A inteligência sul-coreana revelou que a avaliação sobre a filha de Kim Jong-un chamada Ju Ae de cerca de 13 anos evoluiu de provável sucessora para sucessora confirmada na Coreia do Norte e que suas aparições públicas em tanques e campos de tiro imitam o processo de preparação que o próprio Kim passou.
A agência de espionagem da Coreia do Sul agora acredita que a filha adolescente de Kim Jong-un foi posicionada como sua sucessora na liderança da Coreia do Norte. Segundo informações do portal usatoday, o Serviço Nacional de Inteligência (NIS) informou a parlamentares que essa avaliação não se baseia em inferências circunstanciais, mas em “informações confiáveis” coletadas pela agência uma distinção significativa que eleva o nível de certeza da inteligência sul-coreana sobre a sucessão no regime mais fechado do planeta.
A revelação veio após reunião parlamentar a portas fechadas e foi confirmada por membros dos partidos governista e de oposição. Ju Ae, que se acredita ter cerca de 13 anos, foi vista recentemente dirigindo um tanque novo ao lado do pai e, em aparições anteriores, atirando com rifle em campo de tiro e usando pistola. Para a inteligência da Coreia do Sul, essas cenas não são aleatórias são uma estratégia deliberada de construção da imagem de sucessora, replicando o processo pelo qual o próprio Kim Jong-un passou no início da década de 2010.
O que a Coreia do Sul sabe sobre a preparação de Ju Ae como sucessora
A avaliação mais recente do NIS representa uma evolução clara. Anteriormente, a agência afirmava que Ju Ae provavelmente estava sendo preparada para suceder o pai. Agora, a inteligência da Coreia do Sul trata a sucessão como fato estabelecido Ju Ae não está mais sendo “cogitada”, mas “posicionada” como herdeira da liderança da Coreia do Norte. A mudança de linguagem não é sutil; indica que novas informações sustentam essa conclusão.
-
Relatos sobre possível prisão de Diogo Defante nos EUA durante a Copa de 2026 repercutem nas redes e levantam dúvidas sobre o que realmente aconteceu
-
O pastor coreano de 71 anos que construiu uma caixa na parede para salvar bebês abandonados e já acolheu mais de 2 mil crianças sem pedir o nome de nenhuma mãe
-
Mãe de quatro filhos enfrenta dificuldades financeiras em São Paulo, troca empregos fora de casa por tortas doces e salgadas e transforma a cozinha em fonte de renda para sustentar a família enquanto estuda enfermagem para mudar o futuro dos filhos
-
O Afeganistão tem uma das maiores reservas de cobre não exploradas do mundo e a China quer controlar tudo isso com um acordo bilionário que pode mudar o destino do país mais pobre da Ásia
Parlamentares relataram que o NIS interpretou as aparições militares de Ju Ae como parte de uma campanha para construir sua credibilidade perante as elites do regime e a população.
A deputada Park Sun-won, do Partido Democrático, afirmou que as cenas de Ju Ae em tanques e campos de tiro têm o objetivo de “homenagear” as aparições públicas de Kim Jong-un em eventos militares quando ele próprio estava sendo preparado para suceder o pai, Kim Jong-il.
A Coreia do Norte estaria replicando um roteiro já testado adaptando-o para uma sucessora do sexo feminino.
Por que a Coreia do Norte está mostrando Ju Ae dirigindo tanques e atirando
No mês passado, a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA publicou fotos de Kim Jong-un e Ju Ae dirigindo um tanque novo juntos. Antes disso, imagens mostraram a adolescente atirando com rifle e manuseando uma pistola.
Segundo a inteligência da Coreia do Sul, essas aparições têm um propósito específico: dissipar dúvidas sobre uma herdeira mulher numa sociedade profundamente patriarcal e num regime onde a liderança sempre foi masculina.
A Coreia do Norte nunca teve uma líder mulher. A dinastia Kim que governa desde a fundação do país em 1948 passou de avô para pai e de pai para filho, sempre em linha masculina.
Colocar uma adolescente de 13 anos em situações militares de alta visibilidade é a maneira que o regime encontrou de normalizar a ideia de uma sucessora feminina, construindo desde cedo a narrativa de que Ju Ae tem aptidão militar e é digna do papel mesmo que, na prática, ela seja uma criança. Para a Coreia do Norte, a imagem é a mensagem.
O que dizem os céticos sobre a sucessão na Coreia do Norte
Nem todos os analistas concordam com a avaliação otimista do NIS. Hong Min, analista do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, alertou para a necessidade de cautela.
Ele observou que Ju Ae apareceu ao lado do pai no tanque, e não sozinha uma diferença importante quando comparada com as aparições militares solo de Kim Jong-un durante sua própria fase de preparação para a liderança da Coreia do Norte.
O argumento é que a presença do pai ao lado relativiza o simbolismo da cena. Quando Kim Jong-un estava sendo preparado para suceder Kim Jong-il, ele aparecia em eventos militares de forma independente, projetando autoridade própria.
Ju Ae, por enquanto, aparece sempre acompanhada — o que para alguns analistas sugere que ela está sendo apresentada, mas não necessariamente confirmada como sucessora única.
A Coreia do Norte é um regime onde detalhes de protocolo e posicionamento em fotografias carregam significado político profundo, e a interpretação dessas imagens divide especialistas.
O papel de Kim Yo Jong e o que ela pensa sobre a sobrinha
Uma das questões que cercam a sucessão na Coreia do Norte é a posição de Kim Yo Jong, irmã mais nova de Kim Jong-un e uma das figuras mais poderosas do regime.
O deputado Lee Seong-kweun, do Partido do Poder Popular, relatou que o NIS descartou sugestões de que Kim Yo Jong estaria insatisfeita com o foco em Ju Ae, argumentando que a irmã de Kim não detém poder independente.
Essa avaliação é relevante porque Kim Yo Jong é tratada por muitos observadores internacionais como a segunda pessoa mais influente da Coreia do Norte alguém com voz ativa em decisões de política externa e propaganda.
Se a inteligência da Coreia do Sul está correta e Kim Yo Jong não tem poder autônomo, a sucessão para Ju Ae enfrentaria menos resistência interna do que se poderia supor.
Mas a opacidade do regime torna qualquer análise sobre dinâmicas internas de poder necessariamente especulativa mesmo quando sustentada por “informações confiáveis” de uma agência de espionagem.
O que você acha: uma adolescente de 13 anos pode realmente estar sendo preparada para liderar a Coreia do Norte? A dinastia Kim vai sobreviver a mais uma transição? Deixe sua opinião nos comentários.

-
1 pessoa reagiu a isso.