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Metade das obras públicas federais está parada no Brasil, levantamento do TCU expõe 11.469 construções abandonadas e mostra como bilhões já gastos ainda não viraram escola, hospital ou estrada pronta para a população

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 01/07/2026 às 17:39 Atualizado em 01/07/2026 às 17:41
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Levantamento do TCU mostra que uma em cada duas obras públicas financiadas com recursos federais está parada ou inacabada, com prejuízo bilionário e forte concentração em saúde e educação.
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Levantamento do TCU mostra que uma em cada duas obras públicas financiadas com recursos federais está parada ou inacabada, com prejuízo bilionário e forte concentração em saúde e educação.

O Brasil tinha, até abril de 2025, 11.469 obras públicas paralisadas entre 22.621 empreendimentos em andamento. O levantamento do Tribunal de Contas da União, citado pelo www12.senado.leg.br, mostra que uma em cada duas construções financiadas com recursos federais estava interrompida ou sem conclusão.

O retrato é ainda mais duro quando se olha para o dinheiro já gasto: R$ 15,9 bilhões foram investidos em empreendimentos que não chegaram ao fim. Em muitos casos, o resultado é uma estrutura abandonada, obras que se arrastam por anos e serviços que deixam de sair do papel.

Um dos exemplos mais simbólicos é a duplicação da BR-381, em Minas Gerais. Iniciada em 2015, a obra consumiu cerca de R$ 530 milhões e segue sem entrega efetiva, apesar de ser um dos corredores logísticos mais importantes do Sudeste.

Uma em cada duas obras federais ainda estava parada em abril de 2025

Obras de duplicação da BR-381, iniciadas em 2015, ainda não foram concluídas Divulgação/Arteris Fernão Dias e DIvulgação/PRF
Fonte: Agência Senado
Obras de duplicação da BR-381, iniciadas em 2015, ainda não foram concluídas Divulgação/Arteris Fernão Dias e DIvulgação/PRF
Fonte: Agência Senado

Os números do TCU dimensionam a gravidade do problema: de 2022 a 2025, o total de obras paralisadas cresceu cerca de 32%, enquanto o número de projetos quase não mudou, com alta de apenas 0,2%. Isso significa que o ritmo de abertura de novos canteiros não foi acompanhado pela mesma capacidade de concluir o que já estava em execução.

Em um intervalo de apenas um ano, entre abril de 2024 e abril de 2025, foram iniciadas 5.505 novas obras públicas. Desse total, cerca de 1.200 já estavam paralisadas no período, o equivalente a aproximadamente 22%.

O próprio levantamento, no entanto, tem limites. Os dados são reunidos pelo TCU a partir de diferentes órgãos e entidades públicas, sem um cadastro unificado e completo das obras no país. Além disso, o critério para definir uma paralisação pode variar, indo da ausência de avanço por 90 dias à formalização de termo aditivo de paralisação.

Educação e saúde concentram 70% das paralisações

Infográfico da Agência Senado, com base em dados do Tribunal de Contas da União, mostra que saúde e educação básica concentram a maior parte das obras públicas paralisadas no país, somando mais de 8 mil empreendimentos interrompidos.
Infográfico da Agência Senado, com base em dados do Tribunal de Contas da União, mostra que saúde e educação básica concentram a maior parte das obras públicas paralisadas no país, somando mais de 8 mil empreendimentos interrompidos.

A maior parte das obras travadas está justamente em áreas que mexem com a vida cotidiana de milhões de brasileiros. Educação e saúde somam 8.053 empreendimentos parados, o que representa 70% de todas as paralisações mapeadas pelo tribunal.

Para o economista Evilasio Salvador, professor da Universidade de Brasília, a concentração nesses setores não é coincidência. Segundo ele, são áreas com grande demanda social, forte fragmentação federativa e dependência de transferências, o que amplia o risco de atraso quando falha o projeto, a contrapartida local ou o acompanhamento técnico.

Na avaliação dele, quando a obra nasce mal planejada, o problema não se resolve só com dinheiro. A dificuldade aparece antes, na coordenação, na execução e na capacidade estatal de tocar empreendimentos espalhados pelo país.

Bahia, Maranhão, Pará e Minas lideram o número de obras interrompidas

Em números absolutos, o Maranhão aparece na frente, com 1.225 obras paralisadas. Na sequência vêm Bahia, com 926, Pará, com 889, e Minas Gerais, com 874.

Quando o recorte é proporcional, o cenário pesa ainda mais sobre o Pará e o Rio de Janeiro. O estado paraense tinha 65,5% de suas obras paradas, enquanto o fluminense alcançava 64,9%. Das 27 unidades da federação, 14 tinham mais da metade dos empreendimentos interrompidos.

Menos da metade das obras paralisadas, cerca de 4,7 mil, tem registro detalhado sobre o motivo da interrupção. Mesmo assim, os dados recorrentes apontam para um conjunto conhecido de problemas: falhas de planejamento, limitações administrativas, dificuldades de financiamento e entraves ligados à execução local.

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Congresso e governo tentam destravar obras que ficaram pelo caminho

Com o avanço das paralisações, o Congresso e o Executivo passaram a discutir medidas para retomar empreendimentos e evitar mais desperdício. Uma das iniciativas aprovadas é a Lei Complementar 215, de 2025, que revalida restos a pagar não processados de 2019 a 2022 e autoriza o uso desses valores até o fim de 2026, com foco em contratos e convênios já em andamento.

Outra proposta, o PL 5.149/2023, quer obrigar órgãos públicos de todas as esferas a divulgar de forma ativa dados sobre obras em execução e paralisadas, incluindo contratos, cronogramas, medições, pagamentos e fotos. Já o novo Programa de Aceleração do Crescimento passou a priorizar a retomada de empreendimentos interrompidos antes de abrir novos projetos.

No fim das contas, o quadro mostra que o problema não está só na falta de obra pronta. Está no custo de deixar tudo pela metade. E, enquanto o país acumula canteiros parados, saúde, educação e infraestrutura seguem esperando para virar entrega real. Se esse tema te afeta, compartilhe e deixe sua opinião sobre o que trava as obras públicas no Brasil.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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