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Lua Azul, microlua e Antares na mesma noite: o que vai acontecer no céu em 31 de maio

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/05/2026 às 16:40
Atualizado em 11/05/2026 às 16:45
Lua cheia branca brilhando ao lado da estrela vermelha Antares no céu noturno brasileiro durante a Lua Azul de 31 de maio de 2026
Lua Azul de 31 de maio acontece às 5h44, será a microlua mais distante de 2026 e nascerá ao lado de Antares. Veja como observar o fenômeno astronômico.
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A segunda lua cheia de maio brilha às 5h44 (horário de Brasília), aparece visualmente menor que o normal e nasce ao lado da estrela vermelha de Escorpião. Veja o passo a passo para observar a olho nu, em qualquer ponto do país.

Quem olhar para o céu na madrugada de 31 de maio vai testemunhar um arranjo astronômico que só se repete a cada poucos anos. A chamada Lua Azul, segunda lua cheia dentro do mesmo mês civil, atinge o pico de iluminação às 5h44 do horário de Brasília, será também a microlua mais distante de 2026 e nascerá visualmente colada a Antares, a estrela vermelha gigante da constelação de Escorpião. Não é preciso telescópio nem viagem ao interior. Em qualquer cidade do Brasil, basta céu limpo e horizonte aberto para acompanhar o fenômeno.

E tem um detalhe que muda completamente a forma como se enxerga essa lua.

A Lua Azul não fica azul. Então por que se chama assim?

Lua Azul de 31 de maio acontece às 5h44, será a microlua mais distante de 2026 e nascerá ao lado de Antares. Veja como observar o fenômeno astronômico.

A resposta é mais antiga do que parece.

A expressão vem do inglês “once in a blue moon”, usada desde o século 16 para descrever algo improvável. Naquela época, dizer que a lua era azul significava dizer que algo nunca aconteceria. Com o passar do tempo, o sentido mudou: a frase passou a designar algo raro, mas possível.

Na astronomia moderna, o termo ganhou uma definição matemática. Chama-se Lua Azul a segunda lua cheia que ocorre dentro do mesmo mês do calendário. Como o ciclo lunar dura cerca de 29,5 dias e os meses têm entre 28 e 31, é possível que duas luas cheias caibam num único mês. Mas a coincidência não é trivial.

De acordo com o portal de divulgação científica EarthSky, citado em reportagem da CNN Brasil, a configuração ocorre apenas sete vezes a cada 19 anos. Daí a sobrevivência da expressão “uma vez em uma Lua Azul” como sinônimo de evento raro.

E há um efeito curioso por trás disso. O fenômeno está conectado ao chamado ciclo metônico, uma relação astronômica em que 235 meses lunares equivalem a aproximadamente 19 anos solares. Esse descompasso entre ciclos faz com que, de tempos em tempos, uma lua cheia “sobre” e crie a tal Lua Azul.

Em 2026, esse encontro acontece em 31 de maio. E não vem sozinho.

Por que esta lua cheia será diferente de todas as outras do ano

Aqui está o que separa esse evento dos demais.

A Lua Azul de 31 de maio coincide com o ponto mais distante da órbita lunar em relação à Terra. Esse ponto se chama apogeu. Quando a fase cheia acontece próxima do apogeu, o satélite parece ligeiramente menor e menos brilhante do que o normal. É o oposto da famosa superlua. Os astrônomos chamam o fenômeno de microlua.

Estimativas reproduzidas em publicações especializadas indicam que essa lua pode aparecer entre 12% e 14% menor do que uma superlua tradicional. A olho nu, a diferença é sutil. Numa fotografia comparativa, ela é evidente.

E tem outro elemento entrando em cena.

Na mesma noite, a Lua estará visualmente próxima de Antares, uma das estrelas mais conhecidas do céu noturno. Antares é uma supergigante vermelha, classificada entre as maiores estrelas observáveis a olho nu, e brilha com um tom inconfundivelmente alaranjado. O contraste entre o branco-prateado da Lua cheia e o vermelho de Antares cria um efeito visual que costuma render boas imagens, mesmo em câmeras de celular.

Ou seja: três fenômenos em uma única noite. Lua Azul, microlua e proximidade aparente com Antares. Para quem nunca observou o céu com atenção, a combinação funciona como um ponto de entrada ideal.

Quando, onde e como observar (passo a passo)

Lua Azul de 31 de maio acontece às 5h44, será a microlua mais distante de 2026 e nascerá ao lado de Antares. Veja como observar o fenômeno astronômico.

Agora a parte prática.

O pico de iluminação acontece às 5h44 do dia 31 de maio, no horário de Brasília. Isso corresponde a 8h45 no horário universal coordenado (UTC). Nesse momento exato, em parte do Brasil, a Lua já estará perto de se pôr no horizonte oeste, próxima ao amanhecer.

Por isso, a janela de observação começa antes.

A lua cheia parece praticamente igual ao olho humano em torno de 24 horas antes e 24 horas depois do pico. Ou seja, a observação fica boa do entardecer do dia 30 até a manhã do dia 1º de junho. Para quem mora em São Paulo e em boa parte do Sudeste, o entardecer do dia 31 oferece outra oportunidade: a Lua nasce no leste por volta das 17h30, ainda baixa no horizonte, e ganha aquele tamanho aparente maior por efeito ótico, fenômeno conhecido como ilusão lunar.

