Marinha encerra busca dramática após encontrar destroços do submarino perdido com 53 tripulantes na Indonésia, neste dia 24 de abril

Flavia Marinho
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24-04-2021 09:54:16
em Petróleo, Óleo e Gás
submarino - marinha - desastre - tripulantes - indonésia - militares - encontrar submarino Submarino KRI Nanggala 402 / Fonte: Reprodução Google

Submarino desapareceu na quarta-feira com 53 tripulantes a bordo. A Marinha declarou o submarino como oficialmente afundado, sem esperança de encontrar sobreviventes.

Neste sábado (24/04), a Marinha indonésia encontrou destroços que se acredita serem do submarino KRI Nanggala 402, de construção alemã, desaparecido desde quarta-feira, com 53 tripulantes a bordo, nas águas de Bali, envolvido em exercícios militares, disse o chefe militar do país este sábado.

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A Marinha declarou, assim, o submarino como oficialmente afundado, sem esperança de encontrar sobreviventes. Segundo as autoridades, as reservas de oxigénio para a tripulação acabaram no início deste sábado.

Segundo notícia a Associated Press (AP), o chefe da Marinha indonésia, Yudo Margono, disse que as equipes de resgate encontraram vários objetos do submarino, incluindo peças de um alisador de torpedo, uma garrafa de graxa usada para olear o periscópio e tapetes de oração. “Com as evidências que descobrimos serem do submarino, passamos agora da fase de submersão para afundado”, afirmou Margono.

Na quarta-feira, o comandante das forças armadas indonésias disse à imprensa que suspeitava de que o submarino poderia ter encalhado ou então ter descido demasiadamente, abaixo do limite a partir do qual pode ser contatado ou recuperado — podendo encontrar-se a mais de 700 metros de profundidade.

Submarino KRI Nanggala 402 desaparecido tinha capacidade para 72 horas de oxigênio

Na quinta-feira, o chefe da Marinha da Indonésia afirmou que o submarino desaparecido tinha capacidade para 72 horas de oxigênio.

Em conferência de imprensa, Yudo Margono disse, também, que as equipas de buscas encontraram uma fonte de grande magnetismo a uma profundidade dentre 50 a 100 metros, que pode dar pistas sobre a localização do submarino.

Mais de 400 pessoas, além de cinco navios e um helicóptero, participam, desde quarta-feira, das buscas e resgate do submarino KRI Nanggala-402, fabricado na Alemanha em 1977.

O submarino desapareceu depois de ter perdido o contato com o navio no final de exercícios ao largo de Bali.

Um porta-voz da Marinha de Guerra confirmou que o submarino KRI Nanggala 402 não estabeleceu contacto após os exercícios militares em que estava envolvido. “É verdade que o submarino perdeu o contato a partir das 03h (19h de terça-feira em Portugal)”, indicou o almirante Julius Widjojono. Os militares disseram que, apesar do conhecimento extenso sobre a área, o fundo do mar é muito profundo no arquipélago de Bali, algo que dificultava as buscas.

Vários países, como a Austrália, Singapura e os EUA, ajudaram nas buscas

Vários países, como a Austrália, Singapura e os EUA, estiveram envolvidos nas buscas. O porta-voz militar da Indonésia, Djawara Whimbo, disse este sábado que a embarcação hidrográfica do país ainda não tinha sido capaz de detectar um objeto não identificado com alto magnetismo, que foi detectado a uma profundidade de 50 a 100 metros.

As buscas não encontraram sinais do submarino, mas os familiares tinham esperança de que o enorme esforço das buscas encontraria a embarcação a tempo. As buscas concentraram-se numa área próxima à última posição conhecida do submarino, onde uma mancha de combustível foi encontrada. Não havia, no entanto, evidências conclusivas de que a mancha fosse um sinal do submarino.

Outras tragédias envolvendo outros submarinos

O sumiço do KRI Nanggala-402 encontra paralelo com outros desastres com submarinos da história. Assim como os desastre com o Kursk, em 2000, e com o San Juan, em 2017, há a aflição em resgatar os tripulantes enquanto o submarino possa ter sobreviventes.

Foto de arquivo, feita em 2014, mostra o submarino ARA San Juan em Buenos Aires — Foto: Argentine Navy/Handout via Reuters
Foto de arquivo, feita em 2014, mostra o submarino ARA San Juan em Buenos Aires — Foto: Argentine Navy/Handout via Reuters

País: Argentina; Local do desastre: Atlântico Sul, a 600 km de Comodoro Rivadavia, na Argentina; Motivo: implosão; Número de vítimas: 44

O ARA San Juan desapareceu em 15 de novembro de 2017, quando voltava do porto de Ushuaia, onde havia feito exercícios militares para a base naval de Mar del Plata. O submarino foi encontrado um ano depois, a mais de 900 metros de profundidade.

Horas antes do desaparecimento, o comandante tinha feito o alerta de uma falha provocada pela entrada de água, por um duto de ventilação, que vazou no compartimento das baterias elétricas e produziu um princípio de incêndio.

Embora a Marinha argentina tenha garantido, em várias ocasiões, que essa falha foi “corrigida” e que o San Juan continuou navegando para Mar del Plata, o certo é que seu rastro foi perdido e nunca chegou ao porto dessa cidade, onde deveria ter atracado em 19 de novembro de 2017.

Kursk (2000)

Submarino nuclear russo Kursk, em foto de 2000. — Foto: AP Foto/Archivo
Desastre com o Kursk, em 2000, deixou 118 mortos; naufrágio do San Juan, na Argentina, matou 44.

País: Rússia; Local do desastre: mar de Barents (noroeste da Rússia); Motivo: explosão de um torpedo
Número de vítimas: 118.

Considerado um orgulho da Marinha russa, o Kursk zarpou de Murmansk, extremo-norte da Rússia, em 10 de agosto de 2000. O submarino era equipado com 24 mísseis de cruzeiro Granit e considerado indestrutível pelos marinheiros russos.

A explosão ocorreu em uma câmara de mísseis, durante uma manobra no mar de Barrets, dois dias depois de o Kursk zarpar. Dos 118 tripulantes, 23 sobreviveram à explosão e aguardavam resgate, mas acabaram morrendo posteriormente. As forças russas divulgaram cartas escritas por esse grupo, que relataram os momentos mais tensos da espera, quando esses tripulantes tinham poucas esperanças de voltarem com vida à superfície.

O Kursk foi localizado a 108 metros de profundidade na madrugada de 13 de agosto, quando ainda era possível salvar os 23 tripulantes. O Kremlin, porém, só aprovou a operação internacional de resgate uma semana depois do acidente.

Como se soube depois, a cúpula militar escondeu as verdadeiras dimensões da catástrofe e recusou as ofertas de outros países de ajuda para resgatar os tripulantes do submarino, que não morreram, inicialmente, na explosão.

O almirante Gennady Suchkov — após um julgamento considerado pela imprensa como “injusto” —, e outros 14 oficiais da Marinha russa foram escolhidos como “bode expiatório” e expulsos do serviço ativo da corporação.

Nerpa (2008); País: Rússia; Local do desastre: mar do Japão; Motivo: vazamento de gás; Número de vítimas: 20

Em 8 de novembro de 2008, no Oceano Pacífico, 20 pessoas a bordo do submarino russo “Nerpa” morreram asfixiadas depois de inalar o gás freon, liberado pelo sistema de incêndio, ativado por engano.

O acidente ocorreu no Mar do Japão, onde o K-152 “Nerpa” estava sendo testado antes de ser alugado pela Índia. Mais de 200 pessoas estavam a bordo em uma área de superfície planejada para 80.

Entre as vítimas, havia 17 civis do estaleiro onde o submarino de ataque, movido a energia nuclear, tinha acabado de ser construído.

Komsomolets (1989); País: União Soviética; Local do desastre: mar de Barents, a 500 km da costa da Noruega; Motivo: incêndio; Número de vítimas: 42

Em 7 de abril de 1989, um curto-circuito causou um incêndio a bordo do Komsomolets, um submarino de ataque de propulsão nuclear e casco de titânio que navegava em águas internacionais, a 500 km das costas norueguesas. Considerado um orgulho da marinha soviética, o submarino chamado de “Mike” estava equipado com mísseis com ogivas nucleares.

Depois de ativar o procedimento de emersão de emergência, o submarino, de 110 metros de comprimento, alcançou a superfície e várias dezenas de tripulantes conseguiram deixar o navio, em chamas, atirando-se nas águas glaciais. Quarenta e dois marinheiros morreram e 27 foram resgatados.

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Flavia Marinho
Engenheira de Produção pós graduada em Engenharia Elétrica e Automação. Experiente na indústria de construção naval onshore e offshore. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.