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Justiça do Brasil ordena que União, Iphan, Pará e Prefeitura “salvem” a cidade fantasma de Fordlândia das ruínas, com diagnóstico em 90 dias, regularização fundiária e multas pelo abandono do patrimônio histórico

Publicado em 31/05/2026 às 07:58
Atualizado em 31/05/2026 às 08:00
Assista o vídeoJustiça do Brasil ordena ação para salvar Fordlândia, distrito histórico criado por Henry Ford na Amazônia, com plano em até 180 dias, diagnóstico em 90 dias e multas pelo abandono do patrimônio
Imagem: Ilustração artística
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Sentença da Justiça Federal cobra diagnóstico, plano de obras, regularização fundiária e participação dos moradores para conter a deterioração de Fordlândia, distrito criado por Henry Ford no Pará e marcado por décadas de abandono

A Justiça Federal determinou que União, Iphan, Governo do Pará e Prefeitura de Aveiro apresentem medidas para recuperar Fordlândia, distrito histórico criado por Henry Ford em 1927 no sudoeste do Pará. A decisão atende ao Ministério Público Federal e estabelece prazos, responsabilidades e multas para conter a deterioração do patrimônio. As informações foram divulgadas pelo G1.

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Fordlândia terá diagnóstico e plano de recuperação

A sentença obriga os quatro entes públicos a atuarem de forma conjunta na preservação do conjunto urbano, arquitetônico e paisagístico de Fordlândia.

A responsabilidade solidária significa que União, Iphan, Governo do Pará e Prefeitura de Aveiro deverão responder pelas ações necessárias para evitar o avanço da degradação.

O primeiro prazo definido pela Justiça é de 90 dias. Nesse período, deverá ser apresentado um diagnóstico atualizado sobre o estado de conservação dos imóveis históricos do distrito.

O levantamento deverá incluir construções emblemáticas, como o antigo hospital, já em ruínas, os galpões industriais, o Armazém do Porto, as casas da Vila Americana, o convento, a escola Henry Ford e o Cine Patinha, que sofreu colapso recente da cobertura.

Também entram na avaliação as antigas vilas operárias, parte do conjunto que marcou a tentativa de instalar, no coração da Amazônia paraense, uma base de produção de borracha voltada à indústria automobilística dos Estados Unidos.

Justiça do Brasil ordena ação para salvar Fordlândia, distrito histórico criado por Henry Ford na Amazônia, com plano em até 180 dias, diagnóstico em 90 dias e multas pelo abandono do patrimônio
Imagem: Divulgação

Distrito criado por Henry Ford convive com abandono há décadas

Fordlândia foi construída em 1927 pelo empresário norte-americano Henry Ford. O projeto tinha como objetivo produzir borracha na Amazônia para abastecer a indústria automobilística dos Estados Unidos e reduzir a dependência do monopólio inglês sobre o produto.

O empreendimento fracassou e, em 1945, as terras e edificações passaram para o governo brasileiro. Desde então, o distrito passou por décadas de abandono, deterioração e ausência de políticas efetivas de preservação.

Na sentença, a Justiça destacou que a União é proprietária primária do patrimônio. Mesmo assim, a proteção de bens históricos e culturais é uma obrigação compartilhada entre União, estados e municípios, conforme a Constituição Federal.

O juiz também apontou omissão prolongada dos órgãos públicos, inclusive após um acordo de preservação firmado em 2010 entre o Governo do Pará e a Prefeitura de Aveiro. A iniciativa não resultou em ações concretas de conservação.

Plano deve indicar obras, recursos e medidas emergenciais

Além do diagnóstico, a decisão estabelece prazo de 180 dias para a elaboração de um Plano de Recuperação e Conservação.

O documento deverá detalhar ações por imóvel, cronograma físico-financeiro, divisão de responsabilidades e fontes de recursos.

O plano também deverá prever medidas emergenciais para estruturas com risco de desabamento. Depois da aprovação judicial, as obras deverão começar em até 30 dias.

A Justiça ainda determinou que a Superintendência do Patrimônio da União no Pará conclua, em 120 dias, a regularização fundiária dos imóveis remanescentes da chamada “Base Física de Fordlândia”.

Essa pendência foi usada ao longo dos anos como justificativa para a ausência de intervenções públicas no distrito.

Justiça do Brasil ordena ação para salvar Fordlândia, distrito histórico criado por Henry Ford na Amazônia, com plano em até 180 dias, diagnóstico em 90 dias e multas pelo abandono do patrimônio
Prédio histórico em Fordlândia — Foto: MPF/Amit Evron/CC BY-SA

Multas e participação da comunidade

Caso os prazos não sejam cumpridos, a sentença fixa multas diárias de R$ 10 mil para a União e o Iphan. Para o Governo do Pará e a Prefeitura de Aveiro, a multa prevista é de R$ 5 mil por dia.

A decisão também determina a participação dos moradores da comunidade e da Defensoria Pública da União nas discussões sobre preservação e regularização das áreas habitadas.

Durante o processo, o MPF pediu que o Iphan concluísse o tombamento federal de Fordlândia, iniciado em 1990. Em maio de 2024, porém, o Conselho Consultivo do Iphan negou o tombamento da área.

Mesmo sem o tombamento, a Justiça entendeu que a obrigação de preservar o patrimônio histórico permanece.

A sentença afirma que laudos periciais, audiências públicas e inspeções judiciais comprovaram o valor histórico, arquitetônico e cultural de Fordlândia, reconhecida como patrimônio de relevância nacional e internacional.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do Ministério Público Federal e da sentença da Justiça Federal, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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