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Maior grupo de mulheres do café do mundo nasce no sul de Minas com 2.179 cafeicultoras, gera R$ 111,4 milhões em quatro anos e tem como embaixadora uma lavradora de 103 anos

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 25/06/2026 às 14:54 Atualizado em 25/06/2026 às 14:57
Grupo Cafeína da Cocatrel, no sul de Minas, é o maior grupo de mulheres do café do mundo: 2.179 cafeicultoras geram R$ 111,4 mi e exportam café especial.
Grupo Cafeína da Cocatrel, no sul de Minas, é o maior grupo de mulheres do café do mundo: 2.179 cafeicultoras geram R$ 111,4 mi e exportam café especial.
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No sul de Minas, em Três Pontas, o Grupo Cafeína da Cocatrel virou o maior grupo de mulheres do café do mundo: são 2.179 cafeicultoras que geraram R$ 111,4 milhões em quatro anos, exportam café especial para 25 países e têm uma embaixadora de 103 anos.

Por muito tempo, a mulher do campo cafeeiro fez quase tudo e apareceu em quase nada. Estava na panha, no terreiro, na secagem, mas nunca no contrato de venda. Foi para virar esse jogo que nasceu, no sul de Minas, o maior grupo cooperativo de mulheres do café do mundo. Ele se chama Grupo Cafeína, é da Cocatrel, em Três Pontas, e já reúne 2.179 cafeicultoras que faturam alto e exportam o próprio café para o mundo inteiro.

Os números foram reunidos pelo MundoCoop e impressionam tanto pela escala quanto pelo simbolismo. O grupo de mulheres do café gerou R$ 111,4 milhões em quatro anos, cresceu 12,6% em número de cooperadas e leva seu café especial a 25 países. No comando simbólico está uma figura que resume a história: dona Henriqueta, lavradora de 103 anos, embaixadora do grupo desde o começo. É tradição e futuro na mesma xícara.

O maior grupo de mulheres do café do mundo

Grupo Cafeína da Cocatrel, no sul de Minas, é o maior grupo de mulheres do café do mundo: 2.179 cafeicultoras geram R$ 111,4 mi e exportam café especial.
A dimensão do Cafeína é o que mais chama atenção.

Com 2.179 cooperadas titulares, ele é o maior grupo cooperativo de mulheres do café do planeta, segundo a Cocatrel.

Essas mulheres já representam 23,4% dos cerca de 9.300 membros da cooperativa, uma fatia que não para de crescer.

O grupo nasceu em 2019 e amadureceu rápido.

Em poucos anos, o Grupo Cafeína se espalhou por cinco núcleos regionais e alcançou cooperadas em mais de 80 cidades do sul de Minas, a maior região cafeeira do Brasil.

Não é um clube simbólico, é uma estrutura de negócio com mulheres à frente.

O crescimento recente confirma a força do movimento.

Só no último período, o número de cooperadas subiu 12,6%, sinal de que cada vez mais cafeicultoras querem fazer parte e entender o valor do próprio café.

O Cafeína virou referência de protagonismo feminino no agro brasileiro.

R$ 111,4 milhões e um salto de 75%

Por trás do simbolismo, há dinheiro de verdade.

Entre 2022 e 2025, o grupo de mulheres do café movimentou R$ 111,4 milhões, um volume que coloca a iniciativa no mapa econômico do café mineiro.

Não se trata de um projeto social que vive de doação, e sim de uma operação que gera renda concreta para as produtoras.

O ano de 2025 foi o ponto de virada.

O volume saltou 75% em relação ao ano anterior, passando de cerca de R$ 21 milhões para R$ 37 milhões em um único ano.

É o tipo de crescimento que mostra que a aposta nas mulheres do café não é só bonita, é lucrativa.

A loja da própria cooperativa reforça o movimento.

Em 2025, ela faturou R$ 6,47 milhões, alta de 25,1%, somando R$ 22,1 milhões desde 2022, parte importante do ecossistema que sustenta o grupo de mulheres do café.

Cada número desse vira autonomia financeira para quem antes só via o café sair pela porta sem saber por quanto.

Café especial que chega a 25 países

O produto que sustenta tudo isso tem qualidade de exportação.

As cafeicultoras do Cafeína produzem um café especial 100% arábica, um blend que carrega o selo Qualidade no Blend, da BSCA, a associação brasileira de cafés especiais.

Na safra 2025/26, esse café especial alcançou nota 83,50 na avaliação da BSCA, patamar que abre as portas do mercado gourmet internacional.

A exportação é feita por um braço próprio da cooperativa.

Pelo CDT, o Cocatrel Direct Trade, o café especial das mulheres chega a 25 países, entre eles Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos, Itália, Espanha, Suíça, Portugal, Jordânia e Rússia.

Compradores de peso, como a britânica Pact Coffee, já levam o grão dessas produtoras para as xícaras europeias.

