar do fundo do mar um recurso que estava subaproveitado.

A lógica é clara para os dois lados. O Congo ganha royalties, empregos e protagonismo no mercado de energia, enquanto a Eni ganha mais uma fonte de gás para abastecer a Europa, que correu atrás de novos fornecedores depois da crise energética dos últimos anos. A fábrica flutuante de GNL é a peça que viabiliza esse encontro de interesses.

Ancorar uma estrutura dessas no mar não é trivial. A NGUYA ficou posicionada a dezenas de quilômetros da costa, em águas profundas, presa ao leito para resistir a ondas e correntes durante anos de operação. É engenharia de ponta a serviço de um único objetivo: não deixar o gás do Congo parado embaixo d’água.

O cronograma do projeto mostra a ambição da petroleira. A Eni vinha montando o Congo LNG em fases, e a chegada da NGUYA marca justamente a segunda etapa, que multiplica a produção de gás do país. Com as duas unidades operando, o Congo se firma como exportador de GNL para o mercado internacional, num movimento que a Eni vem repetindo em outros pontos da África.

Construída em tempo recorde: 33 meses do contrato ao mar

A velocidade da obra é quase tão impressionante quanto o tamanho. A Wison New Energies fechou o contrato com a Eni no fim de 2022 e entregou a NGUYA em cerca de 33 meses, do papel à partida, ainda com um mês de antecedência sobre o prazo. Para uma estrutura tão complexa, é um prazo considerado recorde no setor de GNL.

Esse ritmo diz muito sobre a indústria chinesa. Construir uma fábrica flutuante de GNL envolve milhares de trabalhadores, sistemas de liquefação, tanques criogênicos e segurança extrema, e fazer tudo isso rápido sem perder qualidade exige cadeia industrial robusta. A China mostrou que tem essa capacidade ao bater o cronograma da NGUYA.

O recorde tem valor de mercado, não só de orgulho. Quanto mais rápido a fábrica flutuante de GNL fica pronta, mais cedo o gás começa a gerar receita, o que muda a conta de qualquer projeto de energia. Entregar antes do prazo é, no fundo, entregar dinheiro mais cedo para a Eni e para o Congo.

Para entender o recorde, basta olhar o padrão do setor. Projetos de fábrica flutuante de GNL costumam levar de quatro a seis anos entre o contrato e a entrega, e atrasos são comuns, dada a complexidade. Fazer isso em cerca de 33 meses, e ainda adiantado, é o tipo de marca que muda a régua de tempo no mundo do gás e impressiona até os concorrentes.

Por que a China virou potência em fábricas flutuantes de GNL?

A NGUYA não é um caso isolado, e sim sintoma de uma virada. Durante anos, a construção de unidades flutuantes de GNL foi dominada por estaleiros da Coreia do Sul. A China entrou nessa disputa com força, investindo pesado em estaleiros, tecnologia e mão de obra para abocanhar um mercado caro e estratégico.

A combinação de preço e prazo é a arma chinesa. Estaleiros como o da Wison conseguem oferecer estruturas gigantes a custos competitivos e em prazos curtos, o que atrai petroleiras do mundo todo. Cada projeto entregue, como a NGUYA, serve de cartão de visitas para o próximo contrato internacional.

Há também uma estratégia nacional por trás. Dominar a fabricação de fábricas flutuantes de GNL coloca a China no centro da cadeia global de gás, um setor que deve crescer nas próximas décadas como combustível de transição. Exportar essas estruturas é exportar tecnologia de ponta e influência energética ao mesmo tempo.

A maior da China, mas não do mundo: a comparação com a Prelude

Aqui entra um esclarecimento importante para não exagerar o recorde. A NGUYA é a maior fábrica flutuante de GNL já construída na China, mas não é a maior do mundo. Esse posto pertence à Prelude, da anglo-holandesa Shell, uma unidade ainda maior, construída na Coreia do Sul.

