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Telescópio James Webb flagra vento galáctico violento: galáxia ejeta combustível estelar em velocidade absurda e pode “morrer” em 100 milhões de anos

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 25/06/2026 às 15:51 Atualizado em 25/06/2026 às 15:53
Dados do telescópio James Webb registram um vento galáctico violento que esvazia o gás de sistemas logo após o Big Bang, interrompendo novas estrelas.
Dados do telescópio James Webb registram um vento galáctico violento que esvazia o gás de sistemas logo após o Big Bang, interrompendo novas estrelas. Fonte: Joshua Worth via licença Creative Commons CC-BY.
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Dados do telescópio James Webb registram um vento galáctico violento que esvazia o gás de sistemas logo após o Big Bang, interrompendo novas estrelas.

Uma imensa pluma contendo cerca de 1,5 bilhão de massas solares de gás está sendo lançada para o espaço profundo a centenas de quilômetros por segundo. Esse fenômeno impressionante de movimento de matéria foi detectado pelo telescópio James Webb em parceria com o radiotelescópio ALMA, localizado no Chile, ao monitorarem o sistema CRISTAL-02 cerca de 1 bilhão de anos após o Big Bang.

O estudo, publicado em 10 de junho de 2026 na prestigiada revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, ajuda a solucionar um dos grandes enigmas do Universo primitivo: o motivo pelo qual algumas galáxias antigas simplesmente interromperam a produção de novas estrelas de forma abrupta.

O desequilíbrio na balança do sistema CRISTAL-02

As observações da estrutura CRISTAL-02 indicam que o sistema atravessa uma fase crítica de consumo de recursos necessários para a formação estelar. Embora ainda esteja incorporando galáxias menores durante seu processo de fusão, a quantidade de gás disponível diminui em velocidade superior à capacidade de reposição.

As medições mostram que a galáxia consegue produzir aproximadamente 260 estrelas com massa semelhante à do Sol a cada ano. Entretanto, nesse mesmo intervalo, mais de 500 massas solares de gás — o principal combustível para o nascimento de novos astros — são lançadas para o espaço, reduzindo rapidamente suas reservas.

Com massa equivalente a cerca de 10 bilhões de sóis e em um estágio avançado de colisão galáctica, a CRISTAL-02 apresenta um desequilíbrio entre o consumo e a perda de matéria-prima.

Esse descompasso revela um cenário em que o sistema elimina o gás muito mais rapidamente do que consegue transformá-lo em novas estrelas, comprometendo a continuidade desse processo ao longo do tempo.

A líder do estudo, Rebecca Davies, da Swinburne University of Technology, na Austrália, detalhou a proporção avassaladora desse fenômeno: “A galáxia tem um vento poderoso que ejeta material duas vezes mais rápido do que a galáxia forma estrelas.”

Dados do telescópio James Webb registram um vento galáctico violento que esvazia o gás de sistemas logo após o Big Bang, interrompendo novas estrelas.
Dados do telescópio James Webb registram um vento galáctico violento que esvazia o gás de sistemas logo após o Big Bang, interrompendo novas estrelas. Fonte: Joshua Worth via licença Creative Commons CC-BY.

A dinâmica violenta das colisões e supernovas

Esse processo drástico não surge de forma tranquila, estando diretamente conectado ao ambiente caótico das fusões galácticas. Quando duas estruturas celestes se chocam no espaço profundo, ocorre uma explosão inicial e intensa de formação de estrelas em um curto período de tempo.

Contudo, essa hiperatividade cobra um preço alto: as estrelas mais massivas morrem rapidamente e explodem como supernovas. Esse vai e vem constante de energia acumula força suficiente para empurrar o gás restante para fora do sistema, fazendo com que a galáxia perca de vez a capacidade de continuar gerando corpos celestes.

Os riscos futuros e a estabilidade do feedback cósmico

Os pesquisadores alertam que, se esse fluxo de ejeção de combustível continuar no mesmo ritmo, o sistema CRISTAL-02 pode ficar completamente sem gás em menos de 100 milhões de anos — um intervalo de tempo extremamente curto dentro da escala cósmica.

Além disso, a comunidade científica levanta a hipótese de que parte desses ventos destrutivos também possa ter origem em buracos negros ativos, o que tornaria o efeito de dispersão ainda mais duradouro. O avanço desse estudo foi celebrado por Andreas Faisst, pesquisador do Caltech, em entrevista ao Live Science:

“Não sabemos muito sobre como as primeiras galáxias pararam de formar estrelas. Este trabalho mostra diretamente esse processo em ação.” Para concluir o cenário, a equipe internacional comparou o CRISTAL-02 com outros 99 casos semelhantes observados ao longo de 12 bilhões de anos.

O resultado chamou a atenção por mostrar que esse tipo de “feedback galáctico” mantém uma eficiência relativamente estável e regular ao longo da história do Universo, mesmo com as galáxias mudando completamente de estrutura com o passar das eras.

Com informações do Olhar Digital

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Andriely Medeiros de Araújo

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