Sistema subterrâneo atinge 3.000 metros, fornece água doce a regiões áridas, registra temperaturas de 30 a 100 °C e sustenta comunidades, pecuária, indústria e energia há milênios no interior australiano
Grande Bacia Artesiana da Austrália reúne 1.700.000 km², até 3.000 metros de profundidade, cerca de 64.900 km³ de água subterrânea e sustenta 22% do continente em regiões áridas há milênios.
A Grande Bacia Artesiana da Austrália concentra 1.700.000 km², atinge 3.000 metros de profundidade e armazena cerca de 64.900 km³ de água subterrânea, fornecendo água doce ao interior árido, sustentando 22% do continente e moldando ocupação humana por milênios.
A Grande Bacia Artesiana é considerada a maior e mais profunda bacia artesiana do mundo, funcionando como principal reserva hídrica subterrânea para extensas áreas internas da Austrália.
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Sua extensão cobre aproximadamente 22% do continente australiano, abrangendo grande parte de Queensland, sudeste do Território do Norte, nordeste da Austrália do Sul e norte de Nova Gales do Sul.
Em alguns pontos, o sistema aquífero alcança profundidades de até 3.000 metros, condição que influencia diretamente a pressão interna, o fluxo natural da água e suas características térmicas.
As temperaturas da água variam entre 30 e 100 °C, refletindo a profundidade das camadas aquíferas e permitindo aplicações que ultrapassam o consumo humano e agropecuário.
Estimativas apontam que a bacia contenha cerca de 64.900 km³ de água subterrânea, armazenada predominantemente em formações profundas de arenito poroso.
Formação geológica e dinâmica da água subterrânea
A água encontra-se retida em arenitos formados durante os períodos Triássico, Jurássico e início do Cretáceo, posteriormente selados por rochas sedimentares marinhas.
Esse selamento criou um sistema aquífero confinado, no qual a pressão interna permite que a água aflore naturalmente quando perfurada em determinadas condições.
A recarga ocorre principalmente em áreas elevadas da borda leste, localizadas em Queensland e Nova Gales do Sul, onde a infiltração é mais significativa.
A partir dessas áreas, a água flui lentamente em direção ao sul e ao oeste, deslocando-se por longas distâncias ao longo de escalas geológicas.
Em regiões áridas da Austrália central, ocorre recarga menor ao longo da margem oeste, com velocidades de fluxo estimadas entre um e cinco metros por ano.
Análises com carbono-14 e cloro-36 indicam idades que variam de milhares de anos nas zonas de recarga até quase 2 milhões de anos no sudoeste.
Uso humano, ocupação e impactos históricos
Antes da colonização europeia, a água emergia naturalmente em nascentes de montículos, sustentando comunidades aborígenes, rotas comerciais e espécies endêmicas de invertebrados aquáticos.
Essas nascentes desempenhavam papel central na ocupação tradicional, funcionando como pontos permanentes de sobrevivência em ambientes extremamente áridos.
Após 1878, quando um poço raso produziu água corrente perto de Bourke, a bacia viabilizou a ocupação de vastas áreas interiores antes inacessíveis.
A disponibilidade de água permitiu a expansão da pecuária, da irrigação e do uso doméstico, estabelecendo assentamentos longe de rios permanentes.
Em 1915, havia cerca de 1.500 poços fornecendo aproximadamente 2.000 megalitros por dia, volume que hoje caiu para cerca de 1.500 megalitros diários.
Gestão, riscos ambientais e usos específicos do aquífero
Atualmente, existem pouco menos de 2.000 poços de fluxo livre e mais de 9.000 poços que exigem bombeamento contínuo para operação.
Muitos desses poços permanecem abandonados ou sem regulação adequada, contribuindo para perdas de pressão e desperdício significativo de água.
A extração total supera amplamente a recarga natural, provocando queda de pressão interna e o desaparecimento de diversas nascentes históricas.
A bacia também abastece a mina Olympic Dam, autorizada a extrair até 42 megalitros por dia, além de usos industriais específicos.
Em Birdsville, uma usina geotérmica opera com um poço de 1,2 km de profundidade, explorando água a 98 °C para geração de energia local.
A gestão integrada envolve governos estaduais, territoriais e federal, coordenados pelo Comitê da Grande Bacia Artesiana, responsável por um plano estratégico publicado em 2020.
Preocupações ambientais incluem riscos ligados à extração de gás de carvão, fraturamento hidráulico e armazenamento de carbono, práticas proibidas na bacia desde maio de 2024.
Com informações de Wikipedea.


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