São alvo da 70ª fase da Lava Jato contratos Petrobras de afretamentos firmados com o armador Maersk e negócios intermediados envolvendo os shipbrokers Tide Maritime e Ferchem
A 70ª fase da Operação Lava Jato mira contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobras, sob responsabilidade da Diretoria de Abastecimento da empresa. Em julho deste ano a Lava Jato devolveu R$ 425 milhões à Petrobras.
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A operação foi deflagrada na manhã de ontem, 18 de dezembro pela Polícia Federal (PF), onde policiais cumpriram doze mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro.
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De acordo com as investigações, entre 2002 e 2018, três empresas estabeleceram mais de 200 contratos de afretamento de navios em valores que ultrapassam 6 bilhões de reais.
São alvos da 70ª fase da Operação Lava Jato: o armador Maersk, responsável pela embarcação, e os shipbrokers Tide Maratime e Ferchem, empresas que atuam como intermediárias nas negociações e suspeitas de terem se beneficiado com informações privilegiadas que deram a elas vantagens competitivas, através do pagamento de propina a funcionários da Petrobras.
De acordo com o Ministério Público Federal, a Maersk celebrou 69 contratos de afretamento com a Petrobras, entre 2002 e 2012 no valor aproximado de 968 milhões de reais; a Tide Maritime, 87 contratos com a estatal, entre 2005 e 2018, no valor de 2,8 bilhões de reais; já a Ferchem, 114 contratos, entre 2005 e 2015, num valor superior a 2,7 bilhões de reais.
As investigações relacionadas à Maersk tiveram como base a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras. As informações privilegiadas seriam veiculadas por Wanderley Granda que constituiu uma empresa de shipbroker para repassar propina ao ex-diretor.
Contratos de afretamento celebrados pela Petrobras com a intermediação dos shipbrokers Tide Maritme e Ferchem também estão sob investigação, há contratos com vigência para além de 2020, em valores globais superiores a 100 milhões de dólares. Essas empresas e seus representantes, além de ex-funcionários da Petrobras são alvo nas diligências de hoje.
No aparelho celular de Cláudio Genu, ex-tesoureiro do Partido Progressista, já condenado no Mensalão e na Lava Jato, foram colhidos diálogos que apontam que ele atuava na Petrobras e direcionava contratos de afretamentos para os armadores representados pela Tide Maritime e pela Ferchem.
O ex-gerente de Afretamentos da Petrobras, Dalmo Monteiro, é investigado por atuar em benefício da Ferchem, recomendando a armadores que contratassem a empresa.
Nota de defesa da Petrobras
“A Petrobras trabalha em estreita colaboração com as autoridades que conduzem a Operação Lava Jato e é reconhecida pelo próprio Ministério Público Federal e pelo Supremo Tribunal como vítima dos crimes desvendados.
A companhia vem colaborando com as investigações desde 2014, e atua como coautora do Ministério Público Federal e da União em 18 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 60 ações penais.
Cabe salientar que a Petrobras já recebeu mais de R$ 4 bilhões, a título de ressarcimento, incluindo valores que foram repatriados da Suíça por autoridades públicas brasileiras.”