Esse alcance global muda a régua do que é possível.

Quando o café especial de uma pequena produtora do sul de Minas vai parar numa cafeteria de Londres com o nome dela na sacaria, a relação dela com a própria lavoura se transforma.

O mercado internacional virou vitrine do trabalho dessas mulheres.

Dona Henriqueta, 103 anos, a embaixadora

O rosto mais querido do grupo tem mais de um século de vida.

A embaixadora do Cafeína é Henriqueta Miranda Carvalho Silva, de 103 anos, dona da Fazenda Prazeres, em Três Pontas, e madrinha do grupo desde a fundação, em 2019.

Aos 103 anos, dona Henriqueta é a prova viva de que o café e a força das mulheres do campo atravessam gerações.

Ela carrega a sabedoria de quem viu o mundo mudar.

Lúcida e bem-humorada, dona Henriqueta solta pérolas como “o verbo é muito importante, e a geografia também”, e conta, rindo, que aprendeu a dirigir aos 40 anos, mas “não gostei”.

É o tipo de figura que dá alma ao grupo e conecta as cafeicultoras de hoje com a história de quem veio antes.

Ter uma embaixadora centenária não é só simpático, é poderoso.

Ela representa o respeito pela trajetória das mulheres do café e mostra que o protagonismo feminino na lavoura não é novidade passageira, e sim uma raiz antiga que agora ganha voz e contrato.

Tradição e empoderamento se encontram na figura dela.

Do terreiro ao contrato: o que realmente muda

O grande objetivo do Cafeína não é ensinar ninguém a plantar.

“O Cafeína não nasceu para ensinar a mulher a plantar café. Ela já sabe. Nasceu para que ela soubesse o quanto o café dela vale”, explica Iandra Vilela, especialista em cafeicultura e coordenadora do grupo de mulheres do café.

A frase resume a virada de chave: o problema nunca foi competência, foi reconhecimento.

A coordenadora vai direto ao ponto histórico.

“Por gerações, a mulher estava no terreiro, na panha, na secagem. Estava em tudo, menos no contrato”, afirma Iandra, conforme registrado também pelo Sistema OCB, que destaca o caso como boa prática de cooperativismo.

Tirar a mulher da invisibilidade do negócio é o coração do projeto.

A mudança aparece no relato das próprias produtoras.

A cafeicultora Nilse Lúcia Cardoso, de 54 anos, conta que o grupo abriu sua cabeça: “quando você vê um grupo de mulheres que o objetivo é apoiar umas às outras, acende uma luz”, disse, lembrando como passou a entender qualidade, pós-colheita e o valor real do café que produz.

É autonomia construída por troca de conhecimento, não por discurso.

Por que isso importa para o café brasileiro

O caso do Cafeína cai num momento simbólico.

A ONU declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, e poucos exemplos traduzem tão bem essa pauta quanto um grupo de mulheres do café que fatura milhões e exporta para o mundo.

O Brasil é o maior produtor de café do planeta, e ter mulheres no comando do negócio fortalece toda a cadeia.

Há um motor econômico claro nessa história.

Transformar a cafeicultora em dona do próprio café especial é agregar valor a um produto que, vendido como commodity, renderia bem menos, e essa diferença fica na mão de quem produz.

Café especial premiado é renda maior para a base da pirâmide do agro.

E o efeito vai além do bolso.

Quando 2.179 mulheres se organizam, certificam o café e exportam juntas, elas mudam a cara de uma região inteira e inspiram outras cooperativas a fazer o mesmo, do sul de Minas para o Brasil afora.

O Cafeína virou modelo de protagonismo feminino no agronegócio.

O que o Grupo Cafeína mostra

A lição central é sobre organização e valor.

O Grupo Cafeína provou que o problema da mulher do café nunca foi saber produzir, e sim ser reconhecida e remunerada por isso, e que cooperar resolve as duas coisas.

Juntar conhecimento, certificação e acesso a mercado transformou trabalho invisível em negócio milionário.

Vale o realismo de sempre.

Esse resultado é fruto de sete anos de estrutura, mais de 500 encontros de formação, certificação de qualidade e um braço de exportação dedicado, nada que se construa da noite para o dia.

É um modelo que exige cooperativa forte, método e tempo, não um truque replicável em qualquer lugar sem trabalho.

Ainda assim, o exemplo é luminoso.

Das mãos de 2.179 cafeicultoras, com uma embaixadora de 103 anos abrindo o caminho, saiu o maior grupo de mulheres do café do mundo, faturando milhões e levando o sul de Minas para 25 países.

É a prova de que dar nome e contrato a quem sempre trabalhou muda tudo.

E você, conhecia a força das mulheres do café no Brasil, a ponto de saber que o maior grupo do mundo no setor nasceu no interior de Minas Gerais? Conta pra gente nos comentários se você já tomou um café especial sabendo que ele pode ter saído das mãos de uma dessas cafeicultoras.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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