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Nem petróleo, nem apenas lítio: o sódio presente no sal de cozinha virou aposta bilionária da indústria e pode ajudar a criar baterias mais baratas para carros elétricos, ônibus, caminhões e grandes redes de armazenamento de energia

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 25/06/2026 às 14:54 Atualizado em 25/06/2026 às 14:58
Cientista em laboratório monta bateria de sódio com componentes reais, cristais de sal de cozinha e células experimentais para aplicação em carros elétricos e armazenamento de energia.
Pesquisador trabalha no desenvolvimento de uma bateria de sódio em laboratório, usando sal de cozinha, células experimentais e instrumentos técnicos ligados ao avanço dos carros elétricos.
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Abundante na natureza, o sódio atrai CATL, BYD e HiNa e surge como alternativa ao lítio para veículos elétricos e armazenamento de energia

Durante décadas, o petróleo movimentou economias e disputas estratégicas. Mais recentemente, o lítio ganhou papel semelhante com a expansão dos carros elétricos.

Uma nova matéria-prima começa, porém, a entrar nessa corrida. O sódio, presente no sal de cozinha e na água do mar, pode alimentar baterias recarregáveis.

A ideia deixou de ficar restrita aos laboratórios. Empresas como CATL, BYD e HiNa Battery Technology já ampliam projetos relacionados às baterias de íons de sódio.

O objetivo é direto: reduzir custos, diversificar o fornecimento e diminuir a dependência mundial do lítio.

Por que o sódio virou uma aposta da indústria

A principal vantagem está na disponibilidade.

O lítio depende de jazidas concentradas e de processos complexos de extração. O sódio, por outro lado, está amplamente distribuído na natureza.

Essa abundância pode reduzir riscos de fornecimento e custos de matéria-prima. Ao mesmo tempo, diferentes países poderiam acessar o elemento com maior facilidade.

A HiNa Battery Technology destaca justamente esse potencial. Segundo a fabricante chinesa, o sódio possui vantagens de recursos e pode atender veículos e grandes sistemas energéticos.

O desempenho em temperaturas extremas também chama atenção. Testes recentes indicaram funcionamento entre -40 °C e 60 °C.

Mesmo em ambientes muito frios, algumas células mantiveram mais de 90% da capacidade. Essa resistência favorece veículos pesados, redes elétricas e regiões geladas.

A conta que pode mudar a partir de 2027

O sódio é abundante, mas as baterias ainda enfrentam um obstáculo: o custo atual.

A produção permanece menor que a das baterias de lítio. Consequentemente, fábricas, fornecedores e linhas industriais ainda precisam ganhar escala.

Esse cenário pode mudar rapidamente.

Em abril de 2026, Li Shujun, gerente-geral da HiNa, projetou uma aproximação dos custos em 2027 ou 2028.

A previsão indica que as faixas de preços poderão começar a se cruzar em 2027. Já em 2028, a sobreposição poderá ficar mais ampla.

O avanço acontece enquanto o preço do lítio registra oscilações. Dessa maneira, alternativas abundantes ganham espaço nos planos das fabricantes.

A bateria de 175 Wh/kg apresentada pela CATL

A CATL apresentou sua primeira bateria de sódio em julho de 2021. Na ocasião, a célula atingia densidade energética de 160 Wh/kg.

O salto seguinte apareceu em 21 de abril de 2025.

Naquela data, a fabricante revelou a Naxtra, bateria de sódio para automóveis com densidade de 175 Wh/kg.

O nível se aproxima de determinadas baterias de lítio-ferro-fosfato. Segundo a CATL, a tecnologia também suporta baixas temperaturas e milhares de ciclos.

A industrialização ganhou outro impulso em abril de 2026. Conforme a Reuters, a CATL fechou um acordo de 60 GWh com a HyperStrong.

O fornecimento será realizado durante três anos e terá como foco o armazenamento de energia. O contrato representa um passo importante para ampliar a escala comercial.

Carros elétricos podem ficar mais baratos?

A redução não é automática, mas existe potencial.

As baterias representam uma parcela relevante do custo de um veículo elétrico. Portanto, uma química mais acessível pode favorecer modelos urbanos mais baratos.

A menor densidade energética ainda limita o uso em automóveis de grande autonomia. Por isso, o sódio tende a avançar primeiro em:

  • carros elétricos urbanos;
  • ônibus e caminhões;
  • redes de eletricidade;
  • armazenamento de energia renovável.

A tecnologia não deve eliminar imediatamente as baterias de lítio. O cenário mais provável envolve as duas soluções atendendo necessidades diferentes.

O futuro energético pode passar pelo sal

Pesquisas também analisam sistemas baseados em sódio e água do mar. Essas soluções poderão unir armazenamento elétrico, dessalinização e captura de carbono.

O potencial estratégico explica o interesse das empresas. O sódio pode complementar o lítio e ampliar o acesso ao armazenamento de energia.

Caso a escala aumente e os custos realmente caiam, a tecnologia poderá abrir espaço para carros elétricos acessíveis e redes renováveis mais estáveis.

O “novo petróleo” ainda não está definido. Mesmo assim, a próxima revolução energética pode começar em um elemento encontrado diariamente sobre a mesa.

E você, acredita que as baterias de sódio poderão tornar os carros elétricos mais acessíveis nos próximos anos?

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Miqueias
Miqueias
25/06/2026 14:58

Excelente conteúdo

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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