Expansão em Campinas ampliou capacidade industrial da Indústria Fox, que transformou reciclagem e remanufatura de eletrônicos em um negócio de escala nacional. Empresa processa centenas de toneladas de resíduos por dia e aposta em tecnologia própria para crescer no mercado latino-americano.
Com uma nova planta instalada em Campinas, no interior de São Paulo, a Indústria Fox ampliou sua capacidade de reciclagem e remanufatura de eletroeletrônicos e passou a mirar uma posição mais relevante no mercado latino-americano.
Sob o comando de Marcelo Souza, a companhia faturou cerca de R$ 170 milhões em 2025 e consolidou uma operação industrial capaz de processar diariamente entre 200 e 300 toneladas de resíduos eletrônicos.
Ao recolher equipamentos descartados, separar componentes e recuperar produtos com defeitos, a empresa devolve insumos e bens remanufaturados para a cadeia produtiva de diferentes setores.
-
Pela primeira vez na história, a energia solar e eólica gerou mais eletricidade que o gás natural no mundo inteiro em um único mês, abril de 2026, um marco da transição energética que mostra as fontes renováveis assumindo a dianteira do sistema elétrico global
-
A Petrobras deve concluir em agosto de 2026 a perfuração do poço Morpho, na Foz do Amazonas, o primeiro furo da Margem Equatorial, fronteira de petróleo que a ANP estima em mais de 30 bilhões de barris e pode redesenhar o mapa do Brasil
-
Governo confirma imposto do pecado para 2027 e explica por que bebidas alcoólicas e cigarros não devem ficar mais caros logo de cara, apesar de o novo tributo também alcançar refrigerantes, veículos poluentes, extração de minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports em uma mudança que ainda depende do Congresso
-
Anvisa revela falhas em suplementos da IDNLABS e suspende 11 lotes que incluem creatina, BCAA, beta-alanina e multivitamínicos; medida atinge produtos com problemas de qualidade, composição e rotulagem, enquanto consumidores são orientados a verificar os códigos impressos nas embalagens
Na prática, a sucata eletrônica é convertida em matéria-prima, peças reaproveitadas, equipamentos recondicionados e novas fontes de receita para a operação.
Esse movimento de expansão ganhou força após a inauguração da unidade de Campinas, aberta em setembro de 2025 em uma área próxima ao Aeroporto Internacional de Viracopos.
Instalado em um terreno de 100 mil metros quadrados, o complexo recebeu investimento superior a R$ 100 milhões, embora entidades empresariais locais tenham divulgado aportes próximos de R$ 170 milhões no projeto.
Crescimento da Indústria Fox acelera mercado de reciclagem eletrônica
A Indústria Fox aparece entre os negócios destacados pelo ranking EXAME Negócios em Expansão 2025, que reúne empresas brasileiras com forte ritmo de crescimento.

Em 2024, a companhia registrou receita operacional líquida de R$ 90,4 milhões, avanço de 60% sobre os R$ 56,5 milhões informados no ano anterior.
O desempenho ajudou a consolidar a empresa como uma das principais recicladoras de eletroeletrônicos do país.
Para 2026, a estratégia informada pela companhia é ampliar a presença regional e disputar a liderança latino-americana em reciclagem e remanufatura de equipamentos.
A mudança para Campinas também responde a uma limitação física da antiga operação em Cabreúva.
A unidade original, instalada em um terreno de 20 mil metros quadrados, já não comportava o aumento do volume processado nem a diversificação das linhas industriais.
Trajetória de Marcelo Souza começou em ferro-velho no interior paulista
Antes de liderar uma das maiores operações de reciclagem eletrônica do país, Marcelo Souza teve uma trajetória distante dos grandes centros industriais e marcada por trabalhos informais.
Paulistano e filho de uma família simples, ele conheceu o universo da reciclagem ainda na infância, quando acompanhava o pai em um ferro-velho localizado em Cabreúva, no interior paulista.
O primeiro trabalho foi como ajudante de pintor. Aos 18 anos, conseguiu uma vaga temporária para executar reparos em uma empresa fabricante de válvulas para aerossol, destacou-se entre outros jovens contratados e acabou efetivado.
“Foi o meu primeiro emprego com carteira assinada”, lembrou o executivo. Na empresa, porém, a função recebida não correspondia às expectativas. Marcelo afirma que era comunicativo e não via perspectiva no trabalho que exercia.
A virada ocorreu ao observar a chegada de um engenheiro estrangeiro chamado para operar uma máquina, episódio que o levou a concluir que havia falta de profissionais técnicos no setor.