A diferença de escala é considerável. A Prelude tem cerca de 488 metros de comprimento, bem mais que os 376 metros da NGUYA, e capacidade de produção superior, na casa dos 3,6 milhões de toneladas de produtos por ano. Por muito tempo, ela foi citada como a maior estrutura flutuante já feita pelo ser humano.

Isso não diminui o feito chinês, apenas o coloca no lugar certo. Ser a maior fábrica flutuante de GNL da China, batendo recorde de prazo, já é um marco e tanto, e mostra o país encostando nos líderes históricos do setor. O recorde da NGUYA é nacional e de velocidade, não mundial de tamanho, e contar isso direito é parte de levar a informação a sério.

Tecnologia e baixo carbono a bordo

A NGUYA não impressiona só pelo tamanho, mas pelo que carrega por dentro. Segundo a Wison New Energies, a unidade estreou em uma fábrica flutuante de GNL uma combinação de tecnologia de liquefação e de tanques de armazenamento até então não usada nesse tipo de estrutura, o que ajuda a torná-la mais eficiente e segura.

Há ainda uma preocupação com emissões. A unidade foi equipada com motores que podem queimar mais de um tipo de combustível e com sistemas que reaproveitam o calor gerado na operação, recursos que reduzem o desperdício de energia e as emissões de carbono. Em um setor sob pressão ambiental, esses detalhes contam.

Isso reflete o lugar ambíguo do GNL na transição. O gás natural polui menos que o carvão e o petróleo na hora de gerar energia, e por isso é tratado por muitas empresas como combustível de transição. Equipar uma fábrica flutuante de GNL com tecnologia de baixo carbono é a forma de a Eni e a China responderem a quem cobra um gás mais limpo.

O que isso tem a ver com o Brasil e o mercado de gás

O caso interessa de perto a quem acompanha energia no Brasil. O país tem enormes reservas de gás natural associadas ao petróleo do pré-sal, boa parte ainda subaproveitada por falta de estrutura para escoar e processar esse gás no mar. Uma fábrica flutuante de GNL é exatamente o tipo de solução que poderia destravar parte desse potencial.

Há um problema específico que a tecnologia ajudaria a resolver. Parte do gás associado ao petróleo do pré-sal ainda é reinjetada no poço ou queimada por falta de estrutura de escoamento, um desperdício de energia e uma fonte de emissões. Uma fábrica flutuante de GNL instalada sobre esses campos poderia capturar esse gás e transformá-lo em produto, em vez de jogá-lo fora no meio do oceano.

O Brasil também é jogador no mercado de GNL. O país importa gás natural liquefeito para complementar o abastecimento em momentos de seca, quando as hidrelétricas produzem menos, e acompanha de perto a corrida global por esse combustível. Entender quem fabrica e quem opera as unidades de GNL é entender o tabuleiro em que o Brasil está sentado.

Há, por fim, a lição industrial. A ascensão chinesa na construção de fábricas flutuantes de GNL mostra como investir em estaleiros e tecnologia pode transformar um país em fornecedor global de equipamentos caros. Para a indústria naval brasileira, que já teve dias melhores, o exemplo da NGUYA é ao mesmo tempo um alerta e uma inspiração.

E você, sabia que existem fábricas que flutuam no mar?

A NGUYA prova o tamanho que a indústria do gás alcançou: uma fábrica flutuante de GNL de 376 metros, a maior já construída na China, capaz de produzir 2,4 milhões de toneladas por ano e entregue em tempo recorde para a italiana Eni operar no mar do Congo. Tudo isso flutuando, longe de qualquer porto.

E você, imaginava que dava para construir uma fábrica de gás do tamanho de quatro campos de futebol e fazê-la navegar até a África? Conta aqui nos comentários o que mais te impressiona nessa engenharia e se você acha que o Brasil deveria investir em fábricas flutuantes de GNL para aproveitar o gás do pré-sal.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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