O shopping Lages Shopping Center, único da Serra Catarinense, foi comprado pela Ulbrex Capital após recuperação judicial do antigo controlador e etapas de leilão sem comprador, em uma operação que reposiciona o centro comercial de Lages e expõe os efeitos de dívida milionária sobre ativos regionais do varejo catarinense local.
O shopping Lages Shopping Center, único empreendimento do tipo na Serra Catarinense, mudou de dono em 2026 após meses de leilões e um processo ligado à recuperação judicial do antigo grupo controlador. A compra foi feita pelo fundo de investimentos paulista Ulbrex Capital.
Segundo o portal nd+, a operação ocorreu em Lages, na Serra de Santa Catarina, e envolveu também ativos em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, e Varginha, em Minas Gerais. O processo teve origem na crise financeira do grupo PCS, que informou dívida total de cerca de R$ 650 milhões.
Lages Shopping Center passa a integrar carteira de fundo paulista

O Lages Shopping Center entrou na carteira da Ulbrex Capital depois de um processo de venda envolvendo empreendimentos administrados pelo antigo grupo PCS. A aquisição colocou o único shopping da Serra Catarinense sob nova direção, em um momento observado de perto pelo varejo regional.
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A mudança de controle chama atenção porque o empreendimento tem peso estratégico para Lages e para a Serra de SC. Em cidades fora dos grandes centros, um shopping costuma concentrar lojas, serviços, lazer, alimentação e fluxo de consumidores em um mesmo espaço.
O pacote adquirido pela Ulbrex também incluiu unidades em Bragança Paulista e Varginha. Com isso, a operação não ficou restrita ao ativo catarinense, mas fez parte de uma movimentação maior envolvendo centros comerciais de diferentes estados.
Para Lages, o ponto central é o que muda na gestão daqui para frente. A chegada de um fundo de investimentos pode abrir uma nova etapa para o empreendimento, com foco em ocupação, renegociação, eficiência e reposicionamento comercial.
Recuperação judicial começou após dívida milionária
O processo que levou o shopping a mudar de dono está ligado ao pedido de recuperação judicial do grupo PCS, protocolado em 2023. A empresa era responsável pelo Lages Shopping Center e por outros empreendimentos comerciais no país.
Na época, o grupo informou uma dívida total de cerca de R$ 650 milhões. Esse valor ajuda a explicar por que os ativos acabaram indo a leilão dentro de um processo de reorganização financeira.
Entre os débitos citados estavam compromissos trabalhistas, tributos pendentes, valores com micro e pequenas empresas, credores sem garantia e uma parcela expressiva relacionada a credores com alienação fiduciária.
Esse tipo de cenário costuma pressionar a venda de ativos. Quando uma companhia entra em recuperação judicial, a negociação de bens pode servir para reorganizar dívidas, atender credores e tentar preservar parte da operação econômica.
Leilões anteriores não atraíram compradores

Antes da compra pela Ulbrex, o pacote de shoppings passou por etapas de leilão sem comprador. Na primeira fase, o lance inicial era de R$ 722 milhões. Na segunda, caiu para R$ 505 milhões, mas ainda assim não houve interessados.
Em novembro de 2025, o lance inicial para arrematar os três empreendimentos que agora fazem parte da Ulbrex era de R$ 361 milhões. A redução mostra como o processo precisou se ajustar até encontrar um comprador disposto a assumir os ativos.
O Lages Shopping Center tinha valor de mercado estimado em R$ 145 milhões na descrição do certame. Esse dado reforça a relevância do empreendimento dentro do pacote, especialmente por ser o único shopping da região serrana catarinense.
A ausência de compradores nas primeiras etapas também revela a cautela do mercado. Ativos comerciais podem ser atrativos, mas dependem de ocupação, fluxo de consumidores, localização, contratos, dívidas e capacidade de gerar receita recorrente.
Único shopping da Serra tem peso regional

O Lages Shopping Center ocupa uma posição específica no mercado catarinense por ser o único shopping da Serra de SC. Essa característica dá ao empreendimento uma função que vai além do varejo tradicional.
Ele atende consumidores de Lages e de cidades próximas, funcionando como ponto de compras, lazer e serviços para uma região que não tem a mesma concentração de centros comerciais encontrada no litoral ou na Grande Florianópolis.
Por isso, a mudança de dono não interessa apenas aos investidores. Lojistas, trabalhadores, consumidores e o próprio comércio local acompanham os próximos passos da nova administração.
A gestão de um shopping regional exige equilíbrio entre marcas, serviços, entretenimento, alimentação e eventos capazes de manter fluxo constante. Em mercados menores, esse trabalho pode ser ainda mais sensível, porque o público consumidor é mais concentrado.
Nova gestão terá desafio de recuperar valor
A chegada da Ulbrex Capital coloca o shopping em uma nova fase, mas não elimina automaticamente os desafios. O fundo assume um ativo que passou por um processo complexo, marcado por recuperação judicial, leilões e queda no valor pedido pelo pacote.
A partir de agora, a estratégia pode envolver atração de novas lojas, melhora na ocupação, renegociação com operadores, fortalecimento de serviços e busca por maior rentabilidade. O desafio é transformar um ativo que veio de uma crise em um empreendimento competitivo novamente.
Também será importante observar se haverá mudanças na operação diária. Para o consumidor, o que mais pesa é a experiência: variedade de lojas, estacionamento, segurança, praça de alimentação, eventos e serviços disponíveis.
Para lojistas, a atenção fica sobre fluxo, custos condominiais, condições comerciais e capacidade da nova gestão de ampliar movimento. Um shopping só se sustenta quando consegue alinhar interesse de investidores, lojistas e público.
O que a compra pode representar para Lages
A compra do Lages Shopping Center pela Ulbrex Capital pode marcar uma tentativa de reestruturação do principal centro comercial fechado da Serra Catarinense. O caso mostra como ativos regionais podem mudar de mãos após crises financeiras de grupos maiores.
Ao mesmo tempo, a operação deixa uma pergunta aberta sobre o futuro do empreendimento. A nova gestão conseguirá transformar a mudança de dono em retomada comercial ou o shopping continuará carregando os efeitos do processo que levou ao leilão?
Para Lages, o resultado importa porque o empreendimento faz parte da dinâmica econômica local. Ele concentra empregos, consumo, serviços e parte da movimentação urbana da cidade.
Você acredita que a entrada de um fundo paulista pode fortalecer o Lages Shopping Center ou acha que a recuperação de um shopping regional depende mais do consumo local e da chegada de novas lojas? Deixe sua opinião nos comentários.

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