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Menino de 12 anos que já lançou dois livros cria projeto para levar escritores mirins do Ceará à Bienal de São Paulo e inspirar uma nova geração de autores

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 07/06/2026 às 15:14
Atualizado em 07/06/2026 às 15:16
Jovem escritor cearense apresenta seus livros em evento literário nacional.
Davi Moura busca levar outros autores mirins para a Bienal do Livro de São Paulo.
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Iniciativa idealizada por estudante da rede pública de Fortaleza busca ampliar oportunidades para jovens talentos da literatura, promover inclusão e mostrar que crianças também podem ocupar espaços de destaque no cenário cultural brasileiro

A informação foi divulgada pelo Diário do Nordeste em reportagem que destaca a trajetória inspiradora de Davi Moura, um estudante da rede pública municipal de Fortaleza que, aos 12 anos, já acumula conquistas importantes na literatura. Além de ter lançado dois livros, o jovem escritor agora lidera um projeto que pretende levar outros autores mirins cearenses para a Bienal do Livro de São Paulo, que acontecerá entre os dias 4 e 13 de setembro deste ano.

Em um cenário onde muitas crianças ainda lutam para ter acesso à leitura e à produção cultural, Davi mostra que sonhos podem ganhar forma desde cedo. Mais do que publicar livros, ele quer abrir caminhos para que outros jovens autores tenham a mesma oportunidade de apresentar suas obras em um dos maiores eventos literários da América Latina.

Aluno da Escola Johnson, localizada no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza, Davi construiu sua relação com a literatura ainda muito jovem. Entretanto, sua visão foi além da realização pessoal. Depois de participar da Bienal do Livro de São Paulo em 2024, ele decidiu transformar uma experiência individual em um projeto coletivo.

Na ocasião, o garoto levou uma obra independente produzida artesanalmente. Contudo, ao vivenciar o evento, percebeu que muitas outras crianças também mereciam espaço para mostrar seus talentos.

“Pra mostrar a essas crianças e adolescentes que é possível”, resume Davi ao explicar a motivação que impulsiona a iniciativa.

Projeto quer levar novos escritores mirins à Bienal de São Paulo

O plano idealizado pelo estudante prevê a participação de outros sete jovens escritores cearenses na próxima edição da Bienal do Livro de São Paulo. Para isso, os organizadores buscam patrocinadores e parceiros que possam viabilizar a viagem dos autores e de seus responsáveis.

Segundo a carta-convite enviada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pela organização do evento, a programação contará com lançamentos de obras, rodas de conversa, contação de histórias, apresentações culturais e atividades voltadas para diversidade, acessibilidade e protagonismo infantojuvenil.

Além disso, a participação das crianças representa uma oportunidade única para divulgar seus trabalhos em um ambiente reconhecido nacional e internacionalmente.

A presidente do Instituto Rogaciano Leite, Helena Roraima, destaca a relevância do projeto. Segundo ela, a presença de autores mirins cearenses em um dos principais eventos literários do mundo demonstra o potencial transformador da iniciativa.

Para Helena, o trabalho desenvolvido em Fortaleza ultrapassa os limites regionais. Ao mesmo tempo, contribui para discussões importantes sobre educação, inclusão, cidadania e formação humana.

Infância Inclusiva amplia o alcance da literatura infantil

Paralelamente à preparação para a Bienal, Davi também participa da criação do projeto Infância Inclusiva. A proposta reúne ações voltadas ao fortalecimento da literatura produzida por crianças e adolescentes.

O projeto inspirou dois projetos de indicação. Um deles tramita na Câmara Municipal de Fortaleza por iniciativa do vereador João Aglaylson (PT). O outro segue em tramitação na Assembleia Legislativa do Ceará por autoria do deputado estadual De Assis Diniz (PT).

A proposta prevê a aquisição de três obras para as bibliotecas das escolas públicas municipais de Fortaleza:

  • “Conexão”, de Davi Moura;
  • “O Dia em que Fernando Teve Azar”, de João Sasaque;
  • “Lei Brasileira de Inclusão”, de Tião Simpatia.

Além disso, o programa sugere que a Secretaria Municipal da Educação estabeleça parcerias com editoras, autores e instituições culturais. Dessa forma, o acesso à leitura poderá alcançar um número ainda maior de estudantes.

Segundo Helena Roraima, a presença de livros escritos por crianças nas escolas gera identificação e fortalece o interesse pela leitura.

Ela também destaca o currículo já impressionante de Davi. O jovem participou da Bienal Internacional do Livro do Ceará, da Feira do Livro de Brasília e foi selecionado para a Feira do Livro de Bolonha, na Itália, considerada uma das mais importantes do mundo no segmento infantil.

Inclusão, sustentabilidade e diversidade estão entre os temas centrais

O projeto reúne diferentes autores e aborda temas considerados fundamentais para a formação cidadã das novas gerações.

Davi explica que seu livro “Conexão” trabalha conceitos ligados à regionalidade, sustentabilidade e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Já a obra de Tião Simpatia aborda a Lei Brasileira de Inclusão. Enquanto isso, o livro de João Sasaque apresenta reflexões sobre neurodiversidade por meio da história de um pré-adolescente que busca aceitação e amizade.

João, que fará sua estreia na Bienal do Livro de São Paulo, conta que seu personagem principal, Fernando, sonha em se tornar popular na escola. Entretanto, enfrenta diversos desafios ao longo da jornada.

Segundo o jovem escritor, escrever permite exercitar a criatividade, desenvolver a imaginação e transformar ideias em histórias capazes de inspirar outras pessoas.

Literatura transforma vidas e cria novas oportunidades

O projeto também conta com a participação do escritor, músico e arte-educador Tião Simpatia, considerado padrinho da iniciativa.

Nascido no interior do Ceará, Tião aprendeu a ler aos 15 anos por meio da literatura de cordel. Por isso, enxerga na escrita uma poderosa ferramenta de transformação social.

Atualmente, além de atuar como escritor, ele também ocupa o cargo de secretário de Cultura e Turismo de Aiuaba, município localizado no Sertão dos Inhamuns.

Segundo Tião, um dos principais objetivos futuros do Infância Inclusiva é incentivar gestores públicos a criarem políticas permanentes de incentivo à leitura e à publicação de obras produzidas por crianças e adolescentes.

A expectativa é que mais municípios adotem iniciativas semelhantes às de Fortaleza. Dessa maneira, novos talentos poderão surgir em diferentes regiões do Ceará e do Brasil.

Enquanto a busca por apoio financeiro continua, Davi, João e os demais participantes mantêm viva a esperança de representar o estado na Bienal do Livro de São Paulo de 2026.

Mais do que uma viagem, o projeto simboliza uma oportunidade de mostrar que talento não tem idade. Além disso, reforça que a literatura pode abrir portas, gerar inclusão e transformar histórias de vida.

Ao final, a mensagem deixada pelos jovens autores é simples e poderosa.

João recomenda que toda criança leia bastante para desenvolver a imaginação. Já Davi resume seu conselho em duas palavras capazes de inspirar qualquer sonhador:

“Só vai”.

Você conhece alguma criança ou adolescente com talento para a escrita que merecia ter mais oportunidades para mostrar seu trabalho ao mundo?

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