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Jogada de mestre da China: planta capaz de rebrotar mesmo soterrada pela areia ajuda a recuperar mais de 7.300 hectares do deserto com 5 milhões de mudas, raízes acima de 10 metros e chuva inferior a 150 mm por ano

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 09/07/2026 às 15:24 Atualizado em 09/07/2026 às 15:26
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Espécie resistente ao soterramento chama atenção em projeto chinês contra a desertificação, ao combinar raízes profundas, sobrevivência em ambiente seco e participação de moradores locais em uma área marcada por pouca chuva, dunas móveis e desafios constantes para manter vegetação no solo.

Usada em ações de controle da desertificação no Deserto de Tengger, na Mongólia Interior, a Hedysarum scoparium, conhecida na China como Huabang, ajudou a formar uma área com mais de 5 milhões de plantas ao longo de oito anos.

Relatada pela CCTV+ e reproduzida pelo portal Orient em 19 de junho de 2026, a iniciativa alcançou mais de 7.300 hectares em uma região onde a precipitação anual fica abaixo de 150 milímetros, condição que limita o crescimento de muitas espécies.

Entre os responsáveis pelo avanço do plantio está Lei Xingguang, morador local descrito pela reportagem como um pastor que passou a cultivar o arbusto e, desde 2018, organizou uma cooperativa com famílias de pastores da região.

Com a ampliação do trabalho, o cultivo deixou de ser uma ação isolada e passou a ocupar áreas vulneráveis ao deslocamento de dunas, onde a vegetação resistente pode ajudar a reduzir a instabilidade do solo arenoso.

O destaque da espécie está na capacidade de suportar soterramento, seca intensa e solos móveis, fatores que costumam dificultar a sobrevivência de plantas em desertos e tornam a escolha da vegetação decisiva para projetos de restauração.

Segundo Lei, a Huabang consegue emitir novos brotos mesmo quando é coberta pela areia, enquanto suas raízes podem se espalhar lateralmente por mais de 10 metros e contribuir para prender o solo.

Huabang ajuda a conter o avanço da areia

No controle da desertificação, o uso da Huabang não transforma o deserto de forma imediata, mas cria áreas vegetadas que diminuem a movimentação da areia pelo vento e favorecem a estabilização gradual da superfície.

Esse tipo de cobertura vegetal pode abrir caminho para novas etapas de recuperação ambiental, desde que o manejo seja mantido e as condições locais permitam a sobrevivência das mudas plantadas em áreas de baixa umidade.

Dentro da experiência relatada pela CCTV+, o plantio avançou de áreas iniciais para uma extensão contínua de milhares de hectares, acompanhando a adaptação das técnicas usadas no terreno ao longo dos anos.

A partir de 2023, Lei passou a utilizar um método de plantio por perfuração hidráulica, apontado na reportagem como uma das mudanças adotadas para aperfeiçoar o trabalho em zonas secas e arenosas.

Por tolerar pouca água e se adaptar a ambientes de areia móvel, a planta atua como uma barreira natural contra a erosão, reduzindo a exposição do solo em pontos mais sujeitos à ação dos ventos.

Deserto de Tengger reúne condições extremas

Localizado no norte da China, o Deserto de Tengger se estende por áreas da Mongólia Interior e de Ningxia, em uma região marcada por baixa precipitação, dunas móveis e grande dificuldade para manter vegetação permanente.

Com base na CCTV+, a reportagem do Orient descreve o Tengger como um dos maiores desertos chineses, com cerca de 43 mil quilômetros quadrados e chuvas anuais inferiores a 150 milímetros.

Nesse cenário, projetos de restauração dependem de espécies nativas ou adaptadas, já que plantas que exigem irrigação constante tendem a ter menor viabilidade em áreas onde a água disponível é limitada.

A margem sudeste do Tengger também aparece em pesquisas sobre vegetação artificial de fixação de areia, especialmente em Shapotou, área usada como referência científica para analisar o comportamento de espécies em ambientes áridos.

Publicado em 15 de abril de 2019 no Journal of Mountain Science, um estudo avaliou estratégias de uso de água de três espécies em Shapotou, incluindo a Hedysarum scoparium, em vegetação artificial de fixação de areia no noroeste da China.

A pesquisa indicou que plantas usadas para fixar areia conseguem ajustar o uso de água conforme as condições ambientais, reforçando a relevância de arbustos nativos sem irrigação permanente em áreas degradadas.

Embora não trate da cooperativa de Lei, o estudo ajuda a contextualizar por que a Huabang é considerada adequada para iniciativas de restauração em regiões secas, onde raízes, adaptação e sobrevivência determinam o resultado.

Recuperação ambiental gera renda local

Além do efeito ambiental, a iniciativa relatada pela CCTV+ passou a gerar renda para famílias ligadas à cooperativa, conectando a recuperação do solo à produção de mudas, sementes e manejo da vegetação.

Segundo a reportagem, os ganhos dos participantes aumentaram de cinco a seis vezes, enquanto uma família obteve mais de 100 mil yuans em um ano com a venda de sementes de Huabang.

Ao criar uma atividade econômica associada ao plantio, o projeto reduz a dependência de ações pontuais e envolve moradores em uma cadeia local voltada ao cultivo, fornecimento de sementes e manutenção da vegetação.

Também segundo a reportagem, mais de 220 mil hectares de vegetação resistente à seca já foram plantados na borda sudeste do Tengger em áreas destinadas ao controle da desertificação.

Esse número amplia o contexto da cooperativa e mostra que o uso da Huabang faz parte de um esforço regional maior, voltado a reduzir a mobilidade da areia e recuperar áreas pressionadas pela desertificação.

Manejo define o alcance da recuperação

Recuperar áreas desérticas exige mais do que multiplicar mudas em grande escala, pois a sobrevivência da vegetação depende da escolha das espécies, do acompanhamento do solo e da adaptação das técnicas de plantio.

No caso da Huabang, a combinação entre resistência à seca, rebrote após soterramento e raízes extensas ajuda a explicar o interesse pelo arbusto em projetos voltados à fixação da areia.

Mesmo com resultados expressivos, o impacto depende de manejo contínuo e das condições de cada área degradada, já que solos frágeis respondem de formas diferentes ao plantio e à presença de vegetação permanente.

A experiência no Tengger mostra como soluções ecológicas podem se conectar ao conhecimento local e à geração de renda, sem depender apenas de intervenções isoladas em regiões afetadas pela desertificação.

Em áreas onde a chuva é escassa e a areia se desloca com facilidade, plantas adaptadas como a Huabang oferecem uma alternativa prática para estabilizar o solo e reduzir o avanço de terrenos degradados.

Se um arbusto resistente conseguiu ajudar a formar milhares de hectares de vegetação em uma das regiões mais secas da China, que outras áreas ameaçadas pela desertificação poderiam se beneficiar de estratégias parecidas?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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