1. Início
  2. Economia
  3. Fim de uma era: gigante coloca 90 funcionários na rua e encerra fábrica após 64 anos de operação; unidade produzia 85 mil toneladas por ano de insumo essencial para pneus e deixa mais de 150 trabalhadores sem emprego
Faça um comentário 5 min de leitura

Fim de uma era: gigante coloca 90 funcionários na rua e encerra fábrica após 64 anos de operação; unidade produzia 85 mil toneladas por ano de insumo essencial para pneus e deixa mais de 150 trabalhadores sem emprego

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 01/07/2026 às 16:37 Atualizado em 01/07/2026 às 17:27
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Fechamento de unidade histórica em Campana encerra seis décadas de produção de negro de fumo, pressiona trabalhadores diretos e terceirizados e amplia a preocupação da cadeia argentina de pneus com abastecimento, custos industriais e maior dependência de importações.

Cabot Argentina confirmou em maio de 2026 o fechamento definitivo de sua planta industrial em Campana, na província de Buenos Aires, encerrando uma operação iniciada em 1962 e afetando cerca de 150 postos de trabalho, entre empregados próprios e terceirizados.

Na unidade, a empresa produzia negro de fumo, insumo aplicado principalmente na fabricação de pneus, peças de borracha, plásticos e outros produtos industriais, o que tornou a paralisação relevante para diferentes segmentos da cadeia automotiva argentina.

A decisão atingiu diretamente 90 funcionários da fábrica e outros 60 trabalhadores ligados a serviços como vigilância, manutenção, refeitório e lavanderia, enquanto a empresa iniciou o desmantelamento da estrutura instalada na avenida Larrabure, em Campana, segundo informações divulgadas pelo Infobae.

Fechamento da Cabot Argentina em Campana

Com origem norte-americana e sede em Boston, a Cabot Corporation atua no setor de materiais de desempenho e produtos químicos especiais, área que sustentou por mais de seis décadas sua presença industrial no corredor Zárate-Campana.

Inaugurada em 14 de julho de 1962, a fábrica de Campana foi a primeira operação da companhia na América Latina, com capacidade inicial de 12,7 mil toneladas por ano e quadro formado por 83 empregados.

Ao longo da operação, a planta alcançou cerca de 85 mil toneladas anuais de negro de fumo, abastecendo fabricantes de pneus, empresas de autopeças e indústrias ligadas aos mercados de borracha, plástico e aplicações industriais.

Esse derivado petroquímico é utilizado para reforçar a borracha na produção de pneus e também aparece em outros processos industriais, razão pela qual a saída da única produtora local gerou alerta no setor argentino.

Produção de negro de fumo e impacto industrial

Dentro da cadeia produtiva, a unidade mantinha integração com fornecedores argentinos, incluindo óleo decantado proveniente da refinaria da YPF em Ensenada e gás natural local, dois insumos relevantes para a operação da fábrica.

Nos anos anteriores ao encerramento, a planta também havia avançado em projetos de autoabastecimento elétrico, iniciativa voltada à redução de custos e ao aumento de eficiência em um ambiente industrial cada vez mais pressionado.

Depois do anúncio, o Sindicato dos Trabalhadores do Negro de Fumo se mobilizou nos portões da fábrica e buscou interlocução com o Ministério do Trabalho da província de Buenos Aires para discutir os efeitos da decisão.

Uma audiência em La Plata foi prevista para tratar da situação dos empregados e dos termos da saída da empresa, especialmente em relação às compensações e aos procedimentos legais ligados às demissões.

Setor da borracha vê risco para a cadeia produtiva

A Federação Argentina da Indústria da Borracha manifestou “profunda preocupação” com o fechamento, ao avaliar que a perda de um fornecedor local afeta trabalhadores, fabricantes e empresas dependentes de abastecimento regular.

Para a entidade, cada fechamento de uma planta fornecedora representa perda de conhecimento técnico, emprego qualificado, integração produtiva e autonomia industrial, fatores considerados importantes para a continuidade da cadeia de borracha no país.

Também houve pedido para que autoridades nacionais, provinciais e municipais analisassem o impacto da medida sobre o fornecimento local de negro de fumo e sobre a capacidade de produção das empresas atendidas pela Cabot.

O encerramento ocorre em meio a dificuldades da indústria argentina de pneus, pressionada por queda na produção, avanço das importações e retração do mercado interno, cenário que reduz a demanda por insumos industriais.

Crise na indústria argentina de pneus

Nesse ambiente de retração, a saída da Cabot aumenta o risco de dependência externa para um insumo estratégico da cadeia de borracha, especialmente entre fabricantes que antes contavam com produção nacional.

A crise do setor já havia se intensificado com o fechamento da FATE, fabricante argentina de pneus que encerrou sua planta de Victoria em fevereiro de 2026, ampliando o impacto sobre fornecedores ligados à cadeia automotiva, conforme publicou o Ámbito.

Com menor atividade nas fábricas locais, a demanda por negro de fumo perdeu força e afetou empresas conectadas ao setor de pneus, borracha e componentes industriais, justamente áreas que dependiam da operação em Campana.

Na cidade, a paralisação também atinge prestadores de serviço, contratistas e pequenas empresas que atuavam no entorno da fábrica, reforçando o efeito regional da decisão além dos empregos diretos e terceirizados.

Cadeia automotiva pode depender mais de importações

Em escala global, a Cabot Corporation informa atuar com carbonos de reforço, compostos condutivos, óxidos metálicos fumados e materiais para baterias, além de manter cerca de 4,1 mil empregados e 39 unidades industriais no mundo, segundo sua página de relações com investidores.

O fechamento em Campana, portanto, não representa apenas a perda de uma fábrica antiga, mas a retirada de uma peça importante da cadeia industrial argentina, com reflexos sobre produção, fornecedores e planejamento das empresas.

Para fabricantes de pneus e borracha, a ausência de produção local pode elevar custos, ampliar a dependência de importações e reduzir a previsibilidade do abastecimento em um setor já pressionado por menor demanda.

Ao deixar Campana, a Cabot mostra como a retração de um segmento pode alcançar trabalhadores próprios, terceirizados, fornecedores e empresas menores que dependiam da rotina industrial da planta.

Sem a produção local de negro de fumo, qual será o próximo impacto para a indústria argentina de pneus?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x