Militares dos EUA visitam Belarus para acompanhar os testes da Rússia com mísseis, em meio aos exercícios Zapad-2025.
Dois oficiais norte-americanos desembarcaram em Belarus nesta segunda-feira (15/09/25) para acompanhar de perto os exercícios militares realizados em parceria com a Rússia, em um movimento inesperado que reforça a aproximação de Minsk com o Ocidente.
A visita, organizada pelo Ministério da Defesa bielorrusso, ocorreu em meio às tensões crescentes entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Durante os testes, a Rússia realizou o disparo de um míssil Kalibr a partir de um submarino nuclear no Mar de Barents, ampliando o alerta internacional sobre a escalada militar na região.
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Belarus convida militares dos EUA para vistoria inédita
Os militares dos EUA chegaram a Minsk sob convite direto do ministro da Defesa de Belarus, Viktor Khrenin. Embora o país seja um dos aliados mais próximos de Moscou, o gesto surpreendeu pela transparência anunciada.
“Mostraremos o que for do seu interesse. O que vocês quiserem. Podem ir lá e ver, conversar com as pessoas”, afirmou Khrenin, destacando a abertura inédita ao diálogo.
Segundo o Ministério da Defesa, além dos norte-americanos, representantes de outros 23 países — incluindo membros da Otan — foram convidados a observar os exercícios conjuntos, batizados de Zapad-2025.
Testes da Rússia com novos mísseis ampliam tensão
Enquanto os oficiais norte-americanos estavam em Belarus, a Rússia realizou testes de mísseis estratégicos. O disparo ocorreu a partir do submarino nuclear Arkhangelsk, utilizando o míssil Kalibr contra um alvo no Mar de Barents.
O anúncio foi feito pela agência Interfax, que destacou o sucesso do lançamento submerso.
Esses testes da Rússia reforçam o poderio militar de Moscou em um momento delicado para a segurança europeia, principalmente após incidentes envolvendo drones russos no espaço aéreo da Polônia, país-membro da Otan.
Belarus entre Moscou e Washington
A presença de militares norte-americanos em Belarus simboliza uma mudança estratégica. O país, que permitiu à Rússia utilizar seu território para a invasão da Ucrânia em 2022, tem buscado amenizar seu isolamento internacional.
As duras sanções aplicadas pelos EUA e pela União Europeia tornaram Minsk ainda mais dependente de Moscou.
No entanto, o presidente Alexandr Lukashenko tenta reduzir essa pressão por meio de gestos diplomáticos.
Na semana passada, o emissário norte-americano John Coale, ligado ao governo Donald Trump, esteve em Minsk para negociações.
Lukashenko concordou em libertar 52 presos, incluindo jornalistas e opositores, em troca do alívio de sanções sobre a companhia aérea estatal Belavia.
Sinais de aproximação com os EUA
O governo Trump já sinalizou o desejo de reabrir a embaixada norte-americana em Minsk e retomar relações comerciais.
Em carta enviada recentemente a Lukashenko, Trump expressou intenção de fortalecer os laços e até de envolver Belarus nas discussões sobre o fim da guerra na Ucrânia.
Esse movimento coloca o país em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que continua sendo aliado histórico da Rússia, Belarus passa a se aproximar dos Estados Unidos, em busca de equilíbrio político e econômico.
O impacto geopolítico dos exercícios Zapad-2025
Os exercícios Zapad-2025, que incluem testes da Rússia com mísseis e manobras conjuntas com Belarus, acontecem em um cenário de crescente rivalidade entre Moscou e a Otan.
Após a violação do espaço aéreo polonês por drones russos, a aliança ocidental reforçou suas fronteiras no Leste Europeu.
A visita de militares norte-americanos a Belarus, em plena execução das manobras, representa mais do que um gesto diplomático: é uma tentativa de monitorar de perto os avanços estratégicos russos.

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