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Vulcão equatoriano de 6.268 metros está mais de 2 mil metros mais perto do espaço do que o Everest, que tem 8.848 metros, porque a Terra é mais larga na linha do equador

Publicado em 21/06/2026 às 00:06
Atualizado em 21/06/2026 às 00:08
O vulcão Chimborazo, no Equador, está mais perto do espaço que o Everest porque a Terra é mais larga na linha do equador; entenda esse fenômeno.
O vulcão Chimborazo, no Equador, está mais perto do espaço que o Everest porque a Terra é mais larga na linha do equador; entenda esse fenômeno.
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Mesmo sendo bem mais baixo que o Everest, o Chimborazo tem o cume mais distante do centro do planeta, segundo o Guinness World Records. Como a Terra é achatada nos polos e mais larga no equador, o vulcão fica mais perto do espaço e vira o ponto mais próximo das estrelas.

Um vulcão no Equador com 6.268 metros de altura está mais de 2 mil metros mais perto do espaço do que o Everest, que tem 8.848 metros, porque a Terra é mais larga na linha do equador. O detalhe contraria a intuição, já que o Everest segue sendo a montanha mais alta do mundo, mas não a mais próxima das estrelas.

Segundo o Guinness World Records, o vulcão Chimborazo, no Equador, ocupa esse posto no lugar do famoso pico do Himalaia. Apesar de ter 6.268 metros e ser menor que o Everest, que chega a 8.848 metros acima do nível do mar, o Chimborazo tem o topo mais distante do centro da Terra do que qualquer outra montanha. Isso acontece porque o planeta não é uma esfera perfeitamente redonda, e sim um pouco mais largo na Linha do Equador por causa da rotação, e o vulcão está bem próximo dessa região. A NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, confirma o fato e classifica o cume como o ponto da Terra mais perto do espaço.

Por que o Chimborazo está mais perto do espaço

NASA/Bill Brockett
Vulcão Chimborazo surge entre as nuvens ao lado da nuvem de cinzas do Tungurahua
NASA/Bill Brockett
Vulcão Chimborazo surge entre as nuvens ao lado da nuvem de cinzas do Tungurahua

A explicação para a curiosidade está no formato do planeta. A Terra não é uma esfera perfeitamente redonda, mas é um pouco mais larga na Linha do Equador por causa da sua rotação e, como o Chimborazo está muito próximo dessa faixa, ele aproveita essa elevação natural do planeta para chegar mais perto do espaço.

A NOAA confirma o fenômeno: o topo do vulcão fica mais de dois mil metros mais distante do centro da Terra do que o cume do Everest. Localizado a apenas um grau ao sul do Equador, onde a protuberância do planeta é maior, nenhuma outra montanha chega tão longe do centro e, portanto, tão perto do espaço, o que faz dele, para a agência americana:

“o ponto da Terra mais próximo das estrelas.”

Everest segue sendo o mais alto acima do mar

 (Nepal Pyramids/Unsplash)
 

Leia mais em: https://super.abril.com.br/ciencia/monte-everest-cresce-86-cm-na-medicao-oficial/
 (Nepal Pyramids/Unsplash)
Leia mais em: https://super.abril.com.br/ciencia/monte-everest-cresce-86-cm-na-medicao-oficial/

Nada disso tira do Everest o seu principal título. Localizada entre o Nepal e o Tibete, a montanha continua sendo a mais alta do mundo quando a comparação é feita pelo nível do mar, com 8.848 metros, contra os 6.268 metros do Chimborazo.

O ponto é que as duas montanhas respondem a perguntas diferentes. O Everest é o mais alto acima do nível do mar, enquanto o Chimborazo é o mais distante do centro da Terra e, por isso, o mais perto do espaço, de modo que a aparente contradição desaparece quando se entende que ser o mais alto depende do ponto de referência usado.

Chimborazo já foi tido como a montanha mais alta

A relação do Chimborazo com recordes é antiga. A montanha fica a cerca de 158 quilômetros ao sul da Linha do Equador e faz parte da cordilheira dos Andes e, no começo do século XIX, chegou a ser considerada a mais alta do mundo, muito antes de ganhar o atual posto de ponto mais próximo do espaço.

Em 1802, o naturalista alemão Alexander von Humboldt tentou chegar ao topo e não conseguiu concluir a subida, mas alcançou cerca de 6.100 metros de altitude, algo impressionante para a época. A primeira subida registrada até o cume aconteceu apenas em 1880, concluída por Edward Whymper e pelos irmãos Louis e Jean-Antoine Carrel.

Mauna Kea, o mais alto da base ao topo

Para complicar ainda mais o ranking, existe um terceiro jeito de medir uma montanha, e nele nem o Everest nem o Chimborazo vencem. Quando a altura é contada da base até o topo, o recorde é do monte Mauna Kea, um vulcão havaiano dos Estados Unidos, mesmo que ele não seja o mais perto do espaço.

O Mauna Kea não é o mais alto acima do nível do mar porque grande parte dele está abaixo do Oceano Pacífico, mas, considerando toda a sua altura, da base ao cume, ele ultrapassa 10.210 metros. Em outras palavras, cada montanha guarda um recorde diferente conforme o critério, seja o nível do mar, a distância do centro da Terra ou a altura total.

A disputa pela montanha mais alta ou mais próxima do espaço mostra que a resposta depende inteiramente de como se mede. Pelo nível do mar, o Everest vence, com 8.848 metros; pela distância do centro da Terra, o título fica com o Chimborazo, no Equador, mais de 2 mil metros mais afastado graças à protuberância equatorial, o que faz dele, para o Guinness World Records e a NOAA, o ponto da Terra mais próximo das estrelas; e da base ao topo, o recorde é do havaiano Mauna Kea, com mais de 10.210 metros.

No fim, a curiosidade sobre o Chimborazo é menos um erro e mais um lembrete de que até algo tão sólido quanto uma montanha muda de lugar quando se troca o ponto de referência, e que estar mais perto do espaço é só uma das muitas formas de ser o mais alto.

E você, sabia que a montanha mais próxima do espaço não era o Everest? Qual desses recordes mais te surpreendeu? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre ciência e curiosidades do planeta.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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