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Túnel imerso de R$ 6,8 bilhões e 870 metros submersos no Brasil será o primeiro do tipo na América Latina; obra tem contratação de mão de obra para sua construção e oferecerá sala especial à população, maquete exclusiva e centro com informações sobre o megaprojeto

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 27/06/2026 às 19:57 Atualizado em 27/06/2026 às 20:00
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Projeto bilionário prepara nova ligação entre Santos e Guarujá com obra submersa inédita no país, contratação de profissionais e espaço público para apresentar história, dados técnicos e maquete de uma travessia aguardada há décadas na Baixada Santista.

A construção do Túnel Santos-Guarujá, no litoral de São Paulo, entrou em fase de preparação com contratação de trabalhadores, organização do canteiro em Guarujá e criação de um espaço aberto ao público para reunir informações sobre o projeto.

Com custo estimado em R$ 6,8 bilhões, a obra terá 870 metros sob o canal portuário e promete criar uma ligação seca entre duas das principais cidades da Baixada Santista.

Responsável pela execução, a Mota-Engil assinou em 28 de janeiro de 2026 o contrato da Parceria Público-Privada com o Governo de São Paulo, após vencer o leilão realizado na B3 em setembro de 2025.

Pelo acordo firmado, o grupo português ficará encarregado da construção, operação e manutenção da travessia por 30 anos, dentro de um modelo que combina recursos públicos e investimento privado.

Sala aberta ao público vai reunir dados e história do túnel

Junto ao futuro canteiro de obras em Guarujá, a Autoridade Portuária de Santos pretende inaugurar uma sala voltada à população e também a reuniões técnicas relacionadas ao avanço do túnel.

Nesse ambiente, devem ficar concentrados dados do projeto, informações históricas e a maquete que atualmente está instalada no Parque Tecnológico, em Santos, para facilitar o acesso do público ao empreendimento.

Segundo o presidente da APS, Anderson Pomini, a proposta é criar um ponto de referência para moradores, trabalhadores, estudantes e representantes de entidades interessados em compreender a complexidade da obra.

“A ideia é centralizarmos 100% das informações nessa sala para todos que queiram conhecer a complexidade e a história dessa obra”, afirmou Pomini, ao explicar a finalidade do espaço previsto em Guarujá.

Depois da conclusão da ligação seca entre Santos e Guarujá, a intenção é preservar a memória do empreendimento em outro endereço, com possibilidade de transferência dessa narrativa para o Parque Valongo, em Santos.

Contratação de trabalhadores entra na preparação da obra

Na frente de preparação para a obra, a concessionária Mota-Engil já iniciou movimentações para contratar e capacitar profissionais em Santos e Guarujá, de acordo com informações repassadas por Anderson Pomini.

Embora tenha confirmado a existência de uma estrutura de recursos humanos aberta, o presidente da APS não detalhou os canais oficiais de seleção nem os critérios usados para preenchimento das vagas.

Pelo cronograma oficial, 2026 será dedicado ao desenvolvimento dos projetos funcional e executivo, além de estudos complementares e demais etapas necessárias antes do avanço físico da construção.

A partir de 2027, estão previstas a mobilização dos canteiros, a construção da doca seca e as dragagens preliminares, conforme o planejamento divulgado pelo Governo de São Paulo para o empreendimento.

Em 2028, a programação indica a fabricação dos módulos de concreto que formarão a estrutura imersa, enquanto a instalação desses elementos no canal portuário está prevista para 2029.

Já a finalização dos sistemas, os acabamentos e os testes operacionais aparecem no cronograma para 2030, etapa anterior à abertura da operação comercial planejada para 2031.

Estrutura do túnel imerso terá VLT, ciclistas e pedestres

Com 1,5 quilômetro de extensão total, o Túnel Imerso Santos-Guarujá terá 870 metros submersos e será formado por módulos de concreto instalados no leito do canal portuário.

A estrutura foi planejada com três faixas por sentido, espaço destinado ao Veículo Leve sobre Trilhos, passagem para pedestres e ciclistas, além de uma galeria de serviços integrada ao projeto.

Apresentado oficialmente como o primeiro túnel imerso do Brasil, o empreendimento usará uma técnica em que os módulos são fabricados fora do canal e depois posicionados sob a água.

Essa solução foi escolhida para viabilizar a ligação entre as duas margens do Porto de Santos, região marcada por intenso fluxo de moradores, trabalhadores, cargas e serviços ligados à atividade portuária.

Segundo o Governo de São Paulo, a travessia deve reduzir o tempo de deslocamento entre Santos e Guarujá para menos de cinco minutos, alterando a rotina de quem depende desse trajeto.

Atualmente, a ligação rodoviária entre os dois municípios exige um percurso de cerca de 40 quilômetros, com viagem que pode chegar a aproximadamente uma hora em determinadas condições de tráfego.

Investimento bilionário terá recursos públicos e privados

No modelo financeiro previsto para o túnel, o custo total estimado é de R$ 6,8 bilhões, com participação de recursos públicos e aporte privado da concessionária responsável pela execução.

O investimento público informado oficialmente soma R$ 5,13 bilhões, com participação do Governo de São Paulo e do Governo Federal, enquanto a parcela restante ficará sob responsabilidade da Mota-Engil.

Além da construção, o contrato prevê operação comercial a partir de 2031, depois da conclusão das obras, da instalação dos sistemas e da realização dos testes necessários para funcionamento.

A fiscalização do empreendimento ficará a cargo da Agência de Transporte do Estado de São Paulo e do Governo de São Paulo, que acompanharão a execução da PPP ao longo do contrato.

Mais do que uma nova ligação urbana, o túnel tem relação direta com a logística do Porto de Santos, maior complexo portuário do país e eixo estratégico para circulação de cargas.

Nesse contexto, a nova travessia busca reduzir gargalos de mobilidade em uma área onde se cruzam deslocamentos de moradores, trabalhadores, veículos de serviço e operações vinculadas ao porto.

Pomini afirmou que a concessionária terá prazo para avançar na capacitação profissional, definir o traçado e avaliar eventual necessidade de desapropriações, sempre com acompanhamento dos órgãos envolvidos.

Essas definições serão decisivas para detalhar como o canteiro será implantado, quais áreas poderão ser afetadas diretamente e de que forma a população acompanhará as mudanças no entorno.

Previsto para funcionar como ponto de informação em Guarujá, o espaço público deve aproximar os moradores de uma obra discutida há décadas e agora incorporada ao planejamento oficial.

Entre maquete, dados técnicos e registros históricos, a sala proposta pela APS deve ajudar a conectar o projeto à rotina de quem será impactado pela construção e pela futura travessia.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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