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Moradora de comunidade rural em Minas Gerais construiu a própria casa de terra, aprendeu a usar adobe, pau a pique e bambu e virou mestra de oficinas que agora ajudam a erguer escola, cozinha industrial, casa de sementes, loja de artesanato e quarto para visitantes

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 26/06/2026 às 17:54 Atualizado em 26/06/2026 às 17:56
Moradora de comunidade rural em Minas Gerais construiu a própria casa de terra
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Casa de terra em Minas Gerais une adobe, pau a pique e bambu em oficinas que preservam saberes locais e ajudam a preparar escola, cozinha, sementes e artesanato

Júlia Rodrigues da Cunha construiu a própria casa de terra na Serra da Bicha, comunidade rural de Serro, em Minas Gerais. O conhecimento aprendido com moradores mais velhos levou Júlia a se tornar mestra em oficinas de construção com terra.

A informação foi publicada por CAU/MG, conselho profissional de arquitetura e urbanismo de Minas Gerais, em 16 de abril de 2024. Naquele registro, o centro comunitário entrava em sua segunda etapa de construção.

O espaço foi planejado para receber escola de educação de jovens e adultos, cozinha industrial, casa de sementes, loja de artesanato e quarto para visitantes. A obra também aproxima moradores de técnicas como adobe, pau a pique e bambu.

Serra da Bicha fica em Serro e reúne conhecimento passado entre gerações

A Serra da Bicha fica na zona rural de Serro, em Minas Gerais. As oficinas de construção com terra unem práticas aprendidas dentro da comunidade e materiais que podem aumentar a vida útil das casas.

Casa de terra em Minas Gerais une adobe, pau a pique e bambu em oficinas que preservam saberes locais
Casa de terra em Minas Gerais une adobe, pau a pique e bambu em oficinas que preservam saberes locais

Desde 2022, a arquiteta Marcela Bergamini participa de oficinas que aproximam técnicas tradicionais e novos cuidados na construção. O trabalho envolve moradores que já conheciam a terra como material de casa e outras pessoas que passaram a aprender com eles.

Júlia é uma dessas moradoras. Ela construiu a própria moradia e se tornou parte importante das oficinas, mostrando que o conhecimento da comunidade tem valor prático para construir e cuidar das paredes.

“Eu sou como um passarinho desta comunidade. Aqui, nós todos somos”, afirmou Júlia ao falar sobre o saber compartilhado entre os moradores.

Adobe, pau a pique e bambu ajudam a levantar espaços de uso coletivo

O adobe é um bloco feito com terra moldada e deixada para secar. O pau a pique usa uma estrutura preenchida com barro, enquanto o bambu pode participar da sustentação e do acabamento de partes da construção.

Adobe, pau a pique e bambu ajudam a levantar espaços de uso coletivo
Adobe, pau a pique e bambu ajudam a levantar espaços de uso coletivo

Essas técnicas aparecem nas oficinas ligadas ao centro comunitário da Serra da Bicha. A ideia não envolve apenas levantar paredes, mas criar um local que apoie educação, produção artesanal, preparo de alimentos e guarda de sementes.

A escola de educação de jovens e adultos foi incluída no planejamento do espaço. A cozinha industrial, a casa de sementes e a loja de artesanato ampliam as possibilidades de trabalho e organização dentro da comunidade.

O quarto para visitantes também faz parte da proposta. O centro comunitário foi pensado como um lugar de encontro, aprendizado e apoio para moradores da região.

Casa de terra pode ser mais fresca no calor, mas não pode esconder a falta de escolhas

As casas de terra ajudam a regular a temperatura e a umidade no ambiente interno. Moradores da Serra da Bicha relatam que as paredes de barro deixam os cômodos mais frescos no verão e mais acolhedores no inverno.

Esse conforto depende de uma obra bem feita. Tipo de solo, espessura das paredes, proteção contra água e qualidade do telhado influenciam no resultado dentro da casa.

A construção com terra também não deve ser tratada como simples moda ou decoração. Para muitas famílias rurais, usar barro para construir foi uma necessidade diante da falta de recursos e de alternativas para erguer uma moradia.

A história de Júlia mostra o valor desse saber sem transformar dificuldades em enfeite. A terra pode oferecer conforto, mas exige trabalho, planejamento e respeito pela realidade de cada família.

Solo, secagem e proteção contra água evitam rachaduras nas paredes

A terra não tem a mesma composição do cimento. Cada tipo de solo reage de um jeito, por isso é preciso fazer testes antes de decidir como a parede será construída.

As casas de terra ajudam a regular a temperatura e a umidade no ambiente interno
As casas de terra ajudam a regular a temperatura e a umidade no ambiente interno

Quando o barro seca rápido demais, ele pode encolher e formar rachaduras. Os blocos de terra também precisam de proteção contra umidade, pois a água pode comprometer a resistência da construção.

A autoconstrução acontece quando o próprio morador participa da obra da casa. Essa prática pode fortalecer a autonomia da família, mas pede orientação de pessoas experientes para evitar problemas na fundação, no telhado e nas paredes.

A assistência qualificada faz diferença porque ajuda a escolher os materiais e a técnica mais segura para cada terreno. Não basta usar terra, é preciso entender como cuidar dela.

Centro comunitário estava na segunda etapa em abril de 2024

O centro comunitário da Serra da Bicha ainda estava em construção no registro publicado em 16 de abril de 2024. A primeira etapa reuniu fundação, estrutura e telhado.

CAU/MG, conselho profissional de arquitetura e urbanismo de Minas Gerais, registrou que as oficinas formativas fazem parte do Canteiro Escola da Serra da Bicha. A obra entrou na segunda etapa com a proposta de ampliar os espaços pensados para a comunidade.

A situação registrada naquele momento não apresentava o centro como obra concluída. A escola, a cozinha industrial, a casa de sementes, a loja de artesanato e o quarto para visitantes faziam parte do planejamento do local.

O cuidado com esse detalhe é importante. Uma construção comunitária precisa ser entendida pelo seu estágio real, sem tratar uma obra em andamento como espaço pronto para uso.

Oficinas valorizam moradores e ajudam a cuidar melhor das casas de terra

As oficinas fortalecem quem já conhece as técnicas de adobe, bambu e pau a pique. Júlia representa essa troca entre moradores que dominam práticas tradicionais e profissionais que levam novos cuidados para a obra.

O aprendizado pode ajudar a aumentar a durabilidade das casas de terra. Técnicas e materiais atuais entram no processo para melhorar a proteção das paredes sem apagar o conhecimento construído pelas famílias ao longo do tempo.

A casa de terra em Minas Gerais deixa de ser apenas uma moradia quando vira ponto de partida para escola, sementes, artesanato e novas formas de trabalho coletivo. O maior valor está no uso prático que a comunidade dá a esse conhecimento.

A trajetória de Júlia reforça que construir com terra não é improvisar. É aprender a escolher o solo, preparar o material, proteger a parede da água e manter vivo um saber que ajuda moradores a continuar em seu próprio território.

Você acredita que conhecimentos tradicionais, unidos a orientação técnica, podem ajudar comunidades a construir casas e espaços coletivos mais seguros? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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