Sem recursos para pagar a faculdade de engenharia de produção mecânica, buscou alternativas dentro da própria empresa.
A solução foi negociar o aproveitamento da sucata de papelão gerada na operação, usando a renda obtida com o material para complementar o pagamento dos estudos.
A rotina foi marcada por jornadas longas e poucas horas de sono.
Aos 25 anos, já formado, Marcelo ocupava cargo de gerente industrial em uma multinacional alemã e participava de projetos internacionais. Em 25 de fevereiro de 2006, segundo ele, embarcou para a Itália em sua primeira viagem fora do Brasil.
Empresa de reciclagem enfrentou crise antes da expansão
Embora tivesse uma carreira consolidada na indústria, Marcelo decidiu buscar novos caminhos e passou a investir em iniciativas ligadas à formação profissional e desenvolvimento técnico.
Em 2009, criou um projeto educacional com apoio de amigos engenheiros, oferecendo aulas voltadas à capacitação de profissionais para o setor industrial.
A iniciativa acabou atraindo o interesse de um empresário suíço que pretendia instalar uma fábrica de reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil.
O convite levou Marcelo a liderar a implantação de uma unidade em Cabreúva. Em nove meses, ele coordenou a construção da operação, do terreno à fábrica em funcionamento.
“Saí de um escritório com ar-condicionado para obra, com barro até o tornozelo”, afirmou.
A Indústria Fox nasceu voltada à reciclagem de geladeiras e ao tratamento de gases nocivos ao meio ambiente.
O modelo, no entanto, enfrentou um problema de escala: o volume de refrigeradores destinados à reciclagem era insuficiente para sustentar a operação planejada.
Com a falta de matéria-prima, a empresa mudou de rota.
Passou a atuar em programas de eficiência energética, especialmente projetos de troca de geladeiras, e depois investiu na remanufatura de produtos com pequenos defeitos, estratégia que ganhou relevância durante a recessão iniciada em 2014.
O período mais difícil ocorreu em 2018, quando Marcelo já estava à frente da companhia como CEO.
A empresa enfrentou cortes de serviços básicos, atrasos e meses sem salário para o executivo, mas manteve a aposta em reciclagem e reaproveitamento.
Reciclagem e remanufatura impulsionam operação da empresa
Atualmente, a operação da Indústria Fox está estruturada em duas frentes principais, combinando reciclagem industrial e remanufatura de equipamentos eletrônicos.
Na área de reciclagem, os produtos descartados passam por coleta, triagem, desmontagem manual e mecanizada, além de processos de trituração e separação de materiais conforme exigências ambientais e técnicas específicas.
O processo inclui desde geladeiras, freezers e outros equipamentos de refrigeração até eletrônicos variados, que demandam rotas industriais distintas.
Cada categoria exige cuidado específico por causa de componentes, gases, metais, plásticos e resíduos que precisam de destinação adequada.
Na remanufatura, a empresa recupera produtos com defeitos, avarias ou retorno comercial e os transforma novamente em bens utilizáveis.
Depois de testados e recondicionados, esses itens voltam ao mercado com preços mais acessíveis, ao mesmo tempo em que reduzem desperdício.
Outro diferencial citado pela companhia é o desenvolvimento interno de engenharia.
A Indústria Fox afirma construir parte de suas próprias máquinas, o que permite adaptar processos ao tipo de resíduo recebido e ampliar a eficiência da operação.
Durante a pandemia, a empresa também criou uma plataforma online para vender produtos remanufaturados com pagamento somente na entrega.
A medida buscou reduzir a desconfiança do consumidor diante de itens reaproveitados e abriu uma nova frente comercial.
Nova planta em Campinas concentra expansão da operação
Hoje, cerca de 90% da operação da companhia já funciona na nova planta de Campinas, de acordo com informações divulgadas por Marcelo Souza.
Além de ampliar a capacidade industrial, a proximidade com Viracopos fortalece a logística da empresa e facilita o atendimento a fabricantes, varejistas, indústrias e programas de logística reversa.
Mesmo com a transferência da estrutura industrial, o executivo manteve a família em Cabreúva.
A decisão foi apresentada por ele como parte de uma busca por equilíbrio entre carreira e vida pessoal, sem abandonar a cidade onde a empresa iniciou sua trajetória.
A expansão ocorre em um setor pressionado pelo aumento do consumo de eletroeletrônicos e pela necessidade de destinação correta de resíduos.
Nesse cenário, a Indústria Fox tenta transformar volume, tecnologia industrial e remanufatura em vantagem competitiva para crescer além do mercado brasileiro.

-
-
-
5 pessoas reagiram a isso.