Para aproveitar melhor a observação:

  • Procure um lugar com horizonte aberto e pouca iluminação artificial. Áreas rurais, regiões serranas e mirantes oferecem a melhor visibilidade.
  • Espere os olhos se adaptarem ao escuro por cerca de 15 a 20 minutos antes de tirar conclusões sobre o brilho do céu.
  • Não é necessário telescópio nem binóculo. Mas o uso de binóculos comuns ajuda a perceber crateras e relevos da superfície lunar.
  • Em câmeras de celular, ativar o modo noturno e o HDR equilibra a luz da Lua com o céu ao redor, evitando o brilho estourado.
  • Para fotografar a microlua ao lado de Antares, é melhor esperar a Lua subir um pouco acima do horizonte e usar zoom óptico, não digital.

E há um detalhe que poucos veículos mencionaram nas matérias publicadas até agora.

A Lua já ficou azul de verdade. E o motivo é sombrio

Lua Azul de 31 de maio acontece às 5h44, será a microlua mais distante de 2026 e nascerá ao lado de Antares. Veja como observar o fenômeno astronômico.

Apesar do nome ser apenas uma convenção, a Lua já apareceu com tom literalmente azulado em registros históricos. E não foi por causa do fenômeno astronômico que tem o mesmo nome.

O caso mais famoso ocorreu em 1883.

Naquele ano, o vulcão Krakatoa, na Indonésia, entrou em erupção em uma das maiores explosões registradas pela ciência moderna. A coluna de cinzas e fumaça lançada na atmosfera espalhou partículas finas pelo mundo todo. Em diversos países, observadores relataram ter visto pores do sol com cores estranhas e a Lua com tom azulado durante meses.

A explicação está no tamanho das partículas. De acordo com o EarthSky, a Lua pode adquirir aparência azulada quando a atmosfera carrega partículas com diâmetro ligeiramente superior a 900 nanômetros. Esse tipo de partícula filtra a luz vermelha e deixa passar preferencialmente a azul, invertendo o efeito comum visto em pôr do sol e nascer da lua.

Casos semelhantes foram registrados após grandes incêndios florestais no Canadá em 1950 e depois da erupção do vulcão El Chichón, no México, em 1982.

Ou seja, a Lua Azul de verdade existe. Mas exige circunstâncias atmosféricas que ninguém deseja.

O céu de maio já entregou outro espetáculo (e a maioria perdeu)

Lua Azul de 31 de maio acontece às 5h44, será a microlua mais distante de 2026 e nascerá ao lado de Antares. Veja como observar o fenômeno astronômico.

Antes da Lua Azul fechar o mês, maio começou agitado para quem acompanha astronomia.

Entre a noite de 5 e a madrugada de 6 de maio, o Brasil atravessou o pico da chuva de meteoros Eta Aquáridas, considerada uma das mais ativas observáveis do Hemisfério Sul. O fenômeno é formado por fragmentos deixados pelo Cometa Halley, que cruzam a atmosfera terrestre em alta velocidade e formam os rastros luminosos chamados popularmente de estrelas cadentes.

Em condições ideais, a chuva pode produzir entre 40 e 50 meteoros por hora.

A CNN Brasil ouviu três especialistas sobre o evento. O astrônomo Marcelo Rubinho avaliou que a previsão era “uma boa previsão, um ótimo evento”. Emerson Perez, do Urânia Planetário, indicou como melhor horário de observação o intervalo entre 3h30 e 4h da manhã, com o olhar direcionado entre o leste e o norte do céu. Já o professor Thiago S. Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressaltou que a proximidade com a lua cheia do dia 1º de maio acabou prejudicando a observação dos meteoros mais fracos.

Ou seja: quem mora longe das luzes urbanas e acordou cedo viu um pedaço de cometa atravessando o céu. Quem perdeu, ainda tem a Lua Azul como segunda chance no mesmo mês.

Quando será a próxima Lua Azul

Lua Azul de 31 de maio acontece às 5h44, será a microlua mais distante de 2026 e nascerá ao lado de Antares. Veja como observar o fenômeno astronômico.

Para quem perder a observação de 31 de maio, há uma boa notícia. Por uma combinação rara, 2026 reúne duas Luas Azuis no formato mensal.

A primeira é a de maio. A segunda está prevista para outubro.

Essa duplicidade só acontece em anos cujo fevereiro não tem nenhuma lua cheia, situação que abre espaço para luas extras em outros meses do calendário. Depois disso, a próxima Lua Azul sazonal, modalidade menos comentada e definida pela presença de quatro luas cheias em uma única estação, está prevista para 20 de maio de 2027.

Mas é a Lua Azul de 31 de maio que reúne, simultaneamente, as condições mais incomuns: segunda lua cheia do mês, microlua mais distante do ano e proximidade visual com Antares.

Calendário lunar de maio de 2026 (horário de Brasília)

  • Lua cheia (Lua das Flores): 1º de maio, às 14h22
  • Lua minguante: 9 de maio, às 18h13
  • Lua nova: 16 de maio, às 17h03
  • Lua crescente: 23 de maio, às 8h12
  • Lua cheia (Lua Azul, microlua): 31 de maio, às 5h44

Imprima, anote no celular, salve onde preferir. Em pouco mais de duas semanas, o céu apresenta o fenômeno mais raro do ano até aqui.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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