Projeto ferroviário entre Santos e Cajati volta ao debate com previsão de trem expresso, transporte de cargas e possível uso turístico, em uma ligação que pode reorganizar a mobilidade regional e ampliar a integração entre a Baixada Santista e o Vale do Ribeira.
O governo de São Paulo voltou a discutir a antiga ligação ferroviária entre Santos e Cajati depois que o governador Tarcísio de Freitas defendeu, durante agenda regional em junho de 2026, a criação de um trem turístico entre a Baixada Santista e o Vale do Ribeira.
Com a declaração, ganhou novo fôlego a expectativa sobre o reaproveitamento da Santos-Cajati, enquanto a CPTM desenvolve um projeto funcional para uma linha de passageiros e cargas com 223,6 quilômetros de extensão.
A proposta turística surgiu quando Tarcísio passava pela estrutura da ferrovia ao lado do prefeito de Peruíbe, Felipe Bernardo, em trecho que faz parte da rota histórica entre o litoral sul paulista e o Vale do Ribeira.
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Na ocasião, segundo publicação da ABIFER com base no ViaTrolebus, o governador afirmou que, em algum momento, o Estado terá de viabilizar “um trem turístico, ligando a Baixada Santista ao Vale do Ribeira”.
Ferrovia Santos-Cajati une turismo, passageiros e cargas
Embora a fala tenha destacado o potencial turístico do trajeto, o projeto em estudo pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos tem alcance mais amplo e prevê uma ligação regional voltada ao transporte de passageiros, mercadorias e integração territorial.
Pela proposta da CPTM, a ferrovia poderia atender municípios do litoral sul paulista e do Vale do Ribeira, criando uma alternativa de deslocamento em uma região que hoje depende fortemente das rodovias para viagens e cargas.
Em 14 de outubro de 2025, a companhia informou que o projeto funcional Santos-Cajati estava em fase final de elaboração, sob responsabilidade da área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da estatal paulista.
Esse trabalho integra as ações do governo estadual voltadas à mobilidade sustentável, à inclusão territorial e ao desenvolvimento regional, com foco em um corredor ferroviário capaz de conectar áreas turísticas, urbanas e logísticas.

O traçado preliminar contempla 13 estações em Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Jacupiranga e Cajati.
Antes de qualquer implantação, a CPTM ainda prevê uma análise técnica das estruturas existentes para identificar quais trechos da antiga malha poderão ser recuperados, reaproveitados ou adaptados aos padrões exigidos pelo novo serviço.
Também está em avaliação uma ferrovia moderna, com trem híbrido e conexão ao VLT da Baixada Santista e ao futuro Trem Intercidades Santos-São Paulo, ampliando a integração entre diferentes sistemas de transporte.
Na leitura da CPTM, essa articulação pode formar um eixo ferroviário contínuo entre litoral, Vale do Ribeira e capital paulista, com potencial para reduzir a dependência de viagens rodoviárias em parte do estado.
Trem expresso entre Santos e Cajati pode fazer trajeto em 2h20
De acordo com os parâmetros divulgados pela CPTM, o serviço expresso entre Santos e Cajati teria tempo estimado de 2 horas e 20 minutos, ou 136 minutos, para percorrer toda a extensão prevista.
Além da ligação direta entre as duas pontas, o desenho operacional inclui dois serviços paradores, pensados para deslocamentos regionais e viagens mais curtas entre cidades atendidas ao longo do traçado.
No primeiro trecho, a operação paradora ligaria Santos a Peruíbe em tempo médio previsto de 48 minutos, atendendo parte do litoral sul com uma alternativa ferroviária ao deslocamento por rodovias.
Já o segundo serviço faria a conexão entre Peruíbe e Cajati em cerca de 114 minutos, ou 1 hora e 54 minutos, ampliando o acesso ferroviário a municípios do Vale do Ribeira.

As projeções da CPTM indicam potencial para atender até 32 mil passageiros por dia, número que reforça o peso regional da proposta caso o projeto avance para as próximas fases de contratação.
Além do transporte de pessoas, a linha também poderia movimentar cerca de 600 contêineres diariamente, fortalecendo a logística entre o litoral paulista, o Porto de Santos e o interior do Vale do Ribeira.
Investimento na ferrovia pode chegar a R$ 21 bilhões
O custo estimado para implantação do empreendimento varia de R$ 19 bilhões a R$ 21 bilhões, segundo a CPTM, mas o valor ainda depende do detalhamento técnico das etapas de engenharia.
Com o avanço dos estudos, devem ser definidos pontos como estruturas necessárias, soluções construtivas, parâmetros operacionais, recuperação de trechos existentes e eventuais adaptações para viabilizar o transporte de passageiros e cargas.
De acordo com a estatal, o levantamento topográfico aerofotogramétrico e os estudos técnicos servem de base para o anteprojeto de engenharia, etapa essencial antes de uma contratação integrada ou possível concessão.
A ABIFER, com base no ViaTrolebus, informa que o cronograma citado para 2026 prevê o avanço do mapa-síntese do traçado definitivo e a consolidação do projeto de engenharia até 2028.
Ainda não há, nas fontes consultadas, uma definição fechada sobre o modelo de execução da ferrovia, nem confirmação oficial sobre início das obras ou prazo para entrada em operação.
Por enquanto, a CPTM afirma que a etapa atual deve subsidiar uma contratação integrada ou uma possível concessão, sem indicar calendário definitivo para transformar o estudo em canteiro de obras.
Trem turístico pode ampliar uso da antiga Santos-Cajati
A declaração de Tarcísio abriu espaço para uma abordagem turística da Santos-Cajati, especialmente porque o traçado passa por cidades associadas a praias, áreas naturais, história regional e acesso ao Vale do Ribeira.
Mesmo assim, a proposta oficial divulgada pela CPTM trata primeiro de um eixo estruturante para passageiros e cargas, e não de uma operação exclusivamente voltada ao turismo ferroviário.
Caso a recuperação do trecho avance, o uso turístico poderia funcionar como serviço complementar dentro de uma estrutura maior, desde que o modelo operacional permita viagens de lazer sem prejudicar os deslocamentos regulares.
Esse formato dependeria de decisões posteriores sobre estações, horários, integração com outros transportes, material rodante, demanda esperada e viabilidade econômica de uma operação turística no corredor Santos-Cajati.
A CPTM também associa o projeto a benefícios sociais, econômicos e ambientais, entre eles a redução de congestionamentos e acidentes nas rodovias, a diminuição de emissões de poluentes e o fortalecimento da mobilidade regional.
Segundo a companhia, a nova ligação ferroviária ainda pode estimular o turismo e o desenvolvimento urbano sustentável, especialmente nos municípios do Vale do Ribeira e do litoral sul paulista.
Apesar do avanço dos estudos, a reativação plena da Santos-Cajati segue dependente de novas fases técnicas, decisões de financiamento e definição do arranjo jurídico necessário para implantação.
Até agora, há projeto funcional em desenvolvimento, estimativas de demanda e custo, mas ainda não existe obra contratada nem calendário oficial para início da operação ferroviária.

