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Quanto mais a família controlava a comida, mais ele engordava: lesão no tornozelo ajudou médicos a descobrir tumor minúsculo na hipófise que fez adolescente chegar aos 113 quilos e enfrentar a rara doença de Cushing

Imagem de perfil do autor Viviane Alves
Escrito por Viviane Alves Publicado em 25/06/2026 às 15:31 Atualizado em 25/06/2026 às 15:34
Comparação ilustrativa de adolescente antes e depois do ganho de peso causado por tumor na hipófise e doença de Cushing.
Imagem ilustrativa mostra a mudança física de um adolescente após o ganho acelerado de peso associado a um tumor benigno na hipófise.
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Adolescente de Curitiba ganhou mais de 40 quilos em poucos meses, apresentou pressão alta e descobriu um tumor benigno com menos de 1 centímetro.

Uma mudança rápida e preocupante transformou a rotina de Gustavo de Oliveira, adolescente de Curitiba, torcedor do Athletico-PR e praticante de muay thai.

No início de 2025, Gustavo pesava menos de 70 quilos. No final do mesmo ano, porém, o adolescente já havia chegado aos 113 quilos.

O aumento de peso continuava mesmo com exercícios frequentes e cuidados com a alimentação. Por trás do quadro estava um tumor benigno na hipófise, localizado na base do cérebro.

O pequeno tumor alterou a produção hormonal e provocou excesso de cortisol no organismo. A condição recebeu o diagnóstico de doença de Cushing.

Dores de cabeça e pressão alta acenderam o alerta

Silmara de Oliveira, mãe de Gustavo, percebeu os primeiros sinais preocupantes em junho de 2025.

O adolescente reclamava de dores de cabeça havia alguns dias. Diante disso, a mãe decidiu medir a pressão arterial com um aparelho disponível em casa.

O resultado indicou pressão elevada. A família chegou a desconfiar de um possível defeito no equipamento.

Outros sintomas, no entanto, já chamavam atenção. Gustavo apresentava apetite excessivo e chegava a comer três pratos em uma única refeição.

Consultas com médicos e nutricionistas levaram a família a ajustar a alimentação. Gustavo também praticava até três aulas de muay thai por semana.

Os cuidados não impediram o aumento de peso. Quanto mais a família controlava a dieta, mais o adolescente engordava.

Representação do cérebro humano com a hipófise destacada, região onde surgiu o tumor associado à doença de Cushing.
Ilustração médica destaca a hipófise, glândula localizada na base do cérebro e relacionada à produção do hormônio ACTH.

Lesão no tornozelo levou a uma investigação mais ampla

Uma lesão sofrida durante um treino de muay thai mudou o rumo da história em setembro de 2025.

O tornozelo de Gustavo ficou muito roxo. A mãe, então, decidiu levá-lo a um pronto-socorro.

A radiografia não revelou nenhuma fratura. A médica responsável, contudo, percebeu que outros sinais exigiam uma avaliação mais detalhada.

O adolescente retornou no dia seguinte e foi encaminhado ao Hospital Pequeno Príncipe, referência em atendimento pediátrico no Paraná.

A condição física já estava bastante comprometida. Gustavo relatava dificuldades para andar, respirar e realizar tarefas simples.

Exames confirmaram uma doença considerada rara

Uma série de exames foi realizada para identificar a causa dos sintomas.

O diagnóstico definitivo surgiu em meados de outubro de 2025. Gustavo apresentava doença de Cushing, condição rara entre crianças e adolescentes.

Estimativas internacionais citadas no caso apontam aproximadamente um novo diagnóstico para cada milhão de crianças por ano.

Carlos Mattozo, neurocirurgião do Hospital Pequeno Príncipe, explicou que o quadro estava relacionado ao tumor benigno encontrado na hipófise.

Como o tumor alterou o cortisol de Gustavo?

A hipófise produz o hormônio ACTH, responsável por estimular as glândulas suprarrenais.

Essas glândulas ficam acima dos rins e produzem cortisol. No caso de Gustavo, o tumor provocou uma liberação excessiva de ACTH.

O organismo passou, consequentemente, a fabricar cortisol em níveis muito elevados.

Os principais efeitos incluíram:

  • ganho acelerado de peso;
  • inchaço corporal;
  • rosto mais arredondado;
  • acúmulo de gordura no tórax;
  • pressão arterial elevada;
  • dificuldade para respirar.

Mattozo afirmou que havia tratado apenas quatro casos semelhantes em quase 30 anos de carreira.

Cirurgia pelas narinas removeu o tumor

O tratamento indicado consistia na retirada cirúrgica do tumor.

Gustavo ficou assustado ao receber a notícia. O adolescente imaginava que os médicos precisariam abrir o crânio.

O procedimento, entretanto, foi realizado pelas narinas, com câmeras de fibra óptica e pequenos instrumentos.

A equipe médica alcançou a hipófise pelo osso esfenoide, localizado atrás do nariz.

A cirurgia aconteceu em dezembro de 2025, durou cerca de duas horas e foi considerada bem-sucedida.

Cirurgiões observam monitor durante procedimento endoscópico para retirada de tumor na hipófise.
Equipe médica acompanha uma cirurgia endoscópica em centro cirúrgico equipado com monitores e instrumentos de alta precisão.

Recuperação exige reposição hormonal

A retirada do tumor interrompeu o estímulo anormal que mantinha a produção elevada de cortisol.

O organismo apresentou uma redução repentina do hormônio. Gustavo teve cansaço, dores de cabeça e alterações hormonais esperadas após o procedimento.

A recuperação passou a incluir exames frequentes e reposição hormonal.

O excesso anterior de peso e cortisol deixou impactos no fígado, nos olhos, no coração e na pressão arterial.

Médico com luvas segura amostra de tumor da hipófise com uma pinça após cirurgia para tratar a doença de Cushing.
Profissional de saúde manipula uma pequena amostra retirada durante o procedimento cirúrgico para remoção do tumor na hipófise.

Adolescente perdeu 15 quilos e entrou em remissão

Gustavo perdeu aproximadamente 15 quilos durante o primeiro semestre de 2026.

O adolescente é considerado um paciente em remissão da doença de Cushing.

Avaliações anuais serão necessárias para verificar uma possível volta do tumor.

Casos como esse reforçam a importância de investigar ganhos rápidos de peso acompanhados por pressão alta e outros sintomas.

Gustavo decidiu compartilhar sua experiência para alertar outras famílias e incentivar uma busca mais rápida pelo diagnóstico correto.

Fontes nominais: BBC News Brasil, Hospital Pequeno Príncipe, neurocirurgião Carlos Mattozo, Gustavo de Oliveira e Silmara de Oliveira.

Você acredita que mudanças repentinas no peso deveriam levar mais rapidamente a uma investigação hormonal? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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