Aos 30 anos, mãe solo de um menino de 12, Raienne começou a postar vídeos por influência do filho e viralizou em Goiânia pela beleza. A coletora de recicláveis da coleta seletiva multiplicou seguidores em dias e usa o alcance para valorizar a profissão e ensinar a separar o lixo.
Uma trabalhadora da limpeza urbana virou assunto nas redes sociais e transformou a atenção repentina em causa. Raienne, coletora de recicláveis em Goiânia, ganhou milhares de seguidores em poucos dias depois que imagens dela trabalhando começaram a circular, e a repercussão chegou à TV. O caso foi mostrado em reportagem do programa Balanço Geral, da Record Goiás, publicada em junho de 2025.
O que chamou a atenção do público, num primeiro momento, foi a aparência dela. Mas, ao ser entrevistada, Raienne deslocou o foco para o que considera mais importante: a dedicação ao ofício e a relevância de uma função que, segundo ela, sustenta o funcionamento da cidade. Em vez de se incomodar com os holofotes, ela decidiu aproveitá-los para falar de trabalho.
Quem é Raienne, a coletora de recicláveis que viralizou
Aos 30 anos, Raienne é mãe solo de Luís Fernando, de 12 anos, e mora no Real Conquista, em Goiânia. Foi o próprio filho quem a incentivou a começar a gravar vídeos, num movimento que ninguém da família imaginava que ganharia a dimensão que ganhou. Antes de atuar na limpeza urbana, ela trabalhava como porteira em um condomínio.
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Há cerca de oito meses, passou a integrar a equipe de coleta seletiva, atuando no setor Faiçalville pela empresa de limpeza Limpa Gyn. A adaptação, conta, foi rápida, e hoje ela diz vestir o uniforme com orgulho. É justamente essa identificação com a rotina de coletora de recicláveis que aparece nos vídeos e que acabou conquistando o público.
A viralização e a enxurrada de seguidores

O salto nos números impressiona. A conta que tinha cerca de mil seguidores chegou a 28 mil no Instagram e 34 mil no TikTok, e durante a própria entrevista ao vivo o contador não parava: passou de 29 mil, bateu 30 mil e seguiu subindo até superar 31 mil em questão de minutos. Para uma criadora que começou por brincadeira, o crescimento foi vertiginoso.
Com a visibilidade vieram também oportunidades comerciais. Raienne afirmou estar recebendo propostas de publicidade de lojas e que analisava cada uma com calma, sem tempo de responder a todas diante da avalanche de mensagens. Mesmo assim, manteve o tom de quem não quer perder o eixo: para ela, o reconhecimento mais valioso é ser vista trabalhando com honestidade.
Vaidade e trabalho lado a lado
Um dos detalhes que mais repercutiu foi a forma como ela concilia a rotina pesada com o cuidado pessoal. Antes de vestir os equipamentos de proteção, como luva, botina, uniforme e boné, Raienne faz a maquiagem ainda em casa, simplesmente porque, com as luvas, seria impossível se arrumar depois. O perfume, diz ela, também não pode faltar.
Para a coletora de recicláveis, manter a vaidade não é incompatível com o serviço, e sim parte do que a faz sentir-se bem para encarar o dia. Ela defende que se sentir bonita e cheirosa melhora a disposição e o humor, independentemente da área em que se trabalhe, e fez questão de deixar esse recado para outras trabalhadoras.
“Meu coração já foi coletado” e o apoio das mulheres
Em meio aos elogios e aos admiradores, Raienne respondeu com bom humor à enxurrada de cantadas. “Meu coração já foi coletado”, brincou, avisando que tem namorado e agradecendo o carinho recebido. A frase, com trocadilho ligado à própria profissão, ajudou a aumentar a simpatia do público.
Outro ponto que a emocionou foi perceber que boa parte dos comentários positivos vinha de outras mulheres. Ela destacou esse apoio feminino como algo especialmente gratificante, num momento em que a exposição súbita poderia facilmente atrair julgamentos. Para Raienne, ver mulheres torcendo por mulheres foi uma das partes mais bonitas de toda a repercussão.
A defesa de uma profissão essencial
Apesar de saber que a fama começou pela aparência, Raienne enxergou ali uma chance maior. Ela passou a usar o alcance para valorizar a função do coletor de lixo, lembrando que, sem esse trabalho, a cidade rapidamente mergulharia no caos. Para ela, dar visibilidade ao ofício pode até atrair mais gente para a área.
A rotina, porém, não é simples. São oito horas diárias de serviço, com atenção redobrada na hora de descer do estribo do caminhão, já que carros e motos passam o tempo todo pela via. A coletora de recicláveis reforça que o reconhecimento serve também para mostrar o esforço real por trás de uma atividade muitas vezes invisível aos olhos da população.
As dicas de descarte que ela quer espalhar
Incentivada pela equipe do programa a transformar o perfil em fonte de orientação, Raienne abraçou a ideia. O primeiro apelo é separar corretamente o lixo orgânico do reciclável, respeitando os dias e horários de recolhimento, que podem ser consultados no site da companhia. Misturar restos de comida com papelão, isopor e plástico, explica, atrasa e dificulta o trabalho de quem coleta.
Ela também alertou para o descarte seguro de objetos cortantes, como vidros, cacos e agulhas, que devem ir em uma caixa de papelão lacrada com fita e identificada para evitar acidentes. Outro ponto: papel higiênico e resíduos de banheiro não entram no material seletivo, e embalagens como caixas de leite precisam ser lavadas antes de irem para a reciclagem. Segundo a reportagem, Goiânia coleta cerca de 2 mil toneladas de recicláveis por mês, material que abastece cooperativas parceiras da prefeitura e ajuda a sustentar milhares de famílias.
Agora a conversa é com você. A sua família separa o lixo reciclável do orgânico como a Raienne ensina, ou ainda joga tudo junto? Você acha que histórias como a dela ajudam a dar mais respeito a profissões essenciais? Comente aqui embaixo a sua opinião, conte como funciona a coleta no seu bairro e compartilhe esta matéria para valorizar quem cuida da limpeza da cidade.


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