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Gari que emocionou ao transformar lixo em biblioteca recolhia livros jogados nas ruas para ajudar crianças pobres a estudar

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 01/07/2026 às 17:07 Atualizado em 01/07/2026 às 17:09
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História de José Alberto Gutiérrez revela como livros descartados nas ruas de Bogotá ganharam novo destino ao formar uma biblioteca gratuita para crianças, famílias e comunidades pobres, em uma iniciativa criada durante o trabalho de coleta e mantida com apoio familiar.

José Alberto Gutiérrez, ex-coletor de lixo em Bogotá, na Colômbia, transformou livros descartados nas ruas em uma biblioteca gratuita voltada a crianças e famílias de regiões pobres, reunindo cerca de 25 mil exemplares a partir de materiais encontrados durante o trabalho.

Conhecida como La Fuerza de las Palabras, a iniciativa levou o colombiano a ser chamado de “Senhor dos Livros” e ganhou repercussão internacional ao mostrar como obras abandonadas poderiam voltar a circular em comunidades com pouco acesso à leitura.

Durante uma rota de coleta na capital colombiana, Gutiérrez encontrou um exemplar de “Anna Karenina”, clássico do escritor russo Liev Tolstói, e decidiu levar o livro para casa em vez de deixá-lo seguir para o descarte.

A partir daquele achado, o trabalhador passou a repetir o gesto sempre que via obras jogadas fora, criando aos poucos um acervo doméstico que mais tarde se tornaria referência para moradores do bairro Nueva Gloria.

O movimento ganhou força quando vizinhos começaram a procurar a família em busca de livros que ajudassem crianças nas tarefas escolares, ampliando o alcance de uma prática que havia começado como decisão pessoal durante a rotina de trabalho.

Segundo a Agence France-Presse, em reportagem reproduzida pela NDTV em 06 de junho de 2017, a biblioteca gratuita foi aberta em 2000 com a participação da esposa, Luz Mery Gutiérrez, e dos três filhos do casal.

Biblioteca gratuita nasceu dentro de casa em Bogotá

Na casa da família, localizada em uma área popular da capital colombiana, pilhas de livros passaram a ocupar um andar inteiro, enquanto moradores buscavam materiais escolares, romances, literatura infantil e clássicos que não encontravam com facilidade.

Com o passar do tempo, o acervo cresceu não apenas com obras resgatadas das ruas, mas também com doações, fortalecendo o papel da biblioteca como ponto comunitário de acesso gratuito ao conhecimento.

Entre os títulos citados na reportagem estavam “O Pequeno Príncipe”, “O Mundo de Sofia”, “A Ilíada” e livros do colombiano Gabriel García Márquez, nomes que ajudavam a aproximar leitores de diferentes épocas e estilos literários.

Essa variedade fez o espaço ir além do empréstimo de livros escolares, permitindo que crianças e adultos tivessem contato com obras que dificilmente chegariam a muitas famílias sem custo ou sem deslocamentos maiores pela cidade.

Ao reunir descarte urbano e falta de acesso à leitura, a atuação de Gutiérrez chamou atenção para dois desafios presentes em grandes cidades, especialmente em regiões onde bibliotecas públicas e livrarias não fazem parte da rotina de muitos moradores.

A Fundação La Fuerza de las Palabras informa que atua como organização comunitária sem fins lucrativos, com doação de livros a escolas rurais, bibliotecas comunitárias, cárceres, lares de infância e espaços culturais na Colômbia.

La Fuerza de las Palabras ampliou acesso à leitura

De acordo com a própria fundação, o projeto foi fundado em Bogotá em 1995 por José Alberto Gutiérrez e sua família, com a proposta de resgatar livros descartados e convertê-los em oportunidades educativas e culturais.

Esse marco institucional convive com o registro da AFP de que a biblioteca gratuita foi aberta na casa da família em 2000, quando a procura de vizinhos já havia transformado o acervo doméstico em serviço comunitário.

Apesar da projeção alcançada, a origem simples da iniciativa continuou ligada à história pessoal de Gutiérrez, que não avançou além da escola primária quando criança e conheceu de perto as barreiras impostas pela falta de oportunidades educacionais.

O contato com a leitura, segundo relatou à AFP, veio da mãe, que lia histórias em quadrinhos para ele durante a infância em uma casa simples no campo, criando um vínculo que mais tarde se tornaria ação comunitária.

Ao explicar o início da iniciativa, Gutiérrez disse à agência que percebeu livros sendo jogados no lixo e decidiu resgatá-los, em uma fala que sintetiza a lógica do trabalho mantido ao longo dos anos.

A frase “comecei a resgatá-los” expressa o ponto central do projeto, criado sem campanha oficial ou grande estrutura, mas sustentado pela observação diária de um trabalhador diante de objetos tratados como resíduos urbanos.

Com o crescimento do acervo, a família chegou a promover sessões de leitura para crianças dentro da própria casa, mas a falta de espaço obrigou a interromper essas atividades no imóvel.

Ainda assim, o trabalho continuou por meio da distribuição gratuita de livros em centenas de comunidades pobres e regiões remotas da Colômbia, ampliando o alcance de uma biblioteca que havia nascido em cômodos familiares.

Livros resgatados chegaram a comunidades distantes

Fora do bairro onde tudo começou, a circulação dos livros levou Gutiérrez a eventos ligados à leitura, incluindo convites para feiras internacionais do livro em Santiago, Monterrey e Bogotá, segundo a reportagem da AFP.

Para um projeto criado sem estrutura formal de grande porte, essa projeção mostrou como a iniciativa ultrapassou os limites da casa da família e passou a ser reconhecida como experiência de mobilização comunitária pela leitura.

O alcance também chegou a pessoas em processo de reintegração social após o acordo de paz firmado na Colômbia em 2016, quando integrantes das Farc estavam reunidos em zonas de desmobilização.

Conforme relatou a AFP, um integrante do grupo pediu livros para membros que precisariam estudar e se preparar para a transição à vida civil, em mais um exemplo de como o acervo passou a circular além da vizinhança.

Gutiérrez afirmou à agência que os livros o transformaram e, por isso, via neles um símbolo de esperança e de paz, declaração que ganhou força pela trajetória construída a partir de obras retiradas do lixo.

Ao devolver esses materiais à circulação, o ex-coletor ajudou a aproximar crianças, famílias e comunidades de oportunidades de estudo, mostrando que a leitura também pode depender de gestos simples repetidos com constância.

A história permanece relevante porque mostra como uma ação individual, mantida durante anos, pode mudar a relação de uma comunidade com o conhecimento e transformar materiais descartados em ferramentas de formação.

Em vez de enxergar apenas lixo nas ruas de Bogotá, José Alberto Gutiérrez viu livros, leitores e possibilidades de estudo para crianças que precisavam de acesso ao básico para aprender.

Quantas bibliotecas ainda poderiam nascer de materiais descartados se mais pessoas olhassem para os livros jogados fora como uma chance de recomeço?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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