Astrônomos descobrem dois exoplanetas gigantes com densidade extremamente baixa, comparável ao algodão-doce, e despertam interesse sobre a formação de exoplanetas.
Imagine um planeta quase do tamanho de Júpiter, mas tão leve que sua densidade pode ser comparada à de um algodão-doce. Foi justamente essa característica incomum que levou astrônomos a voltar a atenção para TOI-791 b e TOI-791 c, dois exoplanetas localizados a cerca de 1.110 anos-luz da Terra. A descoberta amplia o conhecimento sobre os chamados planetas superinflados, uma categoria extremamente rara e que ainda desafia as explicações da ciência.
O que faz esses exoplanetas gigantes serem tão diferentes?
Quando os pesquisadores analisaram os dados obtidos pelo satélite TESS, da NASA, perceberam que os dois mundos apresentavam uma combinação pouco comum: dimensões semelhantes às de Júpiter, mas uma massa muito inferior ao esperado para corpos desse porte.
Essa característica faz com que os exoplanetas tenham uma densidade excepcionalmente baixa, tornando-os os maiores objetos desse tipo já identificados pelos cientistas.
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Enquanto Júpiter é conhecido por sua enorme massa, TOI-791 b e TOI-791 c apresentam uma estrutura muito mais “inflada”, o que os coloca entre os casos mais incomuns já registrados pela astronomia.
Categoria reúne menos de 40 exoplanetas conhecidos
Apesar das milhares de descobertas realizadas nas últimas décadas, os planetas superinflados continuam sendo exceção. Atualmente, os astrônomos já confirmaram aproximadamente 6.300 exoplanetas fora do Sistema Solar.
No entanto, menos de 40 pertencem ao mesmo grupo de TOI-791 b e TOI-791 c, tornando cada nova identificação uma oportunidade importante para compreender como esses objetos se formam e evoluem. Os dois corpos celestes orbitam uma estrela localizada na constelação do Peixe Voador, no hemisfério sul celeste.

Composição ainda é um mistério para os pesquisadores
Embora a equipe responsável pelo estudo acredite que esses gigantes sejam formados principalmente por hidrogênio e hélio, ainda não há confirmação sobre sua estrutura interna.
Os cientistas pretendem utilizar o telescópio espacial James Webb para investigar a atmosfera desses mundos com maior precisão. A expectativa é descobrir quais elementos químicos predominam em sua composição e entender por que esses planetas desenvolveram uma densidade tão reduzida.
Outra hipótese que será analisada envolve a presença de diferentes camadas de nuvens, que podem alterar a aparência e até mesmo a coloração observada desses exoplanetas.
Descoberta pode ajudar a explicar como surgem mundos tão incomuns
A pesquisa, liderada por George Dransfield, da Universidade de Oxford, reforça que ainda existem muitos aspectos desconhecidos sobre a formação dos gigantes gasosos fora do Sistema Solar.
Segundo a equipe, a leveza desses planetas é tão incomum que sua densidade pode ser comparada à de uma espuma extremamente aerada. Essa característica faz de TOI-791 b e TOI-791 c importantes laboratórios naturais para testar teorias sobre a evolução dos exoplanetas.
A identificação de TOI-791 b e TOI-791 c representa mais do que o registro de dois novos exoplanetas. O estudo oferece uma oportunidade para compreender processos ainda pouco conhecidos sobre a formação e a evolução dos chamados planetas superinflados.
Como esse tipo de objeto é extremamente raro, cada nova descoberta fornece informações importantes para que os astrônomos aprimorem os modelos que explicam a origem dos sistemas planetários fora do Sistema Solar.
As futuras observações poderão esclarecer por que esses planetas gigantes conseguiram atingir dimensões comparáveis às de Júpiter sem adquirir uma massa proporcional, tornando-se alguns dos corpos celestes mais incomuns já encontrados pela astronomia moderna.
Com informações do Olhar Digital
