Um único navio vindo da China desembarcou 5.101 carros elétricos em Paranaguá, na maior operação já registrada pelo Porto. Entenda como foi feita.
O Porto de Paranaguá, no Paraná, viveu na última terça-feira (5 de maio de 2026) a maior operação de desembarque de veículos de sua história. Um único navio procedente da China atracou no terminal com 5.101 carros elétricos a bordo. Segundo o site do Governo do Paraná, a operação durou 24 horas e mobilizou aproximadamente 350 trabalhadores distribuídos em diferentes turnos, sob a coordenação da Ascensus Gestão e Participações, empresa especializada nesse tipo de carga.
O navio que fez história em Paranaguá
A embarcação responsável pelo feito é o Saic Anji Harmony, de bandeira liberiana, lançado em 2024. Trata-se de um dos maiores navios cargueiros de veículos em operação no mundo, com capacidade para transportar até 7.660 unidades simultaneamente.

Além do porte impressionante, a embarcação chama atenção pelo perfil ambiental: é movida a Gás Natural Liquefeito (GNL), combustível que emite menos poluentes do que os derivados de petróleo convencionais — uma característica cada vez mais valorizada no setor portuário.
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Setor automotivo em alta: movimentação dobrou em um ano
O desembarque recorde não é um episódio isolado. Em março de 2025, outra operação de grande escala já havia movimentado 3.370 veículos elétricos em Paranaguá. E os números do acumulado do ano revelam uma expansão acelerada do segmento.
Somente no primeiro trimestre de 2026, o porto registrou a movimentação de mais de 20,9 mil veículos — entre elétricos e de combustão —, volume 100% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O crescimento dobrou em apenas doze meses.

Atualmente, Paranaguá conta com cinco linhas marítimas do segmento automotivo em operação, consolidando-se entre os principais portos brasileiros na movimentação de cargas rolantes.
Infraestrutura e mão de obra: os diferenciais que explicam o recorde
Para o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o desempenho histórico tem raízes bem definidas. Segundo ele, a eficiência operacional — desde a chegada das embarcações até o encerramento das operações de carga e descarga — é o alicerce dos resultados.
Garcia também destacou a qualidade dos profissionais envolvidos: “A mão de obra reúne centenas de profissionais reconhecidos pelas empresas do setor como os mais cuidadosos do País”, afirmou.

O diretor da Ascensus reforça esse ponto e acrescenta outro elemento-chave da operação: a infraestrutura física do porto. Paranaguá dispõe de um berço exclusivo para navios do tipo Ro-Ro — sigla em inglês para embarcações que permitem o embarque e desembarque de veículos diretamente pela rampa, sem uso de guindastes.
Esse berço dedicado elimina a concorrência com outros tipos de carga, reduz o tempo de espera das embarcações e torna todo o processo mais ágil e previsível.
Porto adota plano de descarbonização e prioriza navios sustentáveis
O compromisso ambiental também entrou na estratégia do porto. Em março de 2026, a Portos do Paraná lançou o seu Plano de Descarbonização, elaborado pela Fundación Valenciaport, entidade vinculada ao Porto de Valência, na Espanha.
O plano prevê um conjunto de ações voltadas à redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) nas operações portuárias. Entre as medidas já em vigor, destacam-se:
- Prioridade de atracação para navios com melhor desempenho ambiental;
- Incentivo ao uso de embarcações movidas a combustíveis menos poluentes, como o GNL;
- Aplicação das diretrizes previstas no Regulamento de Programação, Operações e Atracações de Navios (edição 2023), que formaliza os critérios ambientais na programação das atracações.
A chegada do Saic Anji Harmony — movido a GNL e responsável pelo recorde histórico — ilustra na prática como sustentabilidade e eficiência podem caminhar juntas nas operações portuárias brasileiras.
Com informações do site do Governo do Paraná
