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Israel transforma rochas trituradas em uma “bateria de pedra” para fábricas, aquece o material a centenas de graus, guarda energia como calor e libera vapor industrial quando o sol e o vento desaparecem

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/07/2026 às 16:18
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bateria térmica com rochas trituradas para armazenar calor, gerar vapor industrial limpo e reduzir o uso de gás natural
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Empresa de Israel criou bateria térmica com rochas trituradas para armazenar calor, gerar vapor industrial limpo e reduzir o uso de gás natural na indústria.

Em vez de seguir o caminho das baterias de lítio, uma empresa de Israel decidiu apostar no calor como forma de armazenamento energético. A Brenmiller Energy desenvolveu a bGen, uma bateria térmica que usa rochas trituradas para guardar energia e depois entregá-la como vapor industrial, água quente ou ar quente em processos produtivos.

A proposta mira um dos pontos mais difíceis da transição energética: substituir o calor gerado por gás natural, óleo combustível e carvão em setores industriais que precisam de fornecimento térmico contínuo. Em vez de queimar combustíveis fósseis, o sistema pode ser carregado com eletricidade renovável, energia da rede em horários de menor custo ou até calor residual de processos industriais.

Como a bateria térmica com rochas trituradas armazena calor para uso industrial

Ao contrário de uma bateria eletroquímica, a bGen não armazena eletricidade diretamente. O sistema converte energia elétrica em calor e transfere esse calor para um meio sólido formado por rochas trituradas, mantidas dentro de módulos altamente isolados.

Empresa de Israel criou bateria térmica com rochas trituradas para armazenar calor, gerar vapor industrial limpo e reduzir o uso de gás natural na indústria.
esquema de funcionamento da Brenmiller Energy bgen – Divulgação

Quando a fábrica precisa de energia térmica, água ou outro fluido passa pelo sistema e recebe esse calor armazenado. A partir daí, a instalação pode fornecer vapor industrial, água quente ou ar quente de forma controlada, sem depender da combustão direta de combustíveis fósseis no ponto de consumo.

A empresa apresenta a tecnologia como uma solução voltada à operação contínua da indústria, com armazenamento térmico por horas ou até dias, dependendo da configuração do projeto. Isso permite deslocar o uso de eletricidade para janelas mais baratas ou mais limpas e usar o calor depois, quando a planta realmente precisa produzir.

Rochas abundantes substituem metais críticos e ampliam o apelo industrial da tecnologia

Um dos principais argumentos da Brenmiller é a escolha do material de armazenamento. Em vez de depender de lítio, níquel ou cobalto, o sistema usa rochas trituradas, um insumo muito mais abundante e com menor exposição às tensões das cadeias globais de minerais críticos.

A companhia também sustenta que a tecnologia foi desenhada para vida útil longa em aplicações industriais pesadas.

No material institucional, a Brenmiller descreve a bGen como uma plataforma voltada à descarbonização do calor industrial com estabilidade operacional e uso de componentes adequados a ambientes fabris de alta demanda.

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Esse posicionamento ajuda a explicar por que a solução ganhou espaço em setores que não precisam apenas de eletricidade, mas de calor firme, previsível e em grande volume. Na prática, é esse tipo de demanda que sustenta processos em fábricas de alimentos, bebidas, papel, químicos e outros segmentos intensivos em vapor.

Projeto da Tempo em Israel virou a principal vitrine comercial da bateria de pedra

A aplicação mais emblemática da tecnologia hoje está na Tempo Beverages, em Netanya, Israel. No projeto, a Brenmiller instalou um sistema com 32 MWh de armazenamento térmico, carregamento elétrico de 5,6 MW a partir de energia solar fotovoltaica e eletricidade da rede, e capacidade de entrega de até 14 toneladas de vapor por hora a 7 bar.

Segundo a empresa, o sistema foi projetado para substituir caldeiras fósseis e gerar vapor de processo para a fábrica de bebidas.

A própria Brenmiller afirma que a instalação deve mitigar mais de 6.200 toneladas de emissões de carbono por ano, transformando o projeto em referência para descarbonização industrial baseada em calor limpo.

Empresa de Israel criou bateria térmica com rochas trituradas para armazenar calor, gerar vapor industrial limpo e reduzir o uso de gás natural na indústria.
Empresa de Israel criou bateria térmica com rochas trituradas para armazenar calor, gerar vapor industrial limpo e reduzir o uso de gás natural na indústria.

O avanço comercial entrou em uma nova fase em 1º de junho de 2026, quando a companhia anunciou que o sistema da Tempo havia começado a fornecer vapor durante a fase de comissionamento. A empresa descreveu o marco como uma etapa importante para validar a plataforma em condições reais de operação industrial.

Hospitais, usinas e fábricas em outros países também entraram na rota da Brenmiller

A expansão da tecnologia não ficou restrita à planta da Tempo. Na página oficial de projetos, a Brenmiller lista uma instalação no Wolfson Hospital, em Holon, Israel, com 12 MWh de armazenamento térmico, 2 MW de carregamento elétrico em horário fora de pico e produção de até 5 toneladas de vapor por hora a 7 bar.

A empresa também informa um projeto com a Enel, em Santa Barbara, na Itália, com 24 MWh de capacidade térmica, além de um projeto da PPF em Dombóvár, na Hungria, com 30 MWh e despacho de vapor saturado para calor de processo.

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No Brasil, a companhia lista uma instalação da Fortlev, em Anápolis, Goiás, com 4 MWh de armazenamento térmico.

Nesse caso, o sistema é carregado com calor de gases de combustão de biomassa e descarrega ar quente a 400 °C para processamento industrial, mostrando que a tecnologia também pode ser usada para reaproveitamento térmico, e não apenas para eletrificação direta do calor.

Bateria térmica tenta cortar a dependência do gás natural no calor industrial

Grande parte da indústria mundial depende de vapor para esterilização, aquecimento, secagem e transformação de matérias-primas. Tradicionalmente, esse vapor é produzido em caldeiras movidas por combustíveis fósseis, o que mantém custos energéticos elevados e dificulta a redução de emissões.

A lógica da bateria térmica é inverter essa dependência. Quando há energia renovável disponível ou eletricidade mais barata na rede, o sistema carrega as rochas com calor. Mais tarde, esse calor pode ser liberado sob demanda, permitindo que a fábrica use vapor sem precisar queimar combustível naquele momento.

Esse arranjo tornou a tecnologia especialmente relevante no debate sobre descarbonização do calor industrial, uma frente que costuma receber menos atenção do que a eletrificação de carros ou a expansão da energia solar, mas que continua central para a redução das emissões da indústria pesada e manufatureira.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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