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Austrália prepara até 8 submarinos de propulsão nuclear para patrulhar em silêncio o Indo-Pacífico, ergue uma cadeia naval bilionária pelo AUKUS e entra pela primeira vez no clube das máquinas capazes de passar meses submersas sem vir à tona

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 05/07/2026 às 13:42
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Austrália avança no programa AUKUS, planeja operar até 8 submarinos nucleares e constrói uma nova indústria naval bilionária.

A Austrália está conduzindo a maior transformação militar de sua história moderna. Após décadas operando apenas submarinos convencionais movidos a diesel e eletricidade, o país iniciou um programa estratégico que pretende colocá-lo entre as poucas nações do planeta capazes de construir e operar submarinos de propulsão nuclear.

O projeto integra o acordo AUKUS, firmado entre Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, e prevê a aquisição de uma frota de até oito submarinos nucleares armados convencionalmente, capazes de permanecer submersos durante meses, navegar por enormes distâncias e ampliar significativamente a presença australiana em uma das regiões mais disputadas do planeta: o Indo-Pacífico.

Austrália quer operar até oito submarinos nucleares e mudar sua capacidade de patrulhamento no Indo-Pacífico

Atualmente, a Austrália opera a classe Collins, composta por submarinos convencionais diesel-elétricos em serviço desde a década de 1990. Com o AUKUS, o objetivo é dar um salto tecnológico sem precedentes.

Segundo a Australian Submarine Agency, a Austrália pretende operar uma frota de submarinos de propulsão nuclear que substituirá progressivamente a classe Collins, permitindo missões de muito maior duração e alcance.

Austrália quer operar até oito submarinos nucleares e mudar sua capacidade de patrulhamento no Indo-Pacífico
Austrália quer operar até oito submarinos nucleares e mudar sua capacidade de patrulhamento no Indo-Pacífico

De acordo com documentos oficiais do acordo AUKUS, a meta australiana é possuir pelo menos oito submarinos nucleares armados convencionalmente, ampliando a capacidade de dissuasão marítima do país e fortalecendo sua presença estratégica no Indo-Pacífico.

Ao contrário dos submarinos convencionais, que precisam emergir ou utilizar snorkel periodicamente para recarregar baterias, embarcações nucleares podem permanecer submersas por períodos muito mais longos, limitadas principalmente por fatores logísticos, abastecimento de alimentos e necessidades da tripulação.

Primeiros submarinos australianos serão construídos em Adelaide e devem entrar em serviço no início da década de 2040

Segundo a Australian Submarine Agency, a construção do primeiro submarino australiano da futura classe SSN-AUKUS deverá começar em Adelaide, no estado da Austrália do Sul, antes do fim desta década.

O governo australiano prevê que a primeira unidade construída localmente seja entregue à Royal Australian Navy no início dos anos 2040.

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A nova infraestrutura será instalada em Osborne, região que está sendo transformada em um gigantesco complexo industrial naval.

Documentos divulgados pelo governo australiano mostram que a expansão do estaleiro integra um investimento estimado em dezenas de bilhões de dólares australianos, criando milhares de empregos altamente especializados ligados à indústria naval e nuclear.

Segundo informações divulgadas pela imprensa australiana, o complexo de Osborne deverá empregar cerca de 4 mil trabalhadores diretamente, podendo alcançar aproximadamente 5,5 mil pessoas durante os períodos de pico das obras.

Programa AUKUS prevê submarinos americanos antes da chegada da nova geração SSN-AUKUS

O plano australiano possui etapas intermediárias. Segundo o acordo anunciado pelo Australian Submarine Ageny em 2023, a Austrália deverá receber inicialmente três submarinos da classe Virginia, fabricados nos Estados Unidos, com possibilidade de aquisição de mais duas unidades, dependendo de aprovações futuras.

Essas embarcações funcionariam como uma solução de transição até a chegada dos submarinos SSN-AUKUS produzidos em território australiano.

O projeto SSN-AUKUS utilizará tecnologia britânica e norte-americana, incorporando sistemas de combate dos Estados Unidos e propulsão nuclear desenvolvida pela Rolls-Royce Submarines, segundo informações oficiais divulgadas pelo governo britânico e pela Australian Submarine Agency. Especialistas consideram essa uma das iniciativas industriais mais complexas já assumidas pela Austrália.

Submarinos nucleares representam um salto gigantesco em autonomia e permanência no mar

A principal diferença entre submarinos convencionais e nucleares está na forma de geração de energia. Enquanto embarcações diesel-elétricas dependem de combustível e recarga de baterias, os submarinos nucleares utilizam reatores capazes de produzir energia continuamente durante décadas.

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Segundo informações técnicas do programa SSN-AUKUS, os futuros submarinos australianos utilizarão reatores projetados para operar durante toda a vida útil da embarcação sem necessidade de reabastecimento nuclear.

Essa característica permite viagens extremamente longas, patrulhas prolongadas e maior capacidade de resposta em regiões afastadas do território nacional.

Em uma área marítima marcada pela crescente competição estratégica entre Estados Unidos e China, a capacidade de permanecer submerso por meses é vista por muitos analistas como um importante diferencial militar.

O AUKUS transformou a Austrália em um dos maiores projetos industriais do século XXI

O programa submarino australiano também possui dimensão econômica. Segundo estimativas divulgadas pela ABC Australia, o custo total associado ao AUKUS pode alcançar 368 bilhões de dólares australianos ao longo de aproximadamente três décadas, tornando-se um dos maiores investimentos industriais e militares já realizados pelo país.

A iniciativa envolve treinamento de pessoal, infraestrutura nuclear, expansão de estaleiros, cadeias de suprimentos, formação de engenheiros especializados e desenvolvimento de capacidades industriais inéditas para a Austrália.

O governo australiano considera o programa um investimento estratégico de longo prazo, enquanto críticos questionam prazos, custos e a capacidade do país de sustentar uma indústria tão complexa.

Independentemente do debate político, uma transformação já está em andamento. Pela primeira vez em sua história, a Austrália caminha para integrar um grupo extremamente restrito de países capazes de operar submarinos movidos por energia nuclear, máquinas que podem cruzar oceanos inteiros em silêncio e permanecer escondidas sob a superfície durante meses.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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