Digitalização de alta precisão preserva virtualmente o esqueleto raro da vaquita, espécie mexicana que vive à beira da extinção no Golfo da Califórnia
Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos criou um dos registros anatômicos digitais mais detalhados já produzidos da vaquita, espécie considerada o mamífero marinho mais ameaçado do mundo.
O trabalho foi publicado em 2026 na revista científica Marine Mammal Science e reuniu especialistas da Universidade Atlântica da Flórida, do Museu de História Natural de San Diego, da SeaWorld California e da NOAA Fisheries.
A pesquisa utilizou tomografia computadorizada, microtomografia computadorizada e fotografia de alta resolução para transformar um esqueleto raro em um modelo tridimensional minucioso.
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O material analisado pertence a uma fêmea coletada em 1966 e preservada em museu desde então. A digitalização, portanto, garante que o espécime possa ser estudado sem risco de danos ao material original.
Investigação técnica revela detalhes anatômicos em 3D
O esqueleto da vaquita passou primeiro por tomografia computadorizada convencional. Depois, ossos individuais foram fotografados e examinados com técnicas de microtomografia.
Essa etapa permitiu revelar estruturas anatômicas microscópicas, algumas menores que a espessura de um fio de cabelo humano.
A partir de milhares de imagens, os pesquisadores reconstruíram modelos digitais altamente detalhados de cada osso.
Dessa forma, cientistas, educadores e estudantes podem observar a anatomia da espécie de diferentes ângulos, sem precisar manipular o esqueleto físico.

Vaquita vive apenas no norte do Golfo da Califórnia
A vaquita, de nome científico Phocoena sinus, é uma pequena toninha encontrada exclusivamente no norte do Golfo da Califórnia, no México.
A espécie mede cerca de 1,5 metro de comprimento e é considerada o menor cetáceo do mundo. Esse grupo inclui baleias, golfinhos e botos.
Visualmente, a vaquita chama atenção pelos anéis escuros ao redor dos olhos e da boca, característica que ajuda a diferenciar a espécie.
A ciência descreveu a vaquita apenas na segunda metade do século XX. Nas décadas seguintes, porém, sua população sofreu uma queda severa.
Pesca ilegal ameaça a sobrevivência da espécie
A principal ameaça à vaquita está nas redes de pesca usadas ilegalmente para capturar a totoaba.
Esse peixe é alvo do mercado paralelo internacional por causa da bexiga natatória, vendida por altos valores.
Durante essas atividades ilegais, muitas vaquitas acabam presas acidentalmente nas redes e morrem afogadas.
O risco é considerado crítico, já que apenas poucos indivíduos ainda sobrevivem na natureza.
Modelos digitais ampliam acesso à ciência
As réplicas digitais criadas pelos pesquisadores protegem um material considerado raro, frágil e cientificamente valioso.
Segundo o cientista Jamie Knaub, primeiro autor do estudo, o projeto combina tecnologias avançadas de imagem com compartilhamento de dados em acesso aberto.
A iniciativa também tem forte valor educacional, pois os modelos podem servir de base para réplicas físicas destinadas a museus, escolas e programas de divulgação científica.
Todo o material foi disponibilizado gratuitamente na plataforma MorphoSource, repositório internacional dedicado ao compartilhamento de modelos anatômicos em 3D.
Preservação digital mantém viva a memória científica da vaquita
A digitalização representa mais do que um avanço tecnológico. O projeto preserva informações valiosas sobre uma espécie que pode desaparecer nas próximas décadas.
A continuidade da pesca ilegal segue como um dos principais fatores de risco para a vaquita.
Para os pesquisadores, o modelo 3D oferece uma forma de manter acessível o conhecimento anatômico da espécie, mesmo diante da ameaça de extinção.
O que você acha sobre o uso da tecnologia para preservar espécies ameaçadas e ampliar o acesso ao conhecimento científico